Um homem, de 60 anos, contraiu cólera em Salvador sem ter viajado para outro lugar, tornando a doença autóctone
Um homem de 60 anos contraiu cólera em Salvador, mesmo sem ter viajado para outro país. Esse é o primeiro caso após quase 20 anos sem registros da doença no Brasil, ou seja, sem que a cólera tenha sido adquirida dentro do país, e não importada de outro lugar.
O Ministério da Saúde confirmou o caso e afirmou que não foram identificados outros registros após uma investigação epidemiológica realizada pelas equipes de saúde de Salvador, que contataram as pessoas que estiveram em contato com o paciente.
No Brasil, os últimos registros autóctones de cólera ocorreram em Pernambuco em 2004, com 21 ocorrências, e em 2005, com cinco casos confirmados.
Os números da OMS (Organização Mundial da Saúde) sugerem que o aumento de casos deve se manter. Atualmente, 24 países já confirmaram surtos de cólera em andamento, sendo que alguns deles enfrentam o que a OMS chama de “crises agudas” provocadas pela doença.
De acordo com o manual MDS, usado por médicos em todo o mundo, a cólera é uma infecção aguda do intestino delgado causada pela bactéria Vibrio cholerae, que libera uma toxina provocando diarreia aquosa intensa, levando à desidratação, diminuição da produção de urina e colapso circulatório.
A infecção geralmente ocorre através de água ou frutos do mar contaminados. O diagnóstico é feito por cultura ou sorologia. O tratamento requer hidratação intensiva e reposição de eletrólitos, além do uso de doxiciclina.
A cólera tem um período de incubação de 1 a 3 dias. Ela pode se manifestar de forma leve, com uma diarreia discreta, ou de forma grave, podendo ser fatal.
Os sintomas geralmente começam rapidamente, com diarreia líquida e vômitos. Não é comum sentir náuseas. A diarreia pode ser intensa, levando à sede extrema, pouca produção de urina, cãibras musculares, fraqueza e pele enrugada.
A perda de água e eletrólitos pode causar desidratação grave, levando a problemas nos rins e colapso circulatório. A maioria das pessoas se recupera dentro de duas semanas, mas algumas podem se tornar portadoras crônicas da bactéria.
Para tratar a cólera, é essencial repor os líquidos perdidos. Em casos leves, isso pode ser feito com soluções de reidratação oral. Já em casos graves, é necessária a reposição intravenosa com líquidos isotônicos.
Também é importante repor o potássio perdido, adicionando-o à solução intravenosa ou administrando-o por via oral.

Após a fase de reidratação, a quantidade de líquidos reposta deve ser igual à quantidade perdida nas fezes.
A solução oral de glicose-eletrólito é eficaz e pode ser usada após a reidratação intravenosa inicial. Em casos graves, pode ser necessário o uso de sonda nasogástrica para administrar líquidos.
A escolha do antimicrobiano deve ser baseada na suscetibilidade da bactéria.
A doxiciclina é o tratamento de primeira linha para adultos e crianças. Se houver resistência à doxiciclina, podem ser usadas azitromicina ou ciprofloxacina.
As doses variam de acordo com a idade e a condição do paciente.
A resposta não é tão simples, mas passa por alguns caminhos. Doenças como febre tifóide, hepatite A, cólera, dengue, malária e gastroenterites estão diretamente ligadas ao acesso à água potável ou à falta de tratamento e esgotamento.
De acordo com relatório do Instituto Trata Brasil, a falta de acesso à água de qualidade afeta quase 35 milhões de pessoas no país e cerca de 100 milhões de brasileiros não possuem acesso à coleta de esgoto, o que se reflete em problemas de saúde na população por doenças de veiculação hídrica.
“Essas doenças são causadas principalmente por micro-organismos, parasitas e vírus encontrados em água contaminada, especialmente aquela que não passou por tratamento adequado, e o próprio quadro atual de crescimento casos de dengue tem implicação da água”, explica a infectologista, Dra. Eliane Iokote , da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Além disso, o acesso ao saneamento básico é importante para esse cenário.
De acordo com Sibylle Muller, CEO da NeoAcqua, empresa pioneira e especialista em economia verde a partir de sistemas de tratamento de água e esgoto, é importante buscar soluções que permitam atender os desafios do saneamento.
Como recurso vital para a sobrevivência, a água de boa qualidade tem papel fundamental na manutenção da saúde e bem-estar da população.
“Mesmo com poucos recursos, é possível tomar algumas medidas para purificar e fazer o consumo de água potável”, enfatiza a infectologista.
Fonte: ND Mais