Crítico contundente de Bolsonaro, Wagner Moura causou polêmica ao chamar ex-presidente de "fascista" no Globo de Ouro
Wagner Moura agradece Bolsonaro por ‘O Agente Secreto’ e diz que filme nasceu da ‘perplexidade’ com o governo deleFoto: Reprodução/X/Agência Brasil/ND
Em entrevista ao The Daily Show, nos Estados Unidos, o ator Wagner Moura comentou o contexto político do Brasil e sua relação com o filme “O Agente Secreto” na sexta-feira (16).
Crítico de Jair Bolsonaro (PL), Moura “agradeceu” o ex-presidente: “O filme tem recebido um grande reconhecimento desde o Festival de Cannes. E em um dos prêmios que recebi, eu agradecia a ele (Bolsonaro). Sem ele, não teríamos feito o filme”.
“O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e Kleber Mendonça Filho diante do que estava acontecendo no Brasil entre 2018 e 2022. Este homem, que foi eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil do século XXI”, declarou o ator.
Brasileiro venceu o Globo de Ouro pelo papel de um professor perseguido em Recife durante a ditadura militarFoto: Vitrine Filmes/Divulgação/ND Mais
Wagner Moura venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama pelo papel principal em “O Agente Secreto”, que levou a estatueta de Melhor Filme em Língua Não Inglesa.
Ambientado em Recife, em 1977, o filme dirigido por Kleber Mendonça Filho retrata a história de um professor universitário que tenta fugir da perseguição durante a ditadura militar.
Durante a participação no talk show do apresentador Jordan Klepper, Wagner Moura também criticou a Lei da Anistia de 1979 ao falar sobre a ditadura militar no Brasil.
“Existem coisas que não podem ser esquecidas e nem perdoadas. O Brasil está, finalmente, superando um problema de memória ao mandar para prisão pela primeira vez pessoas que atentaram contra a democracia”, defendeu.
“O próprio Bolsonaro está na prisão. O Bolsonaro jamais teria existido politicamente se não fosse a anistia”, acrescentou Moura.
Wagner Moura chama Bolsonaro de ‘fascista’ após ganhar o Globo de OuroVídeo: @SamPancher/X/ND
O ator brasileiro já havia provocado polêmica ao chamar Bolsonaro de “fascista” na cerimônia do Globo de Ouro, em 11 de janeiro.
“Eu acho que temos que continuar fazendo filmes sobre a ditadura. A ditadura ainda é uma cicatriz aberta na vida brasileira. Aconteceu há 50 anos apenas. De 2018 a 2022, tivemos um presidente de extrema-direita, fascista, no Brasil, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura. Então a ditadura ainda é muito presente no cotidiano brasileiro”, disse Wagner Moura.
A declaração inflamou a direita, sobretudo de aliados de Bolsonaro. Mário Frias, deputado e ex-ministro da Cultura, afirmou que o ator “finge-se de revolucionário usando o nome do Brasil no exterior apenas para autopromoção”.
Com informações do Estadão Conteúdo
Fonte: ND Mais