• 24 de julho de 2022

Pianista catarinense usa a música como ferramenta de inclusão e renascimento

Ciente do potencial da música e das artes como ferramentas de modificação social, de inclusão, igualdade, tolerância e sustentabilidade, o pianista catarinense Pablo Rossi, 33 anos, tem se desdobrado no desenvolvimento de projetos para espalhar sua convicção pelo mundo.

Hoje morando na Alemanha, Pablo vive entre o Brasil e a Europa. Ele chegou na sexta-feira a Londres, na Inglaterra, onde se prepara para participar na quinta-feira (28), na Embaixada Brasileira, de recital que integra a agenda oficial naquele país das comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil e os 100 da Semana de Arte Moderna de 1922, momento que revolucionou a arte brasileira.

Dias depois, em 7 de agosto, Pablo brinca que vai passar um pouco de calor na França, onde participa de recital no celebrado Festival de Piano La Roque D’Anthéron, comunidade de pouco mais de 5 mil habitantes localizada na região da Costa Azul, em homenagem ao grande pianista brasileiro Nelson Freire, morto no ano passado, e que era uma referência para o catarinense.

Depois, ele foge do calor da Europa e vem matar a saudade do Brasil. Se apresenta no dia 4 de setembro, no Teatro Municipal de São Paulo, e depois retorna a Londres, onde no dia 13 do mesmo mês tem outro recital agendado.

Pablo também se prepara para outro grande recital agendado para novembro. Trata-se do “Music of Changes”, um concerto na grande sala da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em Genebra, na Suíça.

“A missão do Brasil junto à ONU em Genebra promoverá um grande concerto para comemorar não só os 200 anos da Independência, mas também advogar em prol dessas importantes bandeiras mundiais”, destaca.

Envolvido na proposta de fazer música de maneira inovadora, Pablo acredita que a busca de públicos e espaços diferentes é forma de provocar as pessoas e incentivá-las a saírem de casa, em especial quando o mundo procura se recuperar da pandemia.

“Como hoje é muito mais fácil assistirmos grandes espetáculos no conforto de nossos lares, precisamos de muita criatividade e cabe aos artistas esta ‘provocação’, de oferecerem à sociedade esta mudança de maneira única”, frisa.

Para Pablo, o invólucro com que o artista apresenta a música pega o espectador de uma maneira que ele não tem como fugir da mensagem que se quer entregar.

Ele já vem praticando esta proposta, tanto que em recente turnê internacional se apresentou em palcos bem diferentes do que está acostumado.

Foram dois espetáculos memoráveis e ao ar livre em locais históricos na Sérvia, nas ruínas romanas do século 2 Félix Romuliana, patrimônio histórico protegido pela Unesco; e na Fortaleza de Golubac, esta patrimônio histórico da Sérvia, erguida no século 16. Também esteve na Bulgária, na abertura do Summer Academy in Sozopol.

As apresentações na Sérvia foram promovidas pela Fundação ArtLink explorando a dinâmica diferenciada proposta pelo artista.

O legado dos artistas atuais

Entre os sonhos do pianista está a formação de uma orquestra sinfônica catarinense de ponta baseada nos pilares conceituais que vem pregando, na expectativa de um mundo muito mais dinâmico, unindo o clássico e o contemporâneo.

Apostando no poder transformador e provocativo da arte, pianista catarinense Pablo Rossi se prepara para recitais na Europa – Foto: Divulgação/ND

 

“A música clássica vem de um legado de séculos e atendia sempre a uma demanda social de cada época histórica. Por isso, acredito que seja nossa função, enquanto artistas dos tempos atuais, darmos contexto a esse produto cultural em pleno século 21”, reflete.

Pablo frisa que precisam ser incentivadas cada vez mais a formação de plateia e a conscientização da sociedade sobre o papel da música e da arte.

“É discussão que deve ser instigada pelas classes artísticas. Vejo cada vez mais a necessidade de o artista trazer conteúdo social às suas performances, buscando a inclusão, conscientização e, finalmente, a diversão da sua plateia”, reflete Pablo, enquanto vislumbra um renascimento cultural para Santa Catarina.

“A música não é simplesmente uma ferramenta de mero entretenimento, mas deve funcionar como uma ferramenta de transformação social. É essa essência que procuro alcançar em todos os projetos culturais que estou a frente”, complementa o catarinense.

O reconhecimento do talento precoce

Considerado pela crítica especializada um dos mais importantes nomes da nova geração de pianistas brasileiros, e com dois mestrados na área, Pablo Rossi vem construindo uma brilhante carreira em palcos nacionais e internacionais.

Um dos primeiros reconhecimentos foi quando ele venceu o 1º Concurso Nacional Nelson Freire para Novos Talentos Brasileiros, em 2003.

Mas seu talento já havia sido revelado bem antes, quando aos sete anos o menino nascido em São José pediu aos pais um piano, cuja aquisição só foi possível por meio de um consórcio.

Aos 13 anos teve sua estreia nacional, à frente da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), sob a regência do maestro Roberto Minczuk.

Ele é o mais jovem solista a se apresentar com essa orquestra. De lá pra cá foram apresentações com orquestras nacionais e internacionais. E como membro seleto da fundação inglesa “The Keyboard Charitable Trust”, apresentou mais de cem recitais em salas de prestígio na Europa, nos Estados Unidos, África e América Latina. Sua discografia inclui o lançamento de três CDs, o primeiro gravado com apenas 11 anos.

Fonte: ND Mais