Estados Unidos são o principal destino das exportações de Santa Catarina e tarifa de 10% para o Brasil pode abrir vantagem sobre os demais países
O Brasil ficou com uma das menores taxas no “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (2). A tributação de 10% pode beneficiar os produtos brasileiros em relação aos concorrentes, taxados em até 49%.
A indústria catarinense vê o anúncio das tarifas de Trump com bons olhos. Segundo o presidente da FIESC (Federação das Indústrias de Santa Catarina), Mario Cezar de Aguiar, a menor taxa promete tornar as exportações mais competitivas nos Estados Unidos.
“A análise inicial do pacote tarifário do presidente Trump é de que Santa Catarina poderá ampliar embarques aos Estados Unidos, já que concorrentes da nossa indústria no mercado internacional passarão a pagar taxas maiores para entrar no mercado norte-americano”, avalia.
Os Estados Unidos são o segundo parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações catarinenses. Em 2024, Santa Catarina exportou US$ 1,74 bilhão (cerca de R$ 9,99 bilhões) ao país. Conforme a FIESC, a maioria dos embarques são itens manufaturados, como produtos de madeira, motores elétricos, partes de motor e cerâmica.
Mesmo no cenário de uma guerra comercial, Brasil e Santa Catarina devem sair na frente. Isso porque os países tendem a adotar medidas de reciprocidade às tarifas de Trump, abrindo espaço no mercado asiático e europeu.
“Com isso, os produtos brasileiros passam a ser mais competitivos que os norte-americanos nesses mercados, gerando uma oportunidade complementar ao Brasil”, afirma o presidente da FIESC.
O Brasil pode estreitar ainda mais as relações com a China, que já é seu principal parceiro comercial. Os produtos chineses serão taxados em 34% nos Estados Unidos, conforme a tabela das tarifas de Trump.
As retaliações ao “tarifaço” também devem destravar o acordo de livre comércio negociado há 25 anos entre Mercosul e União Europeia. O acordo foi fechado em dezembro de 2024, mas ainda não foi implementado.
Apesar da perspectiva inicial positiva, Mario Cezar Aguiar considera que será preciso negociar com o governo estadunidense e acompanhar as mudanças de cenário desencadeadas pelas tarifas de Trump.
“O governo brasileiro deve estabelecer os canais necessários com o dos Estados Unidos para defender os interesses do país e, em paralelo, o setor privado brasileiro deve fortalecer a interlocução com seus clientes”, afirma o presidente da FIESC.
Fonte: ND Mais