• 28 de julho de 2026

Dados do super El Niño assustam cientistas: pode ser o mais forte da história e por uma margem absurda

Super El Niño avança no Oceano Pacífico, bate recordes de temperatura e pode tornar 2026 e 2027 os anos mais quentes já registrados no planeta

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Super El Niño pode tornar 2026 e 2027 os anos mais quentes já registrados na históriaFoto: Reprodução/UFMS/ND MAis

O super El Niño está se fortalecendo rapidamente no Oceano Pacífico e já apresenta temperaturas da superfície do mar em níveis inéditos para o mês de julho, segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Cientistas afirmam que o fenômeno pode se tornar o mais intenso desde o início dos registros modernos, aumentando significativamente as chances de 2026 e 2027 baterem recordes históricos de calor em escala global.

O fortalecimento do El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, já vem influenciando o clima em diferentes partes do planeta e preocupa especialistas pelos possíveis efeitos combinados com o aquecimento global provocado pelas mudanças climáticas.

Segundo Zeke Hausfather, cientista pesquisador da Berkeley Earth, a intensidade observada até agora supera a registrada em grandes episódios anteriores.

“Não é apenas ‘muito provável que seja o evento mais forte desde que os registros confiáveis começaram – pode acabar sendo o mais forte por uma margem verdadeiramente impressionante'”, escreveu o pesquisador em publicação no The Climate Brink, blog da plataforma Substack.

De acordo com Hausfather, ainda não é possível prever exatamente todos os impactos que ocorrerão ao longo dos próximos 12 a 18 meses, mas os modelos climáticos indicam que o fenômeno elevará significativamente as temperaturas médias globais.

Além do aumento do calor, líderes mundiais acompanham com preocupação a possibilidade de secas prolongadas, chuvas torrenciais e ondas de calor em diversas regiões do planeta.

Por outro lado, especialistas destacam que nem todos os efeitos são negativos. A expectativa é de que o fenômeno contribua para reduzir a intensidade da temporada de furacões no Oceano Atlântico durante 2026.

Super El Niño já estabelece recordes de temperatura no Pacífico

O super El Niño já apresenta temperaturas da superfície do mar acima do limite normalmente utilizado para classificar eventos considerados muito fortes.

Segundo relatório climático divulgado pela Berkeley Earth em 23 de julho, elaborado por Zeke Hausfather e Robert Rohde, a evolução do aquecimento ocorre em ritmo superior ao observado durante o histórico episódio de 1997-1998.

Dados divulgados pela NOAA mostram que as temperaturas da água na principal região monitorada do fenômeno nunca estiveram tão elevadas para o mês de julho desde o início das medições modernas.

Hausfather destacou que a evolução das temperaturas da superfície do mar ao longo da faixa equatorial do Pacífico tem sido excepcional.

“A trajetória de aquecimento das temperaturas da superfície do mar na região do El Niño ao longo do equador tem sido ‘notável’, desenvolvendo-se mais rapidamente do que o El Niño de 1997-98”, escreveu o pesquisador.

El NiñoEl Niño pode registrar temperaturas históricas e Brasil fica em alerta para eventos extremosFoto: Reprodução/BRDE/Riskline/Clima Info/ND Mais

Cientistas alertam para combinação inédita com mudanças climáticas

Embora o El Niño seja um fenômeno natural, especialistas afirmam que sua atuação ocorre em um cenário completamente diferente daquele observado em décadas anteriores.

Segundo Daniel Swain, cientista climático da Universidade da Califórnia, Departamento de Agricultura e Recursos Naturais, o planeta enfrenta atualmente uma situação inédita.

“O mundo está testemunhando ‘uma combinação sem precedentes’ entre o forte El Niño e o aumento da temperatura devido às mudanças climáticas”, afirmou.

De acordo com Swain, essa combinação poderá ampliar significativamente os efeitos do fenômeno tanto nos Estados Unidos quanto em diversas outras regiões do mundo.

O pesquisador explicou que episódios anteriores do El Niño elevaram temporariamente a temperatura média global em aproximadamente 0,54 grau Fahrenheit.

Agora, além desse aquecimento natural, o planeta também sofre os efeitos do aquecimento global provocado pelas atividades humanas.

“Um El Niño potencialmente recorde, somado a temperaturas globais já recordes, é algo muito significativo”, disse.

“As chances de batermos um novo recorde de temperatura média global, seja este ano ou no próximo, ou em ambos, são altas”, afirmou Swain.

“Se não chegarmos lá este ano, quase certamente chegaremos no próximo.”

Impactos já começam a aparecer

Os efeitos do fortalecimento do El Niño já são observados em diferentes regiões dos Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores, o fenômeno vem reduzindo a atividade de furacões no Atlântico e favorecendo condições de calor e umidade acima da média em partes da Califórnia, um dos estados mais sensíveis aos impactos desse padrão climático.

Os cientistas ressaltam que o comportamento do fenômeno continuará sendo monitorado nos próximos meses, período considerado decisivo para confirmar se este será realmente o episódio mais intenso já registrado e quais serão seus impactos definitivos sobre o clima global.

Fonte: ND Mais

Deny Campos

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