Santa Catarina acende alerta após registrar 518 casos de dengue e uma pessoa morreu até o dia 5 de março. Em comparação ao mesmo período de 2021, houve um aumento de 10,2%.
De acordo com a Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), a maior incidência de casos ocorre em municípios da região Oeste, que concentra cerca de 87% dos autóctones de todo o estado.
Dos 518 casos confirmados, 450 foram pelo critério laboratorial e 68 clínico epidemiológico. Os positivados fazem parte dos 3.231 notificados ao longo de 2022 em Santa Catarina.
Entre eles, 1.276 foram descartados por apresentarem resultado negativo e 1.428 estão sob investigação pelo municípios.
No total, 119 municípios catarinenses estão infestados pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor de três doenças: dengue, zika vírus e chikungunya.
Ainda conforme a alerta do governo estadual, outro dado preocupante é que 26 municípios registram transmissão de dengue, sendo que quatro estão em situação de epidemia, ou seja, registram uma taxa de incidência de mais de 300 casos da doença por 100 mil habitantes. Veja quais:
–Seara;
-Belmonte;
-Romelândia;
-Itá.
O município de Belmonte, no Extremo-Oeste, apresenta o maior número de casos autóctones (110) no estado, o que representa 26,6% do total de casos no ano de 2022, e a taxa de incidência é de 4.056,0 casos por 100 mil/hab.
Seara também está em epidemia de dengue com 79 casos autóctones e a taxa de incidência de 448,6 por 100 mil/hab.
Romelândia tem 48 casos e a taxa de incidência de 1.047,1. Para finalizar, Itá registrou 19 casos e a taxa de incidência de 311,9 casos por 100 mil/hab
“Para saber o risco de transmissão da dengue, olhamos para a quantidade de municípios infestados. Isso nos indica onde está o mosquito e, atualmente, ele está disseminado pelo estado. Ele não vem de fora”, alerta João Augusto Brancher Fuck, diretor da Dive/SC.
A única morte registrada até o dia 5 de março foi de um homem, de 40 anos, do município de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, com história de deslocamento para municípios considerados com transmissão de dengue em São Paulo. Sendo assim, o caso é considerado importado.
De acordo com o governo estadual, a prevenção da dengue depende de uma ação conjunta entre o poder público e a população.
“Manter os cuidados básicos, ou seja, eliminar os locais que possam acumular água ainda é a melhor maneira de prevenir as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Descartar corretamente o lixo, manter piscinas e calhas limpas, não acumular entulho, são atitudes que precisam virar rotina. Não esquecer também os objetos maiores, como as caixas d’água, que precisam ser tampadas”, relembra Ivânia Folster, gerente de zoonoses da Dive/SC.
Conforme João Fuck, uma equipe da diretoria está há duas semanas na região Oeste prestando apoio técnico aos municípios, ajudando na identificação das áreas de transmissão e com forças-tarefa em busca de eliminar os criadouros do mosquito.
Além disso, representantes da SES (Secretaria de Estado da Saúde) estarão em Chapecó, no Oeste do Estado, na próxima quarta-feira (23), para realizar reunião com os secretários municipais de saúde e com os técnicos das vigilâncias epidemiológicas e ambiental das cidades do Alto Uruguai, Extremo-Oeste, Oeste e Xanxerê com o objetivo de analisar o cenário epidemiológico e elencar ações a serem realizadas para preveção da doença.
A primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40°C) de início abrupto, que tem duração de dois a sete dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos.
Assim como manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.
“As pessoas que apresentarem os sintomas da doença devem procurar atendimento em um serviço de saúde. Da mesma forma, a rede de assistência precisa estar alerta para identificar essas suspeitas, realizando o manejo clínico conforme a indicação do fluxograma de classificação de risco e manejo dos pacientes. A condução oportuna dos casos suspeitos permite evitar o agravamento do quadro e inclusive a evolução para o óbito”, salienta o diretor.
Fonte: Rádio Videira