• 18 de março de 2026

SC já parou 5 vezes: relembre outras greves dos caminhoneiros e o que pode acontecer agora

De 2012 a 2022, o estado enfrentou bloqueios motivados por preços de combustíveis e pautas políticas; relembre os episódios que pararam rodovias e afetaram a economia catarinense

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Paralisação dos caminhoneiros foi aprovada nesta terça-feira (17) por lideranças de diversos estados após sucessivas altas no preço do óleo dieselFoto: Valter Campanato/Agência Brasil/ND Mais

A movimentação para uma possível nova greve dos caminhoneiros nacional recoloca em evidência as reivindicações do setor em Santa Catarina. Desde 2012, a categoria realizou ao menos cinco paralisações, motivadas por diferentes pautas.

Com forte dependência do transporte rodoviário para o escoamento da produção agrícola e industrial, Santa Catarina tende a sentir de forma mais intensa os efeitos de uma eventual paralisação.

Na maior parte dos episódios, o aumento do preço do diesel aparece como principal fator de mobilização. Em paralisações mais recentes, no entanto, também houve predominância de motivações político-partidárias.

Histórico da greve dos caminhoneiros em SC

Greve dos caminhoneiros de 2012

Em 28 de julho de 2012, a classe começou os protestos em Santa Catarina com bloqueios na BR-282, na região de Maravilha, no Oeste. As principais reivindicações da época já eram o preço do diesel, além da falta de segurança nas estradas, o valor dos pedágios e a tabela de fretes.

Outros bloqueios foram registrados na região de Palmitos e na BR-116, em Lages. Os pontos de manifestações foram esvaziados poucos dias depois, após uma reunião do Ministério dos Transportes em 31 de julho de 2012. Apesar do pouco tempo, fábricas e produtores foram duramente afetados.

Greve de 2015

Greve de 2015 afetou 14 trechos de rodovias em Santa CatarinaGreve de 2015 afetou 14 trechos de rodovias em Santa CatarinaFoto: Rosane Lima/Arquivo/ND Mais

Em 18 de fevereiro de 2015, uma greve de grandes proporções afetou Santa Catarina. Motivada pela alta dos combustíveis, pedágios, tributos e queda no preço do frete, a paralisação bloqueou pelo menos 14 trechos de rodovias no Estado, incluindo as BRs 470, 282, 163, 158, 153 e 116.

O movimento causou desabastecimento, deixando 20% dos postos do Oeste sem gasolina, e gerou prejuízos para agroindústrias e produtores de leite. Após novas manifestações em abril e novembro do mesmo ano, a categoria seguiu pressionando por melhor remuneração.

Greve de 2018

Greve dos caminhoneiros de 2018 reuniu apoio popular em diversas cidades de Santa CatarinaGreve dos caminhoneiros de 2018 reuniu apoio popular em diversas cidades de Santa Catarina Foto: Marco Santiago/ND

Considerada uma das maiores mobilizações da história do Brasil, a greve de maio de 2018 durou 10 dias (de 21 a 30 de maio). O protesto contra o aumento do diesel resultou em desabastecimento generalizado de alimentos e insumos.

Em Santa Catarina, a paralisação registrou mais de 40 pontos de bloqueio nas BRs 101 e 470. Ao atingir o 7º dia, a mobilização impactou 20 mil propriedades rurais e 20 indústrias, especialmente no Grande Oeste.

O governo estadual, à época, afirmou que a situação havia atingido o limite devido aos prejuízos e à afronta à população.

Greve de 2021

Paralisação de 2021 também teve forte apoio políticoParalisação de 2021 também teve forte apoio político Foto: carlos_juniorfotografia/Instagram/ND

Em setembro de 2021, Santa Catarina registrou bloqueios parciais em rodovias como a BR-280, em Canoinhas.

As manifestações ocorreram às vésperas do 7 de Setembro e uniram reivindicações da categoria, como o preço do diesel e do frete, a pautas de cunho social e político, gerando preocupação com possíveis impactos na logística estadual durante o período de feriado nacional.

Protestos de 2022

Protestos de 2022 tiveram cunho político após derrota de Jair Bolsonaro nas urnasProtestos de 2022 tiveram cunho político após derrota de Jair Bolsonaro nas urnasFoto: Décio Batista/Divulgação/ND

Diferente das mobilizações anteriores focadas em custos operacionais, os bloqueios de outubro e novembro de 2022 tiveram motivação política após o resultado das eleições presidenciais.

Apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro realizaram bloqueios em diversos pontos de Santa Catarina para contestar o resultado eleitoral. As ações foram articuladas em redes sociais e contaram com suporte logístico em diversos pontos das rodovias federais catarinenses, gerando novos impasses no fluxo de cargas e veículos.

Uma nova em 2026?

A greve dos caminhoneiros em Santa Catarina deve começar oficialmente nesta quinta-feira (19), a partir das 12h. Segundo o presidente do Sinditac (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres em Geral de Navegantes), Vanderlei de Oliveira, a paralisação deve durar até que o Governo Federal faça um reajuste no piso nacional do frete.

O principal estopim é o valor do combustível. O diesel acumulou uma alta de 18,86% desde o final de fevereiro, impulsionado pela instabilidade no mercado global de petróleo devido aos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Em nota, a Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina) alegou que a paralisação pode causar impactos diretos no abastecimento, na produção e no custo de vida da população.

Quem está no movimento e como será?

A greve dos caminhoneiros 2026 promete ser abrangente, unindo diferentes setores do transporte:

  • Atores envolvidos: caminhoneiros autônomos, motoristas contratados por transportadoras e motoristas de aplicativo.
  • Entidades: o movimento é liderado pela Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) e conta com o apoio da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística).
  • Formato: Wallace Landim, o “Chorão”, presidente da Abrava, afirmou que a orientação é evitar bloqueios de rodovias para não gerar multas. A recomendação é que os motoristas fiquem parados em postos de combustíveis ou em suas casas.

Fonte: ND Mais

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