• 20 de julho de 2025

INSS: Não há como garantir que novas fraudes serão evitadas, aponta ministro

“Se voltará a acontecer um dia não sabemos, esperamos que não”, aponta o ministro da Previdência, que garante que governo está aprimorando os meios de controle e fiscalização

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Ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em audiência sobre fraudes no INSS – Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

O novo titular da pasta da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), diz que não pode garantir que novas fraudes não aconteçam no INSS (Instituo Nacional do Seguro Social). Mas apontou que todo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está atuando para prevenir a ocorrência de novas situações como a fraude nos descontos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas.

Para ele, “o Estado brasileiro falhou por anos” e diz que, por mais esforço que o governo faça, a “criatividade” do crime é difícil de acompanhar. Apesar dos controles, com um orçamento, de mais de R$ 1 trilhão ao ano, é difícil não chamar a atenção dos criminosos e isso exige a atuação constante das estruturas de fiscalização e controle. Mesmo assim, destaca, é impossível garantir que, no futuro, não aconteçam outros tipos de fraudes.

“Para que isso não ocorra de novo, é que nós estamos reforçando a inteligência e reforçando o trabalho da força-tarefa Previdenciária que que atua com a Polícia Federal (PF) e reforçando os mecanismos de controle que existem. São muitos, mas que às vezes não tem a devida atenção. A gente está dando uma sacudida nos procedimentos”, disse.

A fraude nos descontos indevidos na folha de pagamento dos aposentados deflagrou uma crise no INSS e resultou na saída do ex-ministro Carlos Lupi – Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/Reprodução/NDA fraude nos descontos indevidos na folha de pagamento dos aposentados deflagrou uma crise no INSS e resultou na saída do ex-ministro Carlos Lupi – Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/Reprodução/ND

Essa fraude no desconto irregular de aposentados, deflagrou, há pouco mais de dois meses, uma crise no governo Lula, que levou a demissão do antecessor, o companheiro de partido, Carlos Lupi, que comandou a pasta desde a posse de Lula.

Conhecido como um político conciliador, o ministro diz que recebeu a determinação expressa do presidente Lula para apurar a fundo essa fraude e garantir os meios para devolver os descontos irregulares contra os segurados.

O ministro concedeu uma entrevista exclusiva ao ND Mais, na última quinta-feira (18), em Brasília, confira alguns trechos da entrevista e acompanhe a íntegra em vídeo no ND Mais:

Pesquisas de opinião mostram que uma parte da população culpa o presidente Lula pelos desvios na Previdência? O governo falhou?

Entendo que é natural porque na hora que o cidadão está em casa e ele toma conhecimento de uma fraude inicialmente avaliada em R$ 6,5 bilhões (…), causa uma perplexidade e indignação absolutamente justa.

Eu, e todo o governo, principalmente o presidente Lula, ficamos indignados, então as pessoas ao tomar conhecimento de uma fraude dessa magnitude, aparecendo durante o governo do presidente, pouco importa se, em um primeiro momento, isso tenha começado lá atrás, talvez em 2017 ou 2018 (…) foi um escândalo descoberto agora, em 2025.

Houve uma falha sistêmica do Estado, não desse governo, mas Estado brasileiro como um todo, ao longo de vários governos e cabe agora a mim agora organizar esse Ministério, organizar o INSS, para que falhas como essa nunca mais aconteçam. O que aconteceu foi muito duro, foi uma lição muito dura, e dessa lição a gente quer deixar um legado de integridade, que nos permita ter mais segurança para que isso nunca mais volte a acontecer.

Mas voltará a acontecer um dia, não sabemos, esperamos que não, mas os mecanismos de ataque são sempre revisados. Assim, a criatividade e a eficiência dos servidores, precisa acompanhar a do crime. É algo que nunca acaba, então precisamos ter sempre os mecanismos sendo revisado, é o que estamos fazendo com base agora.

Tudo que foi detectado, tudo que foi possível detectar e tudo que foi identificado como fragilidade estamos trabalhando para que nunca mais aconteça.

Hoje, todas as associações que têm acordo de cooperação técnica com o INSS estão suspensas. São 41 e todas estão em investigação da PF e da CGU. Os descontos associativos estão todos cancelados, não tem nenhum acontecendo, de nenhum valor, de nenhuma associação, e isso já nos dá uma tranquilidade.

Depois de apuradas as responsabilidades vamos saber quem é íntegro, quem é probo e quem é picareta nessas associações e vamos apresentar formalmente para a sociedade, para a imprensa, para o parlamento e ao conjunto do próprio governo, e só depois disso que decidiremos, se vale, ou não, manter a possibilidade do desconto em folha.

Mesmo que os desvios no INSS não tenham começado nesse governo, ela se agravou na atual gestão, o que acaba tendo um custo político e faz o senhor ser cobrado, não?

