Decisão do TST reconhece violações contra 300 trabalhadores em fazenda da empresa entre 1974 e 1986; empresa alemã afirma que recorrerá
Volkswagen teria submetido trabalhadores ao trabalho análogo à escravidão entre 1974 e 1986 – Foto: Reprodução/ND
A fabricante alemã de veículos Volkswagen foi condenada pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho) a pagar R$ 165 milhões por danos morais coletivos devido à prática de trabalho análogo à escravidão.
A decisão de sexta-feira (29) aponta que, entre 1974 e 1986, trabalhadores de uma fazenda da empresa na Amazônia, utilizada para pecuária e extração de madeira, foram submetidos a condições degradantes.
Proprietária da área citada por meio de uma subsidiária, a montadora comunicou que recorrerá da decisão e afirmou que “defende consistentemente os princípios da dignidade humana e cumpre rigorosamente todas as leis e regulamentos trabalhistas aplicáveis”.
Trabalhadores eram forçados a desmatar e preparar pastagem na Amazônia – Foto: Divulgação/ND
As investigações contra a empresa começaram em 2019, quando o MPT (Ministério Público do Trabalho) recebeu informações e documentos de um padre da região da Fazenda Vale do Rio Cristalino, local onde o crime teria ocorrido.
O líder religioso acompanhava a situação há décadas e, com a apuração e coleta de depoimentos, os promotores denunciaram a empresa alemã em 2024. Segundo eles, trata-se da maior reparação desse tipo no país.
Volkswagen condenada: empresa é uma das principais fabricantes de automóveis do mundo – Foto: Divulgação/Comunicação Volkswagen do Brasil
Os autos da investigação apontam que cerca de 300 trabalhadores foram contratados de forma irregular para desmatar a floresta e preparar pastagens para a pecuária.
Eles eram vigiados por guardas armados, viviam em alojamentos precários, recebiam alimentação insuficiente e permaneciam na fazenda sob servidão por dívidas.
Fonte: ND Mais