• 15 de setembro de 2026

Fim da ‘taxa das blusinhas’ gera reação em SC com manifesto do setor têxtil: ‘Consequências potenciais para milhões’

Sintex Blumenau alerta para a concorrência desleal e cobra igualdade de condições para produção nacional com o fim da "taxa das blusinhas"

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Fim da ‘taxa das blusinhas’ gera reação em SC com manifesto do setor têxtil: ‘Consequências potenciais para milhões’ Foto: Imagem Iustrativa/Canva/ND Mais

O fim da “taxa das blusinhas” acendeu um sinal de alerta no Vale do Itajaí, um dos principais polos têxteis e de confecção do país, segundo o Sintex (Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e região).

Na última quinta-feira (10), o projeto de lei que acaba com o imposto federal de 20% em compras internacionais online de até US$ 50 foi sancionado pelo presidente Lula (PT).

Representando as empresas locais, o Sintex se uniu a diversas entidades produtivas e sindicais em uma nota de repúdio contra a medida.

Segundo o grupo, a decisão cria uma severa falta de isonomia tributária, beneficiando plataformas de e-commerce estrangeiras em detrimento dos produtos fabricados no Brasil.

As entidades defendem que os fabricantes nacionais enfrentam uma pesada carga de impostos (como ICMS, IPI, PIS e Cofins ), custos com folha de pagamento, infraestrutura e logística, as mercadorias importadas chegam ao consumidor final com tributação favorecida.

“Dia da Dependência das Importações”, classifica setor têxtil sobre fim da “taxa das blusinhas”

O Sintex Blumenau integra a Coalizão Prospera Brasil, grupo composto por mais de 20 associações industriais, comerciais e sindicais que assinaram um manifesto contra a aprovação da Medida Provisória nº 1.357/2026, conhecida como a MP da taxa das blusinhas.

Em posicionamento oficial, a coalizão classificou a decisão como o registro de um “Dia da Dependência brasileira das importações”

As entidades apontam que a concessão de incentivos tributários para pequenas encomendas internacionais, em especial de plataformas asiáticas, amplia a desigualdade competitiva contra a produção nacional.

“Nenhum país constrói sua independência econômica substituindo fábricas por galpões logísticos, produção por importação e empregos nacionais por empregos gerados no exterior”, enfatizou o manifesto conjunto

A grande preocupação das indústrias locais é a substituição da produção brasileira por importações asiáticas.

Leia comunicado contra fim da “taxa das blusinhas” na íntegra

_“Há poucos dias, o Brasil celebrou o Dia da Independência. Hoje, com a sanção do texto aprovado pelo Congresso para a MP nº 1.357/2026, temos razões para registrar uma data muito diferente: o Dia da Dependência brasileira das importações._

_A medida concede tratamento tributário favorecido às pequenas encomendas internacionais, especialmente às mercadorias provenientes de plataformas asiáticas, sem oferecer condições equivalentes aos produtos fabricados e comercializados no Brasil._

_Em poucos minutos de votação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, foram tomadas decisões com consequências potenciais para milhões de empregos, milhares de empresas e inúmeras famílias brasileiras._

_Um tema dessa relevância exigia debate aprofundado, análise rigorosa de impactos e compromisso com o futuro produtivo do País, não uma deliberação apressada, marcada por conveniências eleitorais de curto prazo._

_A indústria e o varejo brasileiros já concorrem em condições profundamente desiguais. Enfrentam juros elevados, uma estrutura tributária complexa, deficiências de infraestrutura, encargos regulatórios e custos de produção que não recaem, na mesma proporção, sobre seus concorrentes internacionais._

_Do outro lado, encontram grandes plataformas e produtores asiáticos beneficiados por escala, subsídios, incentivos e enorme capacidade excedente em busca de mercados._

_A sanção não cria essa desigualdade, mas a amplia. Os efeitos desse desequilíbrio já podem ser observados na queda da produção têxtil e de confecção, na redução dos empregos formais e no avanço das importações sobre o mercado brasileiro._

_Não se trata de uma disputa entre ricos e pobres, entre quem viaja e quem não viaja, nem de uma posição contrária à tecnologia, ao comércio eletrônico ou às plataformas internacionais._

_Somos produtores e também consumidores. O trabalhador que perde o emprego deixa de produzir, mas também perde renda e capacidade de consumir._

_O que defendemos é simples: igualdade para competir. Quem vende ao consumidor brasileiro deve estar submetido a condições tributárias, regulatórias e de fiscalização equivalentes às exigidas de quem produz, investe, emprega e paga impostos no Brasil._

_Nenhum país constrói sua independência econômica substituindo fábricas por galpões logísticos, produção por importação e empregos nacionais por empregos gerados no exterior._

_Este não é um dia para celebrar. É um dia para refletir sobre o modelo de desenvolvimento que estamos escolhendo e sobre o preço que o Brasil poderá pagar por decisões imediatistas._

_Perdemos a votação, mas não a convicção. Continuaremos defendendo a produção, o empreendedorismo, o trabalho e o consumidor brasileiros._

_Continuaremos lutando por um Brasil verdadeiramente independente, inclusive na sua capacidade de produzir”._

_Coalização Prospera Brasil Abicalçados, ABIT, ABVTEX, Abioptica, Assintecal, Ablos, Abrappe, AbMalls, Abrasce, Apice, CNDL, CNTRV/CUT, IDV, Simmesp, Sindevest Maringá, Sintex/RJ, Sinditêxtil/CE, Sintex Blumenau, Sinditêxtil/SP, Sivale, Sindivest Paraná, Sindivest/JF, UGT)._

Com informações/fonte: ND Mais.

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