Declarações de Trump referentes à indústria petrolífera venezuelana movimentam bolsas de valores e deixam incógnitas sobre o valor de combustíveis a médio e longo prazo
Crise na Venezuela pode impactar direta e indiretamente no valor da gasolina a médio e longo prazoFoto: Unplash/ND
Com a crise na Venezuela intensificada pelo sequestro de Nicolás Maduro, declarações de Donald Trump demonstrando interesse em intervir na indústria venezuelana de petróleo e variações no preço dos barris da commodity, os preços de produtos feitos a partir do petróleo — como a gasolina — podem sofrer com alterações pontuais durante este período de instabilidade.
Após a captura de Maduro, a Petrobrás sofreu uma ligeira queda na bolsa de valores, que pode ser explicada pela possibilidade do aumento de concorrentes no setor petrolífero caso o mercado de petróleo da Venezuela passe a operar sob controle dos Estados Unidos. A Chevron, única petroleira estadunidense que opera na Venezuela, teve um crescimento de 10% após as declarações de Trump referentes ao petróleo do país.
Nicolás Maduro está em solo norte-americano após os ataques dos EUA à Venezuela na manhã deste sábado (3)Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND Mais
Governos do Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha declararam, em nota, “preocupação diante de qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, o que se mostra incompatível com o direito internacional e ameaça a estabilidade política, econômica e social da região”.
Não é a primeira vez que a crise na Venezuela ameaça o setor de combustíveis brasileiro. Ainda em 2019, o ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a declarar preocupação com o preço do petróleo devido aos embargos sofridos pelo país vizinho.
Apesar da Venezuela deter a maior reserva de petróleo do mundo, ela representa pouco menos de 1% de toda a produção de petróleo ao redor do globo. Vale ressaltar que o petróleo disponível no território venezuelano é mais pesado e ácido, o que exige maior esforço e investimento para refinação e produção da commodity, o que pode impactar diretamente no preço do combustível a médio e longo prazo.
Outro exemplo recente de preocupação ao redor do globo envolvendo petróleo é a guerra entre Rússia e Ucrânia. O conflito desencadeou em uma crise de combustível no continente europeu, que além de sofrer com o medo da escassez no abastecimento de gás natural durante o inverno da região, também enfrenta variações no preço da gasolina.
Fonte: ND Mais