• 11 de novembro de 2025

‘Geleira do Apocalipse’: fraturas no gelo da Antártida podem aumentar oceanos em 65 cm

Cientistas alertam que fraturas na Geleira do Apocalipse, na Antártida, podem elevar o nível dos oceanos em até 65 cm

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Geleira do Apocalipse se torna a nova preocupação dos cientistasFoto: Imagem gerada por IA/ND Mais

Você já ouviu falar na Geleira do Apocalipse? Esse é o apelido do “Glaciar Twaites”, localizado na Antártida Ocidental, uma imensa massa de gelo que preocupa cientistas em todo o mundo.

Um novo estudo internacional revelou que fraturas internas estão acelerando seu colapso, o que pode elevar o nível dos oceanos em até 65 centímetros caso a geleira se desprenda completamente.

O que está acontecendo com a Geleira do Apocalipse?

O glaciar Thwaites, considerado uma das principais fontes de incerteza sobre o futuro do nível do mar, vem passando por um processo de ruptura, com a formação de fraturas longas e curtas que se espalham em várias direções.

Isso foi descoberto durante umas análises publicada na revista Journal of Geophysical Research, intitulada como Earth Surface e conduzida e publicada por Debangshu Banerjee, da Universidade de Manitoba, no Canadá, entre 2002 e 2022.

Essas fissuras estão fazendo com que a geleira perca estabilidade e deslize mais rapidamente para o oceano.

De acordo com os pesquisadores, o ponto onde o gelo se ancora ao fundo do mar, que antes ajudava a manter a estrutura firme, agora atua como um fator de desestabilização, enfraquecendo ainda mais a geleira.

Como essas fraturas aceleram o colapso

As imagens de satélite revelam que o enfraquecimento do Thwaites ocorre em quatro fases distintas, com duas etapas principais de fraturamento:

  1. Abertura de fendas longas e paralelas ao fluxo do gelo;
  2. Formação de fraturas curtas e perpendiculares, que cortam a estrutura e a tornam mais frágil.

Na geleira do apocalipse ocorre uma aceleração do colapso, que pode liberar enormes volumes de água doce no oceanoVídeo: Debangshu Banerjee/LinkedIn

Esse processo cria um ciclo de retroalimentação perigoso, quanto mais o gelo se quebra, mais rápido ele se movimenta em direção ao mar, e quanto mais ele se move, mais fraturas surgem.

Os cientistas também destacam que o ritmo de expansão das rachaduras é mais rápido que o derretimento causado pela água, indicando que o principal problema não está apenas no aquecimento do oceano, mas também nas mudanças internas da estrutura do gelo.

O impacto global do derretimento da geleira

Se a Geleira do Apocalipse colapsar por completo, ela poderá elevar o nível do mar em até 65 centímetros, o suficiente para provocar inundações em áreas costeiras e afetar cidades litorâneas em todo o mundo.

Imagem mostra mapa com riscos na geleira do apocalipse A Geleira do Apocalipse atua como uma “barreira de contenção” para outras geleiras da AntártidaFoto: geleira do apocalipse

Além disso, o Twaites atua como uma “barreira de contenção” para outras geleiras da Antártida. Se essa estrutura perder sua estabilidade, o derretimento de massas de gelo vizinhas pode acelerar, intensificando ainda mais o aumento do nível dos oceanos.

Especialistas alertam que, embora o colapso total ainda possa levar séculos, o comportamento atual da geleira serve como um alerta sobre a velocidade das mudanças climáticas e o impacto que pequenas variações de temperatura podem causar em sistemas naturais gigantescos.

Um retrato da crise climática

Os dados coletados por satélites Landsat e Sentinel-1, somados às medições por GPS, mostram que as fraturas no Thwaites se multiplicam ano após ano. Esse comportamento é monitorado por cientistas do British Antarctic Survey e da Nasa, que descrevem o glaciar como “um dos pontos mais frágeis do sistema climático global”.

Os pesquisadores afirmam que entender os mecanismos de ruptura do Thwaites é essencial para prever o comportamento de outras plataformas de gelo na Antártida e modelar o impacto das mudanças climáticas no futuro dos oceanos.

Fonte: ND Mais

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