A morte de Matheus de Oliveira, de 7 anos, que teve uma parada cardiorrespiratória após engolir um apito em Navegantes, no Litoral Norte catarinense, trouxe à tona os perigos dos acidentes que envolvem crianças colocando algum objeto pequeno na boca. Segundo a médica Renata Waksman, ocorrências desse tipo são comuns.
“Infelizmente temos bastante mortes, principalmente no primeiro ano e segundo anos de vida. Esses acidentes são supercomuns”, afirmou a médica que faz parte do Departamento Científico de Segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Porém, ela destacou que “não se pode se preocupar só com as crianças menores”.
Matheus ficou internado por seis dias no Hospital Pequeno Anjo, em Itajaí, cidade vizinha a Navegantes, e morreu na noite de quinta-feira (17). A família aceitou realizar a doação dos órgãos do garoto.
A médica Renata Waksman alertou que acidentes em que crianças engolem algum objeto não ocorrem somente com os mais novos. Dependendo da idade da criança, o tipo de objeto que representa perigo pode mudar, segundo ela.
“Infelizmente, vira e mexe estamos sabendo de adolescente de 10 anos engasgando com pedaço de balão, tampando a entrada da traqueia e levando à morte”, afirmou.
“No primeiro e segundo anos de vida, as estatísticas mostram que os grãos são muito comuns em causar esses acidentes. Arroz, feijão, milho. Aquela criança que acaba tendo acesso a esse grão acaba se engasgando. O grão acaba indo para a via respiratória”, explicou.
Os perigos continuam com o avançar da idade. “Crianças pequenas acabam colocando tudo na boca, botões, partes que se destacam de brinquedos, objetos de decoração, tampinha de caneta. A gente sabe que tudo que está ao alcance da criança, ela vai colocar na boca”, resumiu.
A especialista explicou também por que esse tipo de acidente é mais comum entre os mais novos. “A distância entre a arcada dentária e a língua é menor, por isso que esses objetos, ao serem colocados na boca, acabam escorregando para trás e podem entrar na via respiratória, causando asfixia, sufocação”.
Ela deu um exemplo. “O balão estoura e um dos fragmentos acaba indo pela linguinha. Vai para a parte de trás e tampa a entrada da via respiratória. A criança sendo menor, acaba obstruindo a entrada e a saída do ar, pode provocar a morte rapidamente”, afirmou.
A médica deu orientações aos pais e responsáveis sobre como evitar esse tipo de acidente. “Não ter nada ao alcance da criança pequena, como brinquedos que destacam partes. No preparo das refeições, não deixar a criança na cozinha. Se tiver algum grão disponível, ela põe na boca. Ter cuidado com medicamentos, cápsulas, objetos pequenos”.
“A criança, se tiver alcance, já imediatamente vai colocar na boca. Isso é normal, é parte do desenvolvimento”, resumiu.
É preciso orientar também outras crianças maiores, segundo ela. “Irmãos mais velhos têm que ser ensinados que, depois de brincar, precisa guardar os brinquedos que possam representar perigo para os menorzinhos. A criança maior às vezes deixa o brinquedo para o menor pegar ou esquece. O pequeno tem acesso e acaba sofrendo”, afirmou.
O 1° tenente do Batalhão Militar os Bombeiros Douglas Amaral da Cunha indicou algumas recomendações que podem ser seguidas por pais ou responsáveis para tentar evitar e saber como agir em situações em que a criança engole um objeto.
Sufocamento
Brinquedos
Como agir em caso de engasgamento com bebês (manobra de tapotagem)
Fonte: RBV Notícias