Unilever comunicou suspeita de contaminação à Anvisa ainda em 2025, mas consumidores só foram alertados oficialmente em maio de 2026
Unilever teria identificado possível contaminação em produtos da Ypê em 2025Foto: Imagem gerada por IA/ND Mais
A confirmação de que a Unilever alertou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre suspeitas de contaminação em produtos da Ypê meses antes da suspensão dos itens abriu questionamentos sobre a demora na comunicação ao público.
Segundo os documentos enviados aos órgãos em outubro de 2025, análises laboratoriais teriam identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da linha Tixan Ypê e em detergentes líquidos. A multinacional classificou o caso como um possível “risco iminente” à saúde dos consumidores.
A Anvisa só determinou a suspensão da fabricação, comercialização e distribuição dos produtos em maio de 2026, após inspeções presenciais na fábrica da empresa em Amparo (SP).
Em nota enviada ao ND Mais, a Anvisa destacou que a Ypê já havia sido alvo de outras medidas sanitárias recentes. Em novembro 2025, houve um outro caso envolvendo contaminação em lotes de sabão líquido para roupas da marca, que resultou no recolhimento dos produtos.
Anvisa afirmou ter encontrado irregularidades em produtos da YpêFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Reprodução/ND Mais
Além disso, o órgão informou que, apenas em 2024, produtos da empresa foram alvo de pelo menos sete medidas restritivas diferentes relacionadas à categoria de saneantes. Os registros estão disponíveis no sistema público de produtos irregulares da Anvisa.
De acordo com a Anvisa, denúncias de terceiros recebidas pela agência precisam passar por procedimentos de análise e apuração. Além disso, a fabricante apresentou recursos administrativos e novos documentos técnicos ao longo do processo, o que também prolongou a análise regulatória.
No caso da Ypê, a Anvisa afirmou ter encontrado irregularidades no processo produtivo após inspeções feitas em conjunto com vigilâncias sanitárias estadual e municipal. A agência também apontou “possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica” nos produtos investigados.
“Embora a agência seja obrigada a apurar denúncias recebidas e verificar sua materialidade, o trabalho da agência se apoia em monitoramento rotineiro e em inspeções conjuntas em parceria com as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais”, informou o órgão ao ND Mais.
A suspensão da fabricação, comercialização e distribuição de lotes de produtos da Ypê foi determinada apenas em maio de 2026, após inspeções sanitárias feitas na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo. Segundo a Anvisa, fiscais encontraram irregularidades no processo produtivo e identificaram risco de contaminação microbiológica nos produtos analisados.
Imagens da inspeção da Anvisa na YpêFoto: Enfermeiro do Orelha/@enf_intensiva/X
A agência reforçou que a decisão não foi baseada exclusivamente na denúncia feita pela concorrente, mas no conjunto de análises laboratoriais, inspeções e avaliações técnicas realizadas ao longo dos últimos meses.
O caso também abriu espaço para questionamentos sobre a disputa comercia no setor de limpeza. A Unilever confirmou que realiza testes frequentes em produtos concorrentes e afirmou que comunicar às autoridades é um procedimento padrão quando há suspeitas de irregularidades.
As sanções também ultrapassaram o debate sanitário e ganharam contornos políticos nas redes sociais. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a acusar a Anvisa de “perseguição política” contra a empresa, resgatando doações feitas pela Ypê para a campanha de Bolsonaro e criando campanhas de apoio à marca, como o movimento “Somos Todos Ypê”.
Luciano Hang posta vídeo com produtos Ypê e acusa perseguição políticaFoto: @LucianoHangBr/X/Reprodução/ND Mais
Após analisar um recurso apresentado pela Ypê contra as sanções, a diretoria colegiada da Anvisa decidiu, nesta sexta-feira (15), manter a proibição de fabricação, comercialização e uso de produtos da marca.
Fonte: ND Mais