• 19 de janeiro de 2026

Brasil e Venezuela: entenda a relação entre os dois países os pontos de conflito

Relação entre Brasil e Venezuela passa por transformações ao longo das últimas três décadas e ganha novos formatos devido à crise migratória

[wd_hustle id='1' type='social_sharing'/]

Relação entre Brasil e Venezuela vem se transformando ao longo das últimas décadasFoto: Paulo Pinto/Agência Brasil/ND

Com um histórico amistoso e diplomático quando o assunto são as relações com países aliados, o Brasil ocupa um papel importante na mediação de conflitos na América Latina e no mundo. No caso da relação entre Brasil e Venezuela, especialistas destacam que o acirramento de tensões devido à gestão de Nicolás Maduro modificara o papel brasileiro na gestão de conflitos com o país vizinho.

Segundo o estudo “Brasil e Venezuela: evolução das relações bilaterais e implicações da crise venezuelana para a inserção regional brasileira (1999-2021)”, publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2022, o fato de o Brasil ter adotado um tom mais crítico à Venezuela após a morte de Hugo Chávez, em 2013, fez com que o país perdesse espaço na mediação de crises.

A publicação do Ipea aponta que essa postura fez com que potências extrarregionais, como China, Rússia e Estados Unidos, países médios extrarregionais (Turquia, Irã) e regionais (Colômbia, Peru) aumentassem a sua presença relativa na Venezuela.

Relação entre Brasil e Venezuela “em cima do muro”

Para José Alves Freitas Neto, professor no Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas, a postura do Brasil de defender a neutralidade em grandes conflitos é algo que ameniza e preserva a imagem do país como “equilibrado, que não interfere nas relações internas dos vizinhos e de outras partes do mundo”. Porém, a conduta limita a influência do país nos assuntos geopolíticos da nação vizinha.

Fatores como o apoio à suspensão da Venezuela no Mercosul, o não reconhecimento formal do resultado das eleições do país em 2024 e o aumento de críticas ao regime de Maduro dificultaram a posição do Brasil em se firmar como um negociador privilegiado na crise. Manter comércio com as grandes economias, como Estados Unidos e a China, dá interlocução com as duas maiores potências do mundo, mas penaliza o poder diplomático brasileiro nos conflitos regionais.

“O Brasil tem uma figura simbólica nesse contexto da Venezuela, porque vai defender sempre a unidade da América Latina e a soberania, mas não tem nenhum poder de força além desse exercício retórico, considerando que não vai produzir uma alteração do cenário político já desenhado ali”, comenta Freitas Neto.

Relação entre Brasil e Venezuela se transforma com a migração

A publicação do Ipea destaca que a exceção à perda de influência da diplomacia brasileira na Venezuela se dá no espaço de fronteira, que recebe cerca de 250 venezuelanos diariamente. Os pesquisadores destacam que a Operação Acolhida, responsável pela interiorização dos migrantes venezuelanos do país, tem mostrado resultados mais satisfatórios na inserção deste fluxo migratório em programas sociais e serviços públicos do que em outros países da região.

Crianças da etnia Warao brincam no abrigo desativado pela Operação Acolhida, mas que continua ocupado pelos indígenas venezuelanos. Ilustra matéria sobre a relação entre brasil e venezuela.Em 2023, crianças da etnia Warao brincam no abrigo desativado pela Operação Acolhida, mas que continua ocupado pelos indígenas venezuelanos. Brasil tem mais de 580 mil venezuelanos vivendo no país.Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Até novembro de 2025, o país acolheu cerca de 582 mil venezuelanos, que entraram no Brasil especialmente por Roraima. O crescimento populacional evidencia problemas de estrutura, já que Roraima é um dos menores estados com a menor população dentro do país e enfrenta desafios para acolher adequadamente o enorme fluxo migratório da última década.

“Fora as questões políticas continentais na América Latina, a preocupação do Brasil com a Venezuela também passa por uma questão humanitária. Para além da vida política e dos discursos relacionados ao petróleo, você tem dentro de uma crise política e diplomática impactos na vida das pessoas que buscam a sua sobrevivência”, finaliza Freitas Neto.

Fonte: ND Mais

Notícias por e-mail ↓

Receba conteúdos atualizados com prioridade!