• 19 de maio de 2026

Hantavírus: guia completo de sintomas, transmissão e prevenção

Apesar da alta letalidade da hantavirose, doença causada por hantavírus tem baixo potencial pandêmico e é raramente transmitida entre humanos

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Encontrado na Argentina e Chile, o roedor Oligoryzomys longicaudatus é o principal vetor da cepa Andes de hantavírusFoto: Yamil Hussein E. (CC BY-SA 3.0)

hantavírus é uma família de vírus cujo vetor principal consiste em roedores silvestres (ratos do mato) e ratos urbanos, como ratazanas, ratos pretos/de telhado e camundongos. É o vírus causador da hantavirose, uma doença viral cuja infecção em humanos, no Brasil, se apresenta na forma da SCPH (Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus).

Apesar da alta letalidade do vírus, ele oferece um baixo risco para a saúde pública global. O Ministério da Saúde destaca que fatores ambientais como o desmatamento desordenado e a expansão das cidades para áreas rurais estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, por favorecerem a interação entre humanos e roedores silvestres.

O Brasil apresentou 34 casos de hantavirose em 2025, sendo que nenhum deles teve transmissão entre humanos.

Situação do surto de hantavírus em cruzeiro

Em 12 de maio de 2026, a OMS (Organização Mundial da Saúde) confirmou 11 casos e três mortes causadas por hantavírus associados a um surto do agente infeccioso no cruzeiro MV. Apesar da alta letalidade, a transmissão de hantavírus de humanos para humanos é extremamente rara e associada especificamente à cepa Andes, que não circula no Brasil. 

Cruzeiro com quase 150 pessoas a bordo deve seguir para as Ilhas Canárias, na Espanha. Até 12 de maio, foram confirmadas 11 mortes associadas ao surto no navio.Foto: Divulgação/Oceanwide Expeditions/ND MaisCruzeiro com quase 150 pessoas a bordo deve seguir para as Ilhas Canárias, na Espanha. Até 12 de maio, foram confirmadas 11 mortes associadas ao surto no navio.Foto: Divulgação/Oceanwide Expeditions/ND Mais

Elba Lemos, pesquisadora do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do IOC (Instituto Oswaldo Cruz), compartilhou em entrevista ao IOC que o vírus dificilmente conseguirá se estabelecer no Brasil. Isso se dá devido à espécie Andes ser restrita à Argentina e ao Chile, já que o rato de cauda longa (Oligoryzomys longicaudatus), vetor da cepa, não está presente no país.

Como o hantavírus é transmitido?

A grande maioria dos episódios de infecção humana por hantavírus acontece pela inalação de partículas de poeira formadas a partir da excreta (urina, fezes e saliva) de roedores infectados, com 70% dos casos ocorrendo em zonas rurais.

Outras formas de transmissão do hantavírus para humanos listadas pelo Ministério da Saúde são:

  • Transmissão percutânea: entrada de agentes infecciosos por lesões na pele (como mordidas de roedores infectados);
  • Contato de mãos contaminadas com excretas (urina, fezes e saliva) de roedores com mucosas (boca, nariz, membrana dos olhos);
  • Transmissão pessoa a pessoa, rara, associada ao hantavírus da cepa Andes.

Hantavírus é transmitido por contato com roedores infectadosFoto: Freepik/ND MaisHantavírus é transmitido por contato com roedores infectadosFoto: Freepik/ND Mais

Sintomas do hantavírus

Na fase inicial, a hantavirose causa os seguintes sintomas:

  • Febre;
  • Dor nas articulações;
  • Dor de cabeça;
  • Dor lombar;
  • Dor abdominal;
  • Sintomas gastrointestinais.

Já na fase cardiopulmonar, mais agressiva, os sintomas da hantavirose são:

  • Febre alta;
  • Dificuldade de respirar;
  • Respiração acelerada;
  • Aceleração dos batimentos cardíacos;
  • Tosse seca;
  • Pressão baixa.

Diagnóstico e tratamento do hantavírus

O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece sorologia e kits necessários para testes capazes de diagnosticar hantavírus, realizados em laboratórios de referência. O tratamento consiste em medidas de suporte clínico, ministradas caso a caso.

Teste rápido desenvolvido por meio de parceria entre IOC, Bio-Manguinhos e UFRJ é capaz de diagnosticar infecções por hantavírus em até 15 minutosFoto: Josué Damacena/IOCTeste rápido desenvolvido por meio de parceria entre IOC, Bio-Manguinhos e UFRJ é capaz de diagnosticar infecções por hantavírus em até 15 minutosFoto: Josué Damacena/IOC

Segundo o médico Ricardo Cantarim, mestre em infectologia e serviço de controle de infecção hospitalar, como não existe um tratamento específico para a hantavirose, é essencial que o paciente seja diagnosticado adequadamente para receber o suporte adequado.

A fase cardiopulmonar da doença oferece um risco elevado de morte, sendo importante o atendimento médico rápido e diagnóstico correto para que não haja agravamento da situação ao confundi-la com outras doenças.

“Lembrar que o paciente pode ter tido contato com roedores até cinco semanas antes do início dos sintomas e solicitar o exame de sangue específico são primordiais para se implementar medidas de prevenção de disseminação da doença. Pacientes provenientes de zonas rurais ou que fizeram acampamento ou ecoturismo nas últimas 5 semanas do início dos sintomas devem ser pesquisadas para hantavírus”, pontua Cantarim.

Prevenção do hantavírus

A prevenção do hantavírus consiste em impedir o contato humano com as excretas de roedores. O Ministério da Saúde recomenda:

  • Roçar o terreno, evitando que roedores sejam atraídos;
  • Dar destino adequado ao lixo e mantê-lo longe de roedores;
  • Manter lixo e alimentos em recipientes fechados e à prova de roedores.

Trabalhadores da saúde e moradores de zonas rurais devem priorizar o uso de EPIs (equipamentos de proteção individual) como máscaras PFF3, luvas, avental e óculos de proteção ao estarem em áreas de possível contato com o vírus.

Cantarim reforça outras medidas de prevenção, como evitar a limpeza de lugares fechados com varredura ou aspiração a seco, que podem levantar poeira e aumentar o risco de contaminação; evitar acampamentos em habitats de roedores, como escombros, lixões, locais com acúmulos de lenha, produtos agrícolas ou palhas; e evitar repousar ou deitar diretamente no solo.

Fonte: ND Mais

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