Temporal deixa famílias gaúchas com danos, provoca alagamentos, resgates, falta de energia e elevação dos rios
Fotos: Agência RBS e Defesa Civil RS
A atuação de um sistema de instabilidade mantém o Rio Grande do Sul sob chuva persistente e volumosa, provocando uma série de transtornos em diversas regiões do estado. Conforme balanço atualizado pela Defesa Civil, ao menos 73 municípios registraram prejuízos relacionados ao mau tempo até o início da noite desta terça-feira (21).
Entre as principais ocorrências estão alagamentos, destelhamentos, quedas de muros, interdição de pontes, falta de energia elétrica e resgates de moradores em áreas de risco. As autoridades seguem monitorando a situação e alertam para a continuidade das chuvas nas próximas horas.
No norte do estado, um ônibus utilizado no transporte de trabalhadores de frigoríficos foi arrastado pela força da água no município de Ibiraiaras. O veículo estava vazio no momento do incidente e foi retirado do local com o auxílio de máquinas da prefeitura. O motorista não sofreu ferimentos.
Ainda na mesma região, um idoso precisou ser resgatado após ficar preso dentro de um automóvel durante um alagamento.
Na capital Porto Alegre, equipes de emergência atenderam uma ocorrência no bairro Cristal, onde um muro desabou e moradores precisaram ser retirados do local por medida de segurança.
Em Vila Maria, uma ponte localizada na Rua General Flores da Cunha foi interditada depois que a cabeceira da estrutura sofreu deslocamento, oferecendo risco para veículos e pedestres. A prefeitura orienta que o trânsito utilize a ponte que liga o Parque de Eventos ao Módulo Esportivo XV de Novembro.
Já em Carazinho, a força da chuva provocou o desabamento dos muros de uma residência e do Estádio do Campo do Glória. Apesar dos danos materiais e de alagamentos em imóveis, não houve registro de vítimas nem de famílias desabrigadas.
Frederico Westphalen também contabilizou prejuízos significativos. Aproximadamente 50 residências sofreram danos de média intensidade, cinco casas ficaram totalmente destelhadas e estabelecimentos comerciais foram atingidos. Uma árvore caiu sobre a BR-386, enquanto equipes da prefeitura e da Defesa Civil atuaram em diversos bairros e comunidades do município.

Na Serra Gaúcha, o aumento do nível do Arroio Pinhal encobriu a ponte provisória instalada na comunidade de Vila São Pedro, no interior de Caxias do Sul.
A estrutura representa o único acesso seguro dos moradores até a BR-116 e ao centro da cidade. A comunidade já havia enfrentado situação semelhante em 2024, quando permaneceu cerca de quatro meses isolada após a destruição da antiga ponte pelas chuvas.

Durante transmissão realizada na tarde de terça-feira, a Defesa Civil informou que diversos rios das principais bacias hidrográficas devem apresentar elevação expressiva, embora a maioria ainda permaneça abaixo da cota de inundação.
Entre os cursos d’água monitorados estão os rios Quaraí, Ibirapuitã, Jacuí, Pardo, Forqueta, Taquari e Caí, além de afluentes do Rio Uruguai na região do Alto Uruguai.

Em Santa Cruz do Sul, a situação inspira maior atenção. O secretário de Segurança e Trânsito e coordenador da Defesa Civil do município, Reginaldo Martins Brito de Campos, informou que o Rio Pardinho atingiu 7,30 metros, alcançando a cota de inundação.
Segundo ele, o grande volume de água vindo do município de Sinimbu acelera a elevação do rio, podendo atingir a Rua Irmão Emílio, no bairro Várzea. Diante desse cenário, as sirenes de alerta foram acionadas no bairro Navegantes para orientar moradores sobre uma possível evacuação preventiva.
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, os rios Caí, nos municípios de Caxias do Sul e São Sebastião do Caí, e o Rio Quaraí já ultrapassaram a cota de alerta, embora permaneçam abaixo do nível de inundação. Outros rios seguem em cota de atenção, entre eles o Rio das Antas, Guaporé, Tainhas, Ibirapuitã, Cadeia, Forqueta e outro trecho do Rio Caí em Montenegro.
Os temporais também afetaram o fornecimento de energia elétrica. No início da noite, 13.152 unidades consumidoras estavam sem luz em todo o estado.
Na área atendida pela RGE, cerca de 10,5 mil clientes permaneciam sem energia. Já na região de concessão da CEEE Equatorial, pelo menos 3.052 consumidores enfrentavam interrupção no abastecimento, principalmente nos municípios de Porto Alegre, Viamão, Bagé e Santo Antônio da Patrulha.

A Defesa Civil atualizou para 73 o total de municípios com ocorrências relacionadas ao temporal. Entre as cidades incluídas na nova atualização estão Augusto Pestana, Boa Vista do Cadeado, Cachoeirinha, Canudos do Vale, Cidreira, Marau, Nova Palma, Pareci Novo, Passa Sete, Pejuçara, Relvado, Rio Pardo, Roque Gonzales, Salvador das Missões, São Jerônimo, São Sepé, Segredo, Sete de Setembro, Sobradinho, Ubiretama e Vale Real.
A instabilidade seguiu atuando sobre o Rio Grande do Sul durante a madrugada e a manhã desta quarta-feira (22), com chuva intensa. A tendência é de enfraquecimento gradual das condições de chuva ao longo da tarde.

Fonte: RBV