O pedido contra os EUA marca mais um capítulo da atuação brasileira na OMC, onde o país já conquistou vitórias consideradas históricas
Brasil aciona a OMC para contestar as tarifas impostas pelos Estados Unidos e inicia nova disputa comercial internacionalFoto: Divulgação/ND Mais
O governo Lula (PT) protocolou na segunda-feira (27) um pedido de consultas contra os Estados Unidos na OMC (Organização Mundial do Comércio), contestando as tarifas de 25% e de 12,5% impostas pelo governo norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O Brasil considera que as medidas são incompatíveis com as regras do comércio internacional e violam compromissos assumidos pelos EUA no âmbito da OMC.
O pedido marca o início do mecanismo formal de solução de controvérsias da organização, considerado o principal instrumento internacional para resolver disputas comerciais entre países.
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Nesta fase, ainda não há julgamento nem aplicação de sanções. O objetivo inicial é buscar uma solução negociada entre as duas nações.
Criada em 1995, durante a Rodada Uruguai do antigo GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), a Organização Mundial do Comércio é a instituição internacional responsável por estabelecer e fiscalizar as regras do comércio global.
A OMC (Organização Mundial do Comércio) administra os acordos internacionais de comércio e atua na solução de controvérsias entre seus membrosFoto: Reprodução/Portal IN/ND Mais
Além de administrar os acordos multilaterais de comércio, a entidade atua como fórum para negociações entre os países, acompanha o cumprimento das normas internacionais e administra o sistema de solução de controvérsias.
Entre os princípios que orientam a atuação da OMC estão a não discriminação entre os membros, a previsibilidade das regras comerciais, a concorrência leal, a proibição de restrições quantitativas ao comércio e o tratamento diferenciado para países em desenvolvimento.
Com o protocolo apresentado pelo governo brasileiro, o caso seguirá as etapas previstas pelo no DSU (Entendimento sobre Solução de Controvérsias).
Ao longo de três décadas, o Brasil construiu um histórico de decisões favoráveis na OMC em disputas contra grandes economiasFoto: Reprodução/ND Mais
O Brasil é um dos usuários mais ativos do sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. O país ocupa a quarta posição entre os membros que mais recorreram ao mecanismo e é o país em desenvolvimento com o maior número de disputas como parte principal.
A participação brasileira começou logo após a criação da organização, no caso conhecido como “EUA – Gasolina”, em que Brasil e Venezuela questionaram com sucesso regras norte-americanas sobre padrões aplicados à gasolina importada.
Desde então, o Brasil acumulou vitórias em disputas relevantes envolvendo setores como aeronaves, açúcar, algodão e carne de frango, consolidando sua atuação como um dos principais usuários do sistema de solução de controvérsias da OMC.
Apesar do funcionamento do mecanismo de solução de controvérsias, a OMC enfrenta uma limitação importante desde 2019.
O Órgão de Apelação, responsável por revisar as decisões dos painéis, permanece paralisado devido à falta de nomeação de novos integrantes. Com isso, um país condenado pode recorrer da decisão sem que o recurso seja efetivamente analisado, situação conhecida como “apelação para o vazio”, o que impede a conclusão definitiva do processo.
A OMC reúne mais de 160 economiaFoto: Jay Louvoin/Studio Casagrande/OMC/ND Mais
Uma alternativa é que as partes aceitem previamente utilizar um sistema de arbitragem temporária, conhecido como MPIA (Arranjo de Arbitragem de Apelação Multipartes), criado justamente para suprir a ausência do Órgão de Apelação. No entanto, esse mecanismo depende da concordância dos envolvidos.
Fonte: ND Mais
Gizelle Santos