Presidente criticou vídeo do deputado sobre taxação do Pix e disse que ele defendia o crime organizado; Nikolas Ferreira rebateu as acusações e disse que vai processar Lula
Sem citar nomes, Lula atribuiu campanha realizada por Nikolas Ferreira, no início de 2025, como forma de “defender o crime organizado” – Foto: Reprodução/ND
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, em entrevista à Rádio Itatiaia nesta sexta-feira (29), a megaoperação contra o crime organizado, incluindo ações ligados ao PCC. Sem citar nomes, ele criticou um vídeo viral que acusava o governo de taxar o Pix, dizendo que a publicação tinha a finalidade de “defender o crime organizado”.
“Tem um deputado que fez campanha contra as mudanças propostas pela Receita Federal e agora está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado. Nós não vamos dar trégua”, declarou Lula.
A medida em questão previa que movimentações financeiras acima de R$ 5 mil por mês para pessoas físicas e R$ 15 mil por mês para pessoas jurídicas fossem reportadas à e-Financeira. O presidente sinalizou que a regra deve ser implementada futuramente.
O deputado Nikolas Ferreira (PL) compartilhou um trecho da entrevista nas redes sociais, chamando a fala de Lula de “canalhice” e afirmando que vai recorrer à Justiça por difamação.
“Irei à Justiça para que responda por essa difamação, assim como farei com todos os demais, estou compilando tudo”, disse.
O deputado compartilhou um vídeo nas redes sociais criticando as falas – Vídeo: Nikolas Ferreira/nikolasferreiradm/Instagram
Tudo aconteceu no início de 2025, quando Nikolas publicou um vídeo acusando o governo brasileiro de tentar taxar a ferramenta, que alcançou cerca de 300 milhões de visualizações. A repercussão negativa obrigou o governo a recuar da medida.
O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, criticou a disseminação de desinformação pelo parlamentar na quinta-feira (28):
“Essas fake news foram tão fortes que, apesar de todo esforço da Receita, não conseguimos reverter as mentiras. Tivemos que dar um passo atrás e revogar a instrução normativa. As operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras: o crime organizado.”
Segundo a Receita, a revogação da norma criou um “vácuo regulatório”, permitindo que organizações criminosas usassem fintechs e contas de passagem para movimentar grandes quantias sem rastreamento.
Presidente classifica operação como a mais importante da história do Brasil – Foto: Reprodução/Agência Brasil
Durante a entrevista, o presidente classificou as operações deflagradas na quinta-feira como a “mais importante da história de 525 anos do Brasil” contra o crime organizado, atingindo integrantes do chamado “andar de cima” das facções.
“O crime organizado hoje é sofisticado, ele está na política, no futebol, na justiça, em tudo. É um braço internacional muito poderoso, uma verdadeira multinancional”, afirmou.
As operações Carbono Oculto, Quasar e Tank investigam esquemas de corrupção ligados ao PCC, com colaboração da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e ANP. Segundo as investigações, cerca de mil postos de combustíveis em dez estados movimentaram mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, usando fintechs como “bancos paralelos” para ocultar recursos ilícitos.
Fonte: ND Mais