De 2012 a 2022, o estado enfrentou bloqueios motivados por preços de combustíveis e pautas políticas; relembre os episódios que pararam rodovias e afetaram a economia catarinense
Paralisação dos caminhoneiros foi aprovada nesta terça-feira (17) por lideranças de diversos estados após sucessivas altas no preço do óleo dieselFoto: Valter Campanato/Agência Brasil/ND Mais
A movimentação para uma possível nova greve dos caminhoneiros nacional recoloca em evidência as reivindicações do setor em Santa Catarina. Desde 2012, a categoria realizou ao menos cinco paralisações, motivadas por diferentes pautas.
Com forte dependência do transporte rodoviário para o escoamento da produção agrícola e industrial, Santa Catarina tende a sentir de forma mais intensa os efeitos de uma eventual paralisação.
Na maior parte dos episódios, o aumento do preço do diesel aparece como principal fator de mobilização. Em paralisações mais recentes, no entanto, também houve predominância de motivações político-partidárias.
Em 28 de julho de 2012, a classe começou os protestos em Santa Catarina com bloqueios na BR-282, na região de Maravilha, no Oeste. As principais reivindicações da época já eram o preço do diesel, além da falta de segurança nas estradas, o valor dos pedágios e a tabela de fretes.
Outros bloqueios foram registrados na região de Palmitos e na BR-116, em Lages. Os pontos de manifestações foram esvaziados poucos dias depois, após uma reunião do Ministério dos Transportes em 31 de julho de 2012. Apesar do pouco tempo, fábricas e produtores foram duramente afetados.
Greve de 2015 afetou 14 trechos de rodovias em Santa CatarinaFoto: Rosane Lima/Arquivo/ND Mais
Em 18 de fevereiro de 2015, uma greve de grandes proporções afetou Santa Catarina. Motivada pela alta dos combustíveis, pedágios, tributos e queda no preço do frete, a paralisação bloqueou pelo menos 14 trechos de rodovias no Estado, incluindo as BRs 470, 282, 163, 158, 153 e 116.
O movimento causou desabastecimento, deixando 20% dos postos do Oeste sem gasolina, e gerou prejuízos para agroindústrias e produtores de leite. Após novas manifestações em abril e novembro do mesmo ano, a categoria seguiu pressionando por melhor remuneração.
Greve dos caminhoneiros de 2018 reuniu apoio popular em diversas cidades de Santa Catarina Foto: Marco Santiago/ND
Considerada uma das maiores mobilizações da história do Brasil, a greve de maio de 2018 durou 10 dias (de 21 a 30 de maio). O protesto contra o aumento do diesel resultou em desabastecimento generalizado de alimentos e insumos.
Em Santa Catarina, a paralisação registrou mais de 40 pontos de bloqueio nas BRs 101 e 470. Ao atingir o 7º dia, a mobilização impactou 20 mil propriedades rurais e 20 indústrias, especialmente no Grande Oeste.
O governo estadual, à época, afirmou que a situação havia atingido o limite devido aos prejuízos e à afronta à população.
Paralisação de 2021 também teve forte apoio político Foto: carlos_juniorfotografia/Instagram/ND
Em setembro de 2021, Santa Catarina registrou bloqueios parciais em rodovias como a BR-280, em Canoinhas.
As manifestações ocorreram às vésperas do 7 de Setembro e uniram reivindicações da categoria, como o preço do diesel e do frete, a pautas de cunho social e político, gerando preocupação com possíveis impactos na logística estadual durante o período de feriado nacional.
Protestos de 2022 tiveram cunho político após derrota de Jair Bolsonaro nas urnasFoto: Décio Batista/Divulgação/ND
Diferente das mobilizações anteriores focadas em custos operacionais, os bloqueios de outubro e novembro de 2022 tiveram motivação política após o resultado das eleições presidenciais.
Apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro realizaram bloqueios em diversos pontos de Santa Catarina para contestar o resultado eleitoral. As ações foram articuladas em redes sociais e contaram com suporte logístico em diversos pontos das rodovias federais catarinenses, gerando novos impasses no fluxo de cargas e veículos.
A greve dos caminhoneiros em Santa Catarina deve começar oficialmente nesta quinta-feira (19), a partir das 12h. Segundo o presidente do Sinditac (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres em Geral de Navegantes), Vanderlei de Oliveira, a paralisação deve durar até que o Governo Federal faça um reajuste no piso nacional do frete.
O principal estopim é o valor do combustível. O diesel acumulou uma alta de 18,86% desde o final de fevereiro, impulsionado pela instabilidade no mercado global de petróleo devido aos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Em nota, a Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina) alegou que a paralisação pode causar impactos diretos no abastecimento, na produção e no custo de vida da população.
A greve dos caminhoneiros 2026 promete ser abrangente, unindo diferentes setores do transporte:
Fonte: ND Mais