Rio Grande do Sul enfrenta a primeira grande enchente de 2026, com alagamentos e mais de mil pessoas fora de casa; meteorologista alerta que o auge do El Niño ainda deve ocorrer nos próximos meses
Meteorologista alerta que o El Niño deve provocar episódios de chuva intensa com maior frequência nos próximos mesesFoto: Divulgação / NOAA
O Rio Grande do Sul enfrenta mais um episódio de chuvas intensas, com alagamentos, elevação de rios e mais de mil pessoas fora de casa. Segundo o meteorologista Piter Scheuer, o cenário pode se repetir com maior frequência nos próximos meses, já que o fenômeno El Niño ainda deve atingir seu auge entre o fim do inverno e o início do verão.
“Essa chuva que aconteceu já é influência do El Niño, só que cada vez mais gradativamente isso começa a ficar mais frequente”, afirmou Scheuer em entrevista ao ND Mais. De acordo com ele, o estado pode enfrentar novos episódios de grandes volumes de chuva em intervalos menores.
“Imagina tu ter 200, 300 milímetros no dia e depois de dois, três dias, ter isso de novo. Acaba trazendo alagamento, enxurrada, em tudo quanto é canto”, explicou o meteorologista.
Segundo o Piter Scheuer, o Rio Grande do Sul está enfrentando a maior enchente registrada neste ano, provocada pelas fortes chuvas que atingem o estado desde terça-feira (21) e em decorrência do El Niño. A Defesa Civil contabiliza 1.099 pessoas fora de casa: 728 estão desabrigadas e 371 desalojadas.
Segundo Piter Scheuer, os eventos extremos associados ao El Niño já vinham sendo observados no Rio Grande do Sul desde maio, mas devem ganhar força nos próximos meses.
“Se puxar pela memória, essa aqui não foi a primeira. Essa aqui é a enchente maior que teve até o momento com o super El Niño. Mas no final de maio e em junho já tivemos chuvas de 200 a 400 milímetros no Norte e Noroeste do Rio Grande do Sul”, disse.
Para o meteorologista, o episódio atual representa o segundo, terceiro ou quarto evento de chuva intensa provocado pelo padrão climático neste ano.
NOAA aponta 81% de chance de o Super El Niño alcançar a categoria “muito forte”Foto: NOAA/Reprodução/ND Mais
A previsão é que o período mais crítico ocorra entre setembro e janeiro.
“O pior ainda está por vir. Setembro para frente vai ser o auge do El Niño. Final desse inverno, primavera, é o auge total desse super El Niño, que é o mais forte da história”, afirmou.
As projeções da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) também apontam para um cenário de atenção. O órgão estima que o fenômeno tenha 81% de chance de atingir a categoria “muito forte” no último trimestre deste ano.
Caso a previsão se confirme, as águas do Oceano Pacífico poderão ficar mais de 3°C acima da média, nível associado aos eventos mais extremos registrados desde o início das medições, em 1950.
A NOAA também indica 97% de probabilidade de que o El Niño continue influenciando o clima até o primeiro semestre de 2027.
Uma das cidades mais afetadas do Rio Grande do Sul é Lajeado, no Vale do Taquari. O Rio Taquari atingiu 23,87 metros nesta quarta-feira (22), chegando à capacidade máxima de inundação. O nível subiu mais de dois metros apenas durante a manhã.
Cerca de 150 famílias foram atingidas no município. Ao menos 500 pessoas precisaram ser acolhidas no Parque do Imigrante.
Nível do Rio Taquari continua subindo em Lajeado após fortes chuvasFoto: @prefeituradelajeadors/Instagram/ND Mais
As tempestades também causaram impactos em outras regiões do estado, principalmente na Região Central, Fronteira Oeste e Noroeste. Em cidades como Paraí, Marau e Passo Fundo, os volumes de chuva ultrapassaram 150 milímetros em menos de 12 horas.
Em Paraí, foram registrados 174 milímetros de chuva; em Marau, 157 milímetros; e em Passo Fundo, 154 milímetros. As áreas atingidas incluem nascentes de rios importantes, como Guaporé, Carreiro e da Prata, aumentando o risco de elevação dos níveis dos cursos d’água.
Apesar de não haver previsão de chuvas com grandes volumes nas próximas 24 horas, o risco permanece elevado. O CMDEC (Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual) alerta para a possibilidade de manutenção dos níveis altos em arroios, pequenos rios e rios de maior porte.
A região Norte do estado segue com risco alto, e o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) mantém alerta vermelho para acumulados de chuva em parte do território gaúcho.
Na quinta-feira (23), a previsão indica nebulosidade em grande parte do Rio Grande do Sul, com possibilidade de chuva fraca na metade Leste. As temperaturas devem ficar entre 7°C e 19°C.
Na Região Metropolitana de Porto Alegre, o monitoramento aponta tendência de elevação do nível do Guaíba nas próximas 24 a 72 horas, com possibilidade de aproximação da cota de alerta.
Diante da rápida mudança nas condições meteorológicas, a Defesa Civil reforçou as ações de monitoramento e orientação à população para reduzir os impactos de novos eventos extremos.
Fonte: ND Mais