Laudo apresentado à polícia afirma que obra foi financiada com recursos privados; nome de Daniel Vorcaro não aparece no documento
Dark Horse mostra trajetória política de Jair Bolsonaro e teve custo declarado de cerca de R$ 75 milhõesFoto: Reprodução/Dark Horse/ND Mais
A produtora responsável pelo filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarou ter investido cerca de R$ 75 milhões na produção e afirmou que a obra não recebeu recursos públicos nem incentivos fiscais. As informações constam em uma perícia privada anexada a um inquérito que investiga suspeitas de uso indevido de verbas públicas no projeto.
O documento foi apresentado pela defesa da empresária Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora do longa. Segundo o laudo, os recursos utilizados teriam origem exclusivamente privada.
Além disso, a defesa informou que avalia adiar o lançamento do filme para depois das eleições de 2026, em meio ao desgaste político provocado pelas investigações e pela repercussão envolvendo o financiamento da produção.
Filme sobre Jair Bolsonaro retrata a ‘jornada do herói’ e mostra personagens reais com nomes alteradosFoto: Reprodução/Dark Horse/ND Mais
O caso é investigado pela Polícia Civil de São Paulo, que apura suspeitas de que recursos públicos possam ter sido desviados de contratos entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama.
Segundo as investigações, parte desses recursos poderia ter sido direcionada à produção de Dark Horse.
A perícia apresentada pela defesa sustenta que não encontrou indícios de uso de dinheiro público, incentivos fiscais, recursos da Lei Rouanet ou verbas oriundas da administração municipal paulistana.
O próprio laudo, no entanto, ressalva que suas conclusões se limitam aos documentos disponibilizados para análise.
De acordo com o documento, os gastos realizados no Brasil somaram aproximadamente R$ 20,9 milhões, enquanto os custos nos Estados Unidos chegaram a cerca de R$ 54,2 milhões.
O investimento total declarado alcança US$ 13,4 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 75 milhões.
A perícia aponta que os recursos teriam sido aportados pelo fundo americano Havengate Development Fund LP, administrado por Paulo Calixto, advogado associado ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente.
Segundo a defesa, os aportes do fundo correspondem ao valor total gasto na produção.
Apesar das discussões sobre o financiamento da obra, o nome de Daniel Vorcaro não aparece na perícia apresentada pela defesaFoto: Agência Senado/Reprodução/ND Mais
O nome do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, não é citado na perícia.
A ausência chama atenção porque o financiamento do filme passou a ser questionado após a divulgação de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra repasses de Vorcaro para a produção.
As investigações também analisam informações sobre pagamentos feitos pelo banqueiro e a possível utilização desses recursos em despesas ligadas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Flávio e Eduardo negam qualquer irregularidade.
O advogado Ricardo Sayeg, responsável pela defesa de Karina Ferreira da Gama, afirmou ter recomendado o adiamento da estreia do longa.
Segundo ele, a medida busca evitar que o filme seja associado ao processo eleitoral.
“Para que não pairem dúvidas sobre a natureza cultural e artística, minha recomendação é que o filme seja lançado depois das eleições”, afirmou.
Karina disse que a sugestão está sendo analisada em conjunto com a equipe da produção nos Estados Unidos.
A empresária já declarou anteriormente que pretende levar Dark Horse à disputa do Oscar em categorias como melhor filme, melhor diretor e melhor ator.
*Com informações da Folha de S.Paulo.
Fonte: ND Mais