Assumimos depois da deflagração da operação Sem Desconto, no meio da crise, o ex-ministro Lupi pediu exoneração do cargo e eu fui escalado para fazer parte da solução do problema. Entrei consciente do tamanho do desafio, da importância que tem para o governo esse assunto. É algo que mobilizou boa parte dos ministros para poder reagir e resolver de forma rápida.

Tem uma agenda muito rápida que o governo executou, agora, pouco mais de três meses após a operação, tivemos avanços e já falamos no ressarcimento do dinheiro do aposentado pensionista que foi indevidamente descontado. Acho que agimos rápido, o fizemos o dever de casa. Os ministros se reuniram muito mais vezes em torno desse assunto do que a imprensa tomou conhecimento, nos primeiros 45 dias eram reuniões diárias. Foram longas reuniões todos os dias no Palácio (do Planalto), na Casa Civil, com o núcleo duro do governo trabalhando incansavelmente para reverter a situação e poder preservar o aposentado pensionista.

A primeira missão que recebi do presidente, logo que assumi o Ministério, do dia que fui empossado, aliás foi no mesmo dia em que fui convidado, fui nomeado e empossado. Em 15 minutos ele (o presidente Lula) me disse: ‘Olha, você tem três tarefas aí, por favor, vá às últimas consequências para encontrar quem foi que fez a fraude para a gente punir quem fez isso’.

Lógico que a punição não é por minha conta, mas nós temos que identificar quem foram os fraudadores e cuidar dos aposentados. Não vamos deixar nenhum aposentado no prejuízo. Foi com essa tarefa que eu assumi.

Obviamente é uma tarefa que acontece, simultaneamente, com outra, que é a gestão do Ministério. Não adianta cuidar só do ressarcimento, tem que cuidar da fila, tem que cuidar dos peritos, tem que cuidar da estrutura do INSS, tem que cuidar do atendimento. Então são coisas que andam juntas. Mas temos trabalhado muito e temos tido bons resultados.

O senhor era o secretário executivo no Ministério na gestão do ex-ministro Carlos Lupi, então o senhor já conhecia o desafio?

O secretário executivo é a figura que substitui o ministro, é o vice-ministro, digamos assim, mas tem um trabalho mais burocrático. Então meu papel era restrito a burocracia do Ministério, não tinha uma visão mais ampla, essa é uma visão do ministro, o que estou tendo hoje.  Mas claro que foi importante já estar no Ministério nesses primeiros dois anos e meio, porque era um ambiente que eu já conhecia e posso dizer que sou um apaixonado pelo tema da Previdência Social. Era um assunto que eu discuti quando ele estava no parlamento. Não era um assunto que eu era um conhecedor, estudioso, ou expert, mas estou me tornando um com o passar do tempo.

O senhor controla o maior orçamento da esplanada, mais de um trilhão de reais por ano…

A importância não é pelo volume, é a importância social do Ministério. O Ministério da Previdência Social tem mais de 100 anos e é espelho para muitos países do mundo. Injeta hoje na economia do Brasil mais de um trilhão de reais por ano. Dividindo isso pelos 12 meses, dá cerca de R$ 77, 78 bilhões ao mês. Em 65% das cidades do país, a maior injeção de recursos é da Previdência em benefícios pagos pelo INSS. Nos outros 35%, somos a segundo principal fonte de recursos, perdendo apenas para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), é o maior programa distribuição de renda do planeta.

Debaixo desse guarda chuva temos 100 milhões de pessoas, equivalente a duas Argentinas. Cerca de 41 milhões de beneficiários que recebem aposentadorias, pensões ou benefícios hoje e 60 milhões que contribuem para um dia se aposentar. É um sistema realmente apaixonante e mexemos com a vida de tanta gente, então a responsabilidade também é muito grande.

Com todo esse aparato, o que já foi descoberto?

Isso é uma tarefa da investigação, Deus me livre colocar suspeitas sobre quem quer que seja, já existe uma investigação sobre isso, mas quero destacar que onde tem um trilhão de reais, muita gente quer meter a mão. Hoje tivemos uma operação deflagrada no Rio de Janeiro contra uma organização que, segundo a Polícia Federal e o setor de inteligência do Ministério, tem um nível sofisticado, que criavam, artificialmente, benefícios no sistema do INSS. Só nos últimos seis meses foram detectados 415 benefícios, ou seja, R$ 1milhão, em um ano e meio, mas já se sabe que (o esquema) é muito mais antigo então o valor é muito maior. Já se identificou que o roubo pode ter chegado a 30 milhões em prejuízo causado ao erário.

Veja a entrevista completa com Wolney Queiroz:

Veja a entrevista completa com o ministro do INSS, Wolney Queiroz – Vídeo: ND Mais

Fonte: ND Mais

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