Pacote de projetos de lei na Câmara propõe salários mínimos unificados para cinco categorias em todo o país; veja os valores propostos para cada profissão
Pacote de projetos de lei propõe a criação de um piso nacional que varia entre R$ 2.450 e R$ 3.200 para cinco categorias profissionaisFoto: Câmara dos Deputados/Divulgação
Frentistas, garçons, recepcionistas, auxiliares administrativos e profissionais de apoio escolar podem ter pisos salariais nacionais definidos por lei ainda em 2026.
Um pacote de cinco projetos apresentado pelo deputado Vanderlan Alves (Solidariedade-CE) prevê remunerações mínimas entre R$ 2.450 e R$ 3.200 para essas categorias, com reajuste anual e validade em todo o país.
A proposta estabelece diferentes faixas salariais de acordo com cada profissão e busca ampliar a valorização de trabalhadores que atuam em setores considerados essenciais para a economia, os serviços e a educação.
Entre os beneficiados, o maior piso previsto é de R$ 3.200 para profissionais de apoio escolar e auxiliares de inclusão.
Propostas em análise na Câmara proíbem que convenções coletivas fixem valores inferiores ao piso nacional de cada categoriaFoto: Canva/Reprodução
Os projetos estabelecem os seguintes valores mínimos:
O Projeto de Lei 2.743/2026 cria um piso nacional de R$ 2.850 para frentistas e trabalhadores de abastecimento de combustíveis.
Além da remuneração mínima, o texto reforça a obrigatoriedade do pagamento dos adicionais de insalubridade e periculosidade previstos na legislação trabalhista. Segundo o autor da proposta, a atividade expõe os trabalhadores a produtos inflamáveis e outros riscos ocupacionais que justificam uma valorização salarial maior.
Projeto estabelece piso nacional de R$ 2.850 para frentistas e trabalhadores de abastecimento de combustíveisFoto: Leo Munhoz/ND
Pelo Projeto de Lei 2.744/2026, garçons e atendentes de bares, restaurantes, hotéis, cafeterias e lanchonetes passariam a ter piso nacional de R$ 2.700.
A proposta também determina que as gorjetas não poderão ser utilizadas para complementar ou substituir o salário-base dos trabalhadores.
De acordo com o deputado, a categoria desempenha papel estratégico para o turismo, a hotelaria e os serviços de alimentação, mas ainda enfrenta baixos salários em diversas regiões do país.
Proposta fixa piso nacional de R$ 2.700 para garçons e proíbe o uso de gorjetas para complementar o salário-baseFoto: Freepik/Reprodução/ND Mais
O Projeto de Lei 2.742/2026 estabelece piso de R$ 2.450 para recepcionistas e auxiliares de recepção.
A medida contempla profissionais responsáveis pelo atendimento ao público, orientação de visitantes, controle de acesso, atendimento telefônico e outras atividades ligadas à recepção.
Já o Projeto de Lei 2.746/2026 prevê piso nacional de R$ 3 mil para auxiliares administrativos que atuam em empresas privadas, órgãos públicos, hospitais, escolas, indústrias, bancos e estabelecimentos comerciais.
Proposta legislativa prevê piso nacional de R$ 2.450 para recepcionistas e auxiliares de recepção com jornada de até 40 horas semanaisFoto: Freepik/Reprodução/ND Mais
A maior remuneração prevista no pacote é destinada aos profissionais de apoio escolar e auxiliares de inclusão escolar.
O Projeto de Lei 2.745/2026 fixa piso nacional de R$ 3.200 para trabalhadores que auxiliam estudantes com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou necessidades educacionais específicas.
Esses profissionais atuam no suporte à locomoção, alimentação, higiene, comunicação e adaptação escolar dos alunos. Segundo a justificativa do projeto, a categoria desempenha papel fundamental para a educação inclusiva, mas ainda enfrenta baixa valorização profissional e desigualdades salariais em diferentes redes de ensino.
Todos os projetos preveem reajuste anual pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ou outro indicador oficial que venha a substituí-lo.
Além disso, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer salários acima dos pisos nacionais, mas não inferiores aos valores definidos em lei.
As propostas foram apresentadas na Câmara dos Deputados e aguardam o andamento da tramitação legislativa.
Caso sejam aprovadas e sancionadas, quatro dos cinco projetos passariam a valer 180 dias após a publicação da lei. No caso dos profissionais de apoio escolar, a implementação ocorreria no exercício financeiro seguinte à eventual sanção presidencial.
Fonte: ND Mais