Apurações envolvem bancos, entidades e empresários ligados ao sistema previdenciário; senador Carlos Viana diz que ninguém ficará protegido por decisões provisórias
Presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG).Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, informou na quarta-feira (28) que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Luís Félix Cardamone Neto, ex-presidente do Banco BMG, foram convocados para prestar depoimento à comissão na quinta-feira (5) de fevereiro.
Daniel Vorcaro recebeu voz de prisão em novembro do ano passado após tentar deixar o país em meio às investigações sobre crimes contra o sistema financeiro. Ele foi solto dez dias depois e é acusado de envolvimento em uma fraude estimada em R$ 12 bilhões, relacionada à venda de créditos falsos ao BRB (Banco Regional de Brasília).
Em publicação nas redes sociais, Carlos Viana afirmou que a CPMI também atua para reverter uma decisão judicial provisória que garante ao empresário Maurício Camisotti o direito de não comparecer ao colegiado. De acordo com o senador, a comissão seguirá adotando todas as medidas legais cabíveis para assegurar o esclarecimento dos fatos.
Maurício Camisoti é dono de companhias da área de seguros e planos de saúdeFoto: Agência Senado/Reprodução/ND Mais
“Comunicamos ao Brasil que Daniel Vorcaro e Luís Félix Cardamone Neto foram convocados para comparecer nesta quinta-feira, dia 5 de fevereiro, perante a CPMI do INSS. Em relação a Maurício Camisotti, a comissão atua para reverter o habeas corpus que, de forma provisória, garante o não comparecimento à CPMI”, escreveu Viana.
Em 15 de setembro, o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu a Camisotti o direito de comparecer ou não ao depoimento, além de exercer o direito ao silêncio, com base no princípio constitucional da não autoincriminação.
Ministro André Mendonça concedeu habeas corpus à Camissoti, CPMI do INSS tenta reverterFoto: SINDSJUS – PI/Reprodução/ND Mais
Segundo a CPMI, Camisotti é um dos principais articuladores das fraudes investigadas no INSS. As apurações indicam que ele controlava ao menos três entidades que, desde 2021, teriam faturado mais de R$ 1 bilhão por meio de descontos não autorizados aplicados a benefícios de aposentados e pensionistas.
Segundo a comissão, a escolha dos executivos levou em consideração o elevado número de reclamações registradas contra as instituições financeiras na plataforma Consumidor.gov.br e junto à Senacon (Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor), vinculada ao Ministério da Justiça.
Fonte: ND Mais