• 10 de agosto de 2026

Tornado em Piraí do Sul destrói 20 casas e eleva para 10 os registros no Paraná em 2026

Fenômeno atingiu comunidades da área rural neste sábado (8).

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Foto: Reprodução

Um tornado confirmado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) atingiu Piraí do Sul, nos Campos Gerais, na tarde deste sábado (8). O fenômeno provocou danos em 20 residências e deixou moradores desalojados na área rural do município.

Com a confirmação do caso, o Paraná chega a dez tornados registrados somente em 2026. Além disso, outro fenômeno permanece em análise pelo Simepar e ainda poderá elevar esse número.

A ocorrência mobilizou equipes da Defesa Civil do Paraná durante a manhã deste domingo (9). Paralelamente, técnicos do Simepar foram até a região afetada para avaliar os estragos e reunir informações que ajudam na análise do fenômeno.

Comunidades rurais concentram os principais estragos

A área atingida fica aproximadamente 30 quilômetros do centro de Piraí do Sul. Os danos foram registrados nas comunidades de Capinzal, Jararaca e Fundão, além do bairro Santo André.

De acordo com o boletim divulgado pela Defesa Civil, 20 residências foram afetadas pela passagem do tornado. O levantamento também apontou que 20 pessoas precisaram deixar temporariamente suas casas.

Os moradores desalojados foram acolhidos por familiares. Apesar dos prejuízos provocados pelo fenômeno, não houve registro de mortes ou pessoas feridas na ocorrência.

Logo após o tornado, as equipes distribuíram lonas para auxiliar na proteção das estruturas que tiveram telhados danificados. Dessa forma, os moradores puderam reduzir a exposição das casas às condições meteorológicas.

Forças-tarefa trabalham para liberar acessos

A resposta ao desastre foi organizada a partir de um Posto de Comando instalado no quartel da Brigada Comunitária de Piraí do Sul.

Enquanto equipes realizavam os atendimentos às famílias, trabalhadores da prefeitura atuavam na recuperação dos acessos às comunidades afetadas.

Máquinas foram utilizadas para retirar árvores, galhos e outros obstáculos que ficaram espalhados pelas estradas e trechos de rodovia.

Ao mesmo tempo, técnicos do Simepar realizavam o levantamento dos danos. A avaliação em campo contribui para confirmar as características do tornado e dimensionar a intensidade do fenômeno.

Paraná registra sequência de tornados em 2026

O tornado de Piraí do Sul se soma a uma sequência de ocorrências registradas no Paraná ao longo deste ano.

Somente entre os dias 28 e 30 de junho, seis tornados foram confirmados pelo Simepar. As análises utilizaram informações obtidas em campo, imagens de drones e satélites, além de dados de radar.

Naquele período, os fenômenos foram identificados em Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul, Cruz Machado e Reserva.

Em 28 de junho, Reserva registrou um tornado classificado como F2, com potencial para provocar danos consideráveis. No mesmo dia, Nova Cantu teve um fenômeno classificado como F1, associado a danos moderados.

Dois dias depois, em 30 de junho, tornados F1 foram confirmados em Turvo, Laranjeiras do Sul e Inácio Martins. Um segundo fenômeno atingiu Inácio Martins e avançou em direção a Cruz Machado, mas não recebeu classificação devido à ausência de danos registrados.

Antes desses episódios, outros três tornados já haviam sido identificados no Paraná. Os registros ocorreram em Mercedes e São José dos Pinhais, em janeiro, e em Foz do Iguaçu, em fevereiro.

Cidades com registros de tornados no Paraná em 2026

  • Turvo
  • Inácio Martins
  • Nova Cantu
  • Laranjeiras do Sul
  • Cruz Machado
  • Reserva
  • Mercedes
  • São José dos Pinhais
  • Foz do Iguaçu
  • Piraí do Sul

Sul do Brasil está entre as áreas mais favoráveis

A ocorrência de tornados não se restringe ao Paraná. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e outras áreas do Sul do Brasil também estão em uma região considerada altamente favorável à formação desses fenômenos.

Segundo especialistas, o Sul brasileiro, juntamente com o Paraguai, o nordeste da Argentina e o Uruguai, forma a segunda região do planeta com maior propensão para tornados.

