Projeção da ONU indica que os próximos cinco anos podem superar os máximos históricos observados em 2024 com presença do El Niño
Mundo pode ter temperaturas recordes em cinco anos, segundo relatório da ONUFoto: Reprodução/ND Mais
A ONU (Organização das Nações Unidas) afirmou que o mundo pode registrar temperaturas recordes em diferentes partes do planeta nos próximos cinco anos.
O alerta foi divulgado na última quinta-feira (28) em um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), em parceria com o Met Office do Reino Unido, que monitora o fenômeno El Niño.
O documento aponta que as temperaturas médias globais anuais podem ficar entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais entre 2026 e 2030. De acordo com o estudo, existe 86% de probabilidade de que pelo menos um ano entre 2026 e 2030 supere 2024 como o mais quente já registrado.
Em 2024, a temperatura média global ficou 1,55°C acima da média observada entre 1850 e 1900, ultrapassando temporariamente o limite de 1,5°C previsto pelo Acordo de Paris.
Os pesquisadores destacam que a tendência de aquecimento continua sendo influenciada pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera e por fenômenos naturais que favorecem a elevação das temperaturas globais.
“Há uma previsão de El Niño [fenômeno natural que contribui para o aumento das temperaturas], o que aumenta as chances de 2027 se tornar o próximo ano recorde”, afirma Leon Hermanson, cientista do Met Office e principal autor do relatório.
El Niño deve impulsionar o aumento nas temperaturasFoto: Freepik/ND Mais
As temperaturas recordes previstas para os próximos cinco anos podem ganhar reforço adicional com a atuação do fenômeno El Niño, que costuma elevar a temperatura média global ao alterar os padrões climáticos em diferentes regiões do planeta.
Segundo o relatório, há 75% de probabilidade de que a média global observada entre 2026 e 2030 permaneça acima de 1,5°C em relação ao período pré-industrial.
A OMM ressalta, entretanto, que os limites definidos pelo Acordo de Paris são calculados com base em médias de longo prazo, geralmente avaliadas ao longo de cerca de duas décadas.
“Anos isolados com temperaturas médias globais anuais acima desses níveis não significam que as metas de temperatura de longo prazo do Acordo de Paris estejam fora de alcance. Espera-se que ultrapassagens temporárias ocorram com frequência crescente à medida que o aumento subjacente da temperatura global se aproxime desses níveis”, afirma a organização.
O estudo também considera extremamente improvável, com menos de 1% de chance, que algum ano isolado ultrapasse a marca de 2°C de aquecimento global nos próximos cinco anos.
Aumentos de temperatura podem acelerar o degelo no ÁrticoFoto: Canva/ND
Entre os destaques do relatório está a previsão para o Ártico, região que deve registrar aquecimento muito superior à média mundial nos próximos anos.
Segundo os pesquisadores, as temperaturas médias durante os invernos do hemisfério norte entre 2026 e 2030 poderão ficar cerca de 2,8°C acima da média registrada entre 1991 e 2020.
A anomalia projetada para o Ártico representa mais de três vezes e meia o aquecimento médio esperado para o restante do planeta no mesmo período.
Para Bill Hare, cientista climático e fundador da Climate Analytics, o cenário reflete décadas de emissões elevadas de gases de efeito estufa.
“Isso aumenta a necessidade de investimento em adaptação a eventos climáticos extremos e outros impactos das mudanças climáticas, além de ampliar as perdas e danos sofridos por nações vulneráveis ao clima”, afirma.
Apesar do alerta de temperaturas recordes, o especialista destaca que ainda existe margem para limitar o aquecimento global caso governos adotem medidas rápidas de redução das emissões.
Segundo Hare, a desaceleração das emissões poderá estabilizar o aumento das temperaturas até meados do século e, posteriormente, reduzir os níveis globais para abaixo de 1,5°C.
Fonte: ND Mais