Erro na liberação dos corpos fez com que a família de Juliano Guadagnