Presidente avalia potencial do país em disputar espaço na área de inteligência artificial, mas esquivou responsabilidade sobre o financiamento.
Presidente Lula durante discurso em encontro de lideranças da ciências e tecnologia.Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação/ND Mais
O presidente Lula (PT) declarou nesta terça-feira (28), em Niterói, que planeja “derrotar” os Estados Unidos e a China por meio de investimentos em educação e ciência.
A fala ocorreu durante a 78ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). Lula afirmou não querer “briga” com seus dois maiores parceiros comerciais.
“Vocês acham que eu quero brigar com a China? Eu não sou louco. Vocês acham que eu quero brigar com os Estados Unidos? Eu não sou louco”, afirmou o presidente justificando que o Brasil não possui capital bélico como as duas potências.
“Então, em vez de ficar brigando com eles, eu quero derrotá-los, estudando mais do que eles, investindo mais do que eles, pesquisando mais do que eles e me transformando”, completou o presidente.
Lula destacou que o país precisa criar sistemas de inteligência artificial próprios e explorar minerais críticos, como as terras raras.
O petista deixou claro que não quer ficar à margem da disputa pelo protagonismo da inteligência artificial.
Lula em encontro com o presidente da China, Xi Jinping.Foto: Ricardo Stuckert/PR/ND
“A gente vai deixar que a briga fique entre Estados Unidos e China ou a gente vai entrar no meio e dizer: ‘Nós existimos. Nós existimos e o nosso povo não é mais burro do que o povo de vocês’. Nós queremos outro tipo de inteligência artificial. Nós queremos um inteligente artificial que atenda os anseios da humanidade a partir do nosso país”, disse.
Como medida prática, o político pediu aos cientistas presentes a elaboração de um plano focado no desenvolvimento tecnológico para os próximos dez anos.
Ele afirmou que o orçamento atual restringe a aplicação de verbas na área e sugeriu buscar opções de financiamento fora das regras do arcabouço fiscal.
“Isso aqui dentro do orçamento não cabe. Nós vamos ter que construir o funcionamento disso até por fora das coisas que nós conhecemos como arcabosto fiscal. A gente vai ter que pensar aonde arrumar dinheiro extra, porque se a gente não arrumar… O que eu preciso é construir alternativa para criar um programa que a gente possa anunciar ao Brasil”, incentivou.
O plano abrangeria o suporte à saúde pública, a criação de uma nova indústria e o direcionamento de estudantes para cursos universitários específicos.
“E eu tenho consciência de que se a gente não investir em ciência, se a gente não investir em pesquisa, esse país nunca será um país decisivo, um país competitivo, um país capaz de dar um salto de qualidade”, afirmou o petista.
Fonte: ND Mais
Vinicios Souza