Quem é o desembargador que convocou paralisação do país após a prisão de Bolsonaro
O ex-magistrado denunciou o que considera uma “ditadura do próprio Poder Judiciário” e disse que a união dos apoiadores é necessária para “resgatar o país”
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Aliado de Bolsonaro, Sebastião Coelho convoca paralisação nacional após prisão do ex-presidenteFoto: STF/Reprodução/ND Mais
Aliado de Jair Bolsonaro (PL), o desembargador aposentado Sebastião Coelho usou as redes sociais nesta segunda-feira (24) para convocar apoiadores do ex-presidente a uma paralisação nacional em prol da anistia de Bolsonaro, preso no sábado (22) na sede da PF (Polícia Federal), em Brasília.
Bolsonaro foi preso por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, a pedido da própria Polícia Federal, que justificou risco de fuga do ex-presidente durante a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro em frente ao condomínio do pai.
No Instagram, Sebastião Coelho instruiu seguidores sobre como a paralisação deve ocorrer e afirmou que essa era “o caminho que restou”.
“Nós já fizemos tudo o que estava ao nosso alcance até aqui, sem qualquer resultado. E qual é o objetivo? A anistia. Anistia ampla, geral e irrestrita para todos do 8 de Janeiro e para o presidente Bolsonaro, que representa a todos. Qual é o destinatário dessa paralisação? O Congresso Nacional, que está de costas para o povo brasileiro”, declarou.
Sebastião Coelho pede paralisação geral por setores, com exceção de serviços essenciais à populaçãoVídeo: Reprodução/ND Mais
Segundo o ex-magistrado, todos os serviços devem aderir à greve, com exceção de bombeiros, hospitais e ambulâncias. “Os demais, tudo pode parar. Você vai me perguntar: ‘Será uma paralisação total, nacional?’. De início, dificilmente. A paralisação deve ser por setores. Quem é líder de um setor, chama a paralisação no seu setor. A partir disso, outros vêm para agregar, para somar”.
Ele também defendeu que a união de todos é fundamental para “resgatar o nosso país” e criticou o Judiciário. “Conterrâneos, vocês sabem que todas as ditaduras contam com o apoio do Poder Judiciário para dar aquela roupagem de legalidade. No mundo todo. Mas no Brasil a ditadura é o próprio Poder Judiciário. Nós não podemos mais aceitar isso”, disse.
Sebastião Coelho ainda questionou até quando os apoiadores ficariam de “braços cruzados” diante da prisão de Bolsonaro. “Até quando vamos acatar, ficar quietos vendo um capitão do Exército preso na Polícia Federal, quando deveria estar preso em uma unidade do Exército brasileiro? E o comandante do Exército, calado, de cabeça baixa. Essa é a hora, meus irmãos. Paralisação já”, pontuou.
Quem é Sebastião Coelho, desembargador que convocou paralisação
Natural de Santana de Ipanema (AL), Sebastião Coelho, 69 anos, é desembargador aposentado do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios). Formado em direito pela Faculdades Metropolitanas Unidas de São Paulo, em 1980, foi nomeado cerca de dez anos depois juiz de direito substituto do TJDFT.
Ao longo da carreira, atuou na Auditoria Militar do Distrito Federal, na Vara de Execuções Penais, na 2ª Vara de Precatórios e na 6ª Vara Criminal de Brasília. Tornou-se desembargador em 2013 e se aposentou em setembro de 2022.
Em vídeo, Sebastião Coelho pediu para que o Brasil paralisasse em reação à prisão de Jair BolsonaroFoto: STF/ND Mais; Isac Nóbrega/PR/ND Mais
Além disso, ele foi advogado de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, também acusado de envolvimento na tentativa de golpe.
Tumulto durante sessão
Em março, Sebastião Coelho foi detido por algumas horas ao gritar palavras de ordem durante o julgamento da denúncia contra Bolsonaro e outros sete por golpe de Estado na Primeira Turma do STF.
Ele nem chegou a entrar no plenário, mas conseguiu interromper a leitura do relator Alexandre de Moraes com gritos vindos de fora do local, como “arbitrário”. Após a breve interrupção, Moraes concluiu o relatório e passou a palavra ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.