A partir de abril, a vacina contra a Covid-19 deverá ser aplicada anualmente em profissionais de saúde, idosos e pessoas imunocomprometidas.
Já o restante da população deverá seguir a orientação de tomar 3 ou 4 doses dependendo da faixa etária, esquema vacinal considerado de "alta efetividade".
O anúncio foi feito pela nova secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde, Ethel Maciel. Em entrevista ao g1, ela disse que:
"Até o momento quem tomou 3 ou 4 doses das vacinas possui alta efetividade contra a gravidade da doença. No entanto, o que nós observamos nessa onda de BQ.1 foi que pessoas em grupos mais vulneráveis tiveram uma maior possibilidade de terem um agravamento da doença, por isso estamos colocando essas pessoas como alvo da vacina bivalente", explica a epidemiologista.
"Mas a gente está olhando com bastante preocupação o que está acontecendo na China", diz Ethel, se referindo à explosão de casos no país asiático após o fim da política de Covid zero, imposta pelo governo desde 2020.
Como mostrou o g1, a situação pode trazer impacto sanitário em outros países, como no Brasil, pois há o risco do surgimento de novas variantes mais transmissíveis e que escapem da proteção que as atuais vacinas dão para casos graves da doença.
Por isso, a inclusão de novos grupos nesse esquema de vacinação anual vai depender do cenário da doença nos próximos meses.
"Hoje não é necessário, mas tudo pode mudar, pois ainda estamos em uma pandemia", destaca a secretária, que também é membro do Grupo Técnico Assessor de Tuberculose no Ministério da Saúde (MS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Durante o último governo, a vacina contra a Covid não foi incluída no Calendário Nacional de Vacinação, que é definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). O cronograma corresponde ao conjunto de vacinas consideradas de interesse prioritário à saúde pública do país.
Até o momento, os imunizantes aprovados pela Anvisa que protegem contra o Sars-CoV-2 somente foram incluídos no plano do governo federal de imunização contra a Covid, o PNO (Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19).
Agora, para evitar o escape dessa proteção nesses grupos de risco, o Ministério da Saúde pretende:
Além de minimizar as mortes pela Covid, um das marcas do ex-presidente Jair Bolsonaro foi os constantes ataques à vacinação. Somado a isso, como também mostrou o g1, as principais vacinas previstas no calendário infantil tiveram uma tendência de queda no Brasil nos últimos 5 anos.
Somente em 2021, vacinas essenciais para os pequenos, como a BCG, a tríplice bacteriana e as contra a hepatite B e a poliomielite tiveram índices abaixo de 73%.
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Fora isso, de acordo com dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), cerca de 69 milhões de brasileiros ainda não receberam a dose de reforço contra a Covid-19.
Além disso, o Ministério da Saúde também informou recentemente que mais de 30 milhões de pessoas não compareceram aos postos de vacinação para receber a segunda dose de reforço e outros 19 milhões também não buscaram a segunda dose do esquema vacinal primário.
Nísia Trindade, a nova ministra da Saúde, afirmou que a pasta irá implementar ações para reverter as baixas coberturas vacinais, como os "embaixadores da vacinação" espalhados pelo Brasil para incentivar a imunização.
Na sua cerimônia de posse em Brasília, a ministra anunciou ainda a criação de uma política de atendimento às pessoas com sintomas pós-Covid.
Durante sua gestão como presidente da Fiocruz, Nísia liderou as ações da fundação no enfrentamento da pandemia de Covid-19 no Brasil, como a fabricação da vacina da AstraZeneca, usada em adultos na campanha de vacinação desde 2021.
Já Ethel atualmente também é referência na pesquisa de doenças infeccionas, como a Covid-19, zika vírus, febre amarela, monkeypox e, em especial, a tuberculose.
A cientista é membro do grupo assessor para eliminação da tuberculose nas Américas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), e também representa o Brasil na Rede Governamental de Pesquisa em Tuberculose dos países do BRICS.
Fonte: G1