• 15 de outubro de 2026

Entidades reagem ao fim da escala 6×1 e alertam para alta de preços e custos

Setores apontam possíveis impactos nos custos de produção, no emprego, na construção civil e no acesso à moradia após aprovação da proposta pelo Senado.

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Foto: Divulgação

Entidades representativas da indústria, dos bares e restaurantes e da construção civil reagiram à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. As organizações demonstram preocupação com possíveis aumentos nos custos das empresas, nos preços de produtos e serviços e com os efeitos da mudança sobre o mercado de trabalho.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que os custos de produção podem aumentar R$ 267,2 bilhões. Segundo a entidade, o impacto pode resultar em uma elevação média de 6,2% nos preços ao consumidor e em uma redução de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 76,9 bilhões.

Entre os produtos industrializados, a estimativa é de aumento de 6%. Para roupas e calçados, a alta pode chegar a 6,6%, enquanto os preços dos produtos comercializados em supermercados podem subir 5,7%.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou a aprovação sem um debate aprofundado sobre os impactos econômicos e defendeu que o Congresso reavalie a proposta após analisar possíveis consequências para a inflação e a competitividade das empresas.

Indústria alerta para impactos no emprego

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também aponta riscos para a geração de empregos formais e para a competitividade. A entidade avalia que a redução da jornada sem ganhos de produtividade pode elevar os custos das empresas.

A federação defende que os modelos de jornada considerem as diferenças entre setores e atividades econômicas, com espaço para negociações coletivas.

Bares e restaurantes calculam necessidade de mais trabalhadores

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que 15 milhões de trabalhadores atuam atualmente na escala 6×1. Para compensar a redução de um dia de trabalho e manter a oferta atual de serviços, o setor calcula que seriam necessários mais 3 milhões de profissionais.

Na construção civil, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alerta que a redução da jornada pode provocar atrasos em obras e comprometer investimentos em infraestrutura e habitação.

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) estima que uma jornada semanal de 40 horas poderia elevar em 5,5% os preços dos imóveis. Um estudo realizado em conjunto com a Ecconit aponta ainda que até 2,5 milhões de famílias poderiam perder acesso ao financiamento habitacional.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também alerta para possíveis efeitos em setores essenciais, como saúde, educação, transporte, supermercados e indústria química. A entidade cita ainda a possibilidade de aumento da informalidade.

PEC prevê transição em duas etapas

A proposta foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), por 75 votos favoráveis e um contrário, nos dois turnos de votação. O texto segue agora para promulgação.

A transição prevista é de 14 meses, dividida em duas etapas, com redução de duas horas semanais em cada fase. A primeira mudança, que inclui dois dias de descanso remunerado por semana, começa 60 dias após a promulgação. A segunda etapa está prevista para 12 meses depois do início da primeira fase.bramentos, você pode Siga no Forum Inter ou acessar o Siga no Forum Inter para discussões adicionais.

Fonte: RBV

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