O projeto prevê a realização de um concurso público para a seleção de uma nova letra e música
O projeto que propõe a mudança do hino de Santa Catarina avançou na Assembleia Legislativa do Estado (Alesc) nesta terça-feira (08). A Comissão de Constituição e Justiça aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que agora segue para votação no Plenário, onde todos os deputados também decidirão sobre a admissibilidade.
A PEC é de autoria do deputado Ivan Naatz (PL), que argumenta que o atual hino, adotado há quase 130 anos, não representa a diversidade cultural e a evolução da sociedade catarinense.
“Surge a necessidade de reavaliar e, possivelmente, atualizar a letra e a melodia do nosso hino para que ele continue a ser um símbolo relevante e inspirador para todos os catarinenses”, defende Naatz.
O projeto prevê a realização de um concurso público para a seleção de uma nova letra e música, contando com o apoio de outros 14 deputados estaduais como coautores.
A proposta gera divisões de opiniões e marca a quarta discussão sobre a mudança do hino nos últimos 30 anos.
O hino atual, escrito por Horácio Nunes Pires e musicado por José Brazilício de Souza, tem uma temática abolicionista.
Durante uma audiência pública em agosto do ano passado, Luiz Moukarzel, presidente do Conselho Estadual de Cultura, manifestou oposição à mudança, afirmando que a supressão de um elemento histórico-cultural resultaria em um apagamento para as futuras gerações.
Por outro lado, Naatz argumenta que o hino não é representativo, ressaltando a necessidade de que a nova letra aborde características turísticas, históricas, geográficas, econômicas e culturais do estado.
Atualmente, não há data definida para a apreciação do projeto no plenário da Alesc, que ainda passará pelas comissões de Finanças e Tributação e de Trabalho, Administração e Serviço Público.

Sagremos num hino de estrelas e flores
Num canto sublime de glórias e luz
As festas que os livres frementes de ardores
Celebram nas terras gigantes da cruz
Quebram-se férreas cadeias
Rojam algemas no chão
Do povo nas epopeias
Fulge a luz da redenção
O povo que é grande, mas não vingativo
Que nunca a justiça e o direito calcou
Com flores e festas, deu vida ao cativo
Com festas e flores, o trono esmagou
Quebrou-se a algema do escravo
E nesta grande nação
É cada homem um bravo
Cada bravo, um cidadão
Fonte: RBV