• 3 de novembro de 2025

Furacão Melissa assusta cientistas: o fenômeno que pode marcar uma nova era de desastres

Com ventos de até 300 km/h e 1,4 °C a mais que a média, o furacão Melissa deixou a Jamaica gravemente danificada e agora ameaça as fronteiras de Cuba

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O furacão Melissa figura entre os mais intensos já registrados no Atlântico NorteFoto: Imagem gerada por IA/ND Mais

furacão Melissa segue provocando estragos no Caribe e levantando alertas em toda a região. Depois de devastar a Jamaica na terça-feira (28), o sistema atingiu Cuba nesta quarta-feira (29), impulsionado por águas oceânicas excepcionalmente quentes.

Em poucas horas, o fenômeno se intensificou até alcançar a categoria 5, o nível máximo na escala Saffir-Simpson, caracterizado por ventos extremos e potencial de destruição catastrófica.

Um dos furacões mais fortes do Atlântico

Segundo a AFP, na manhã de terça-feira, o furacão Melissa registrava ventos de 110 km/h. Em apenas 24 horas, a velocidade dobrou, chegando a 225 km/h, tornando-se um dos furacões mais rápidos a se intensificar nesta temporada, o quarto caso com comportamento semelhante no Atlântico em 2025.

“O que chama a atenção não é o número de furacões, mas a velocidade com que eles se tornam extremamente potentes”, explicou Kerry Emanuel, meteorologista e climatologista do MIT.

Ele ressalta que, embora eventos isolados não possam ser diretamente atribuídos ao aquecimento global, as tendências de longo prazo indicam que o padrão está mudando.

“Esse tipo de intensificação rápida pode ser uma marca coletiva das mudanças climáticas”, afirmou o especialista.

Calor recorde do oceano alimenta a tempestade

Dados da Climate Central indicam que as águas do Atlântico onde o Melissa se formou estavam 1,4°C acima da média histórica, um cenário 500 vezes mais provável de ocorrer devido à ação humana. Esse calor adicional intensifica não apenas os ventos, mas também a quantidade de chuva.

Imagem de fundo de um oceano com rochas subaquáticas e peixes nadando, destacando a beleza e a diversidade do ambiente marinho.Águas do Atlântico onde o Melissa se formou estavam 1,4°C acima da média históricaFoto: Canva/ND

“O aquecimento do mar fornece mais energia para as tempestades. Estimamos que furacões como o Melissa possam gerar entre 25% e 50% mais chuva por causa do aquecimento global”, disse o climatologista Daniel Gilford.

A lentidão da tempestade, movendo-se a apenas 5 km/h, agrava os impactos. Em partes da Jamaica, a previsão indica acúmulo de até 65 centímetros de chuva, além de inundações severas e deslizamentos de terra.

A nova era das tempestades estagnadas

A meteorologista Jill Trepanier, da Universidade Estadual da Lousiana, nos Estados Unidos, chama o fenômeno de “ameaça constante e recorrente”.

Jill é autora de um estudo sobre tempestades estagnadas, Trepanier explica que esses sistemas se formam principalmente no Caribe, durante o mês de outubro, e costumam perder força à medida que misturam águas frias das camadas profundas do oceano.

Mas o furacão Melissa quebrou esse padrão. “Ele se intensificou no mesmo ponto por dias, o que indica que o calor do oceano penetrou em grandes profundidades, impedindo o resfriamento natural que normalmente freia as tempestades. É uma situação assustadora, sem precedentes”, afirmou a especialista.

Imagem de um furacão visto de satélite com núcleo bem definido e núvens espessas ao redor, representando um fenômeno climático intenso.Furacão Melissa alcançou a categoria 5 na segunda-feira (27)Foto: Divulgação/NOOA

O ex-climatologista da NOAA, James Kossin, acrescenta que há um aumento comprovado na ocorrência dessas tempestades lentas.

Ele aponta a amplificação ártica, o rápido aquecimento das regiões polares, como um dos fatores que enfraquece os ventos responsáveis por mover os ciclones, fazendo com que fiquem “presos” por mais tempo sobre uma mesma região.

Impactos no Caribe e reflexos no Brasil

Com ventos de até 300 km/h e pressão mínima de 892 hPa, o furacão Melissa figura entre os mais intensos já registrados no Atlântico Norte. A tempestade causou mortes e destruição na Jamaica, forçando o fechamento de portos e aeroportos, além da evacuação de comunidades inteiras em áreas de risco.

Imagens captadas por “caçadores de furacões” da NOAA mostraram o olho do furacão com nitidez impressionante, uma calmaria aparente cercada por paredes de nuvens violentas e ventos de quase 300 km/h.

Esse anel de tempestade é o mais destrutivo, com mudanças súbitas de direção e rajadas que podem arrancar telhados e derrubar edificações.

Mesmo distante, furacão Melissa influencia o clima no Norte do Brasil

Embora o Melissa não atinja diretamente o território brasileiro, seus efeitos indiretos já começam a ser sentidos.

Imagem de um satélite exibindo um furacão em formação com cones de chuva e circulação de nuvens, destacando a intensidade do evento climático.Furacão Melissa já atingiu Cuba com ventos de 195 km/hFoto: Metrópoles/Reprodução/ND Mais

A circulação atmosférica do furacão, combinada ao aquecimento anômalo do ZCIT (Atlântico Tropical e à Zona de Convergência Intertropical), deve provocar chuvas mais frequentes e intensas no extremo Norte do país, segundo o Canal Rural.

Estados sob alerta:

  • Amazônia e Pará: aumento de pancadas fortes, com risco de alagamentos localizados.
  • Amapá e Roraima: formação de nuvens convectivas e ressaca no litoral, principalmente próximo à foz do Amazonas.

Além disso, a presença da La Niña no Pacífico potencializa o volume de umidade na região, aumentando a probabilidade de temporais isolados e ventos fortes.

Impactos práticos para o extremo Norte do país

Os reflexos mais diretos da atuação do furacão Melissa no clima brasileiro devem ser sentidos nos setores de:

  • Agricultura: janelas de plantio e colheita podem precisar de ajustes por causa das chuvas prolongadas e dificuldade de escoamento.
  • Energia e infraestrutura: risco de quedas pontuais de energia e danos em redes de distribuição.
  • Faixa costeira: o mar agitado e a ressaca podem comprometer operações de pequenas embarcações.

Um alerta global

Os especialistas concordam que o furacão Melissa é mais do que uma tempestade isolada, é um reflexo do aquecimento global e dos novos padrões climáticos que estão redesenhando o Atlântico.

Com mares cada vez mais quentes, a tendência é de menos ciclones por temporada, mas com intensificação mais rápida e poder destrutivo muito maior.

“Eventos como Melissa mostram que estamos diante de uma nova realidade climática”, conclui Trepanier. “O desafio agora é adaptar sociedades inteiras para resistir a ela.”

Fonte: ND Mais

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