Proposta revisa dosimetria, progressão e soma de delitos e pode afetar sentenças dos envolvidos nos ataques do 8 de janeiro
Após aprovação na Câmara, PL da Dosimetria segue para Senado e pode ser votado ainda em 2025Foto: Bruno Spada/Câmara/ND Mais
A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (9), o Projeto de Lei da Dosimetria, que revisa o cálculo das sentenças e pode alterar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos nos atos do 8 de Janeiro.
O relatório apresentado pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) propõe mudanças no Código Penal e na Lei de Execução Penal, com impacto direto sobre redução de penas e na progressão dos regimes.
A proposta tornou-se o principal foco do embate político no Congresso. O texto cria novos parâmetros para diferenciar papéis desempenhados durante os atos, limita a cumulação de delitos quando não houver liderança ou financiamento e estabelece regras para aplicação retroativa quando a nova lei resultar em benefício ao réu.
Conforme informações do R7, há sete pontos principais no projeto que estão relacionados com a alteração da sentença dos condenados no 8 de janeiro.
A proposta altera as regras gerais de dosimetria usadas por juízes para fixar penas mínima e máxima. A proposta aplica retroatividade favorável quando a nova lei trouxer benefício ao réu.
Cria-se um dispositivo específico para delitos cometidos em aglomerações. A pena poderá ser reduzida de um terço a dois terços quando o réu não tiver exercido papel de liderança, organização ou financiamento.
Prevê-se a aplicação do concurso formal próprio quando várias condutas ocorrerem dentro do mesmo contexto, evitando somatórias consideradas excessivas quando houver sobreposição de fatos.
A regra geral proposta é a progressão após 1/6 da pena cumprida no regime anterior, com exceções conforme tipo de crime e reincidência. O substitutivo fixa percentuais mínimos para determinados crimes violentos e hediondos, redefinindo requisitos para avanço a regime menos rigoroso.
O relatório explicita que a pena em regime domiciliar não impede a remição por estudo ou trabalho, buscando uniformizar decisões judiciais.
As mudanças ficam concentradas nos tipos penais do Título XII. Crimes contra a vida, patrimônio e delitos hediondos, quando houver gravidade qualificada, seguem regidos por regras mais rígidas.
A combinação das novas regras tende a reduzir penas de participantes sem papel de comando, sobretudo quando caracterizado “contexto de multidão”. Casos com liderança, financiamento ou crimes mais graves permanecem submetidos a pisos e percentuais específicos.
Em caso de aprovação no senado, a proposta possibilita que:
Com as mudanças propostas no Código Penal e na Lei de Execução Penal, a condenação de 27 anos do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado passaria para 2 anos e 4 meses, segundo cálculos do relator.
De acordo com o R7, a votação da última terça-feira (9) ocorreu sob pressão. Parlamentares alegam não ter tido acesso integral ao texto com antecedência e pedem transparência antes da deliberação em plenário.
Entenda o que é a PL da Dosimetria proposta pelo deputado Paulinho da ForçaFoto: Reprodução/Câmara dos Deputados
O relator reitera que não há anistia no texto. A base oposicionista, por sua vez, cobra garantias jurídicas quanto à retroatividade e à nova forma de cumulação.
Fonte: ND Mais