A principal área de ocorrência fica no Meio-Oeste dos Estados Unidos. Aproximadamente 80% das formações observadas no mundo são registradas naquela região.

O consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Francisco Mendonça, explicou que o Paraná está inserido em uma área de ocorrência de ventos extremos.

“O Paraná está em uma área geográfica de ocorrência de ventos extremos, sobretudo ao longo das calhas dos rios Iguaçu e Paraná, além da foz, no Oeste do Paraná, Oeste Catarinense, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul”, explica Mendonça que é geógrafo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Conforme o especialista, as características geográficas dessas áreas favorecem a circulação intensa dos ventos. Regiões mais planas e extensas permitem que as massas de ar se movimentem com maior velocidade.

“Já, os tornados são muito menores e atuam em pequenas localidades, como este que ocorreu em São José dos Pinhais. O fator mais expressivo que leva a entender ou acreditar que aumentou este tipo de fenômeno no Paraná tem a ver com relações climáticas e meteorológicas globais,” afirma Mendonça.

Temperatura dos oceanos pode influenciar fenômenos extremos

O especialista também relaciona o cenário atual às condições de temperatura dos oceanos.

Segundo Mendonça, 2025 registrou uma elevação expressiva na temperatura das águas oceânicas. Além disso, Pacífico e Atlântico Sul não apresentaram o resfriamento esperado na transição para 2026.

“A gente está num momento ainda de dias muito quentes e a água marinha ainda está muito aquecida. O que faz com que aumente a disponibilidade de energia na atmosfera e os ventos circulem cada vez mais velozes, formando ciclones e tornados”, explica.

O Paraná também enfrentou uma ocorrência de grande proporção no fim de 2025. Em novembro, um tornado F4 atingiu Rio Bonito do Iguaçu e provocou destruição generalizada.

Na ocasião, os ventos foram estimados em até 400 km/h. Seis pessoas morreram em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava. Mais de 800 pessoas ficaram feridas.

Monitoramento ajuda a reduzir riscos

Apesar dos registros históricos de tornados no Brasil, as pesquisas sobre esses fenômenos ganharam força principalmente a partir dos anos 2000.

Ernani Nascimento, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), destaca a evolução dos estudos e do monitoramento.

“Até cerca de 30 anos, havia trabalhos isolados, como os da professora Maria Assunção Faus da Silva Dias, da USP, uma das pioneiras na documentação de tornados no Brasil”, afirma Nascimento.

O primeiro registro fotográfico conhecido de um tornado no Brasil ocorreu em 1975. A imagem foi feita pela Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e mostra uma formação em formato de funil durante uma tempestade.

Com o avanço das pesquisas, especialistas passaram a contar com ferramentas mais precisas para identificar e analisar os fenômenos. Dados de radar, satélites, drones e levantamentos em campo contribuem para o monitoramento.

Esse conhecimento também pode auxiliar na elaboração de estratégias de prevenção e na adoção de medidas capazes de diminuir os impactos sobre a população.

A influência do El Niño também é acompanhada pelos pesquisadores. O fenômeno provoca o aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico e pode contribuir para mudanças nas condições atmosféricas do Sul do Brasil.

Rachel Albrecht resume esse efeito ao afirmar que o El Niño “coloca mais combustível na atmosfera”.

“Estamos assistindo a um aumento do número de tempestades severas. Se isso é consequência do El Niño, só saberemos mais para a frente, mas é provável que sim. Os anos de El Niño são mais ou menos um prenúncio de como será a mudança climática”.

O que é um tornado?

Tornados são colunas de ar em rotação que se estendem de uma nuvem de tempestade até a superfície terrestre. Esses fenômenos costumam apresentar duração curta, mas podem provocar destruição significativa.

A intensidade é determinada principalmente pelos danos observados em construções, árvores e outras estruturas.

A classificação tradicional utiliza a Escala Fujita, desenvolvida para estimar a força dos tornados conforme os estragos provocados.

  • F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h — danos leves;
  • F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h — danos moderados;
  • F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h — danos consideráveis;
  • F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h — danos severos;
  • F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h — danos devastadores.

Fonte: RBV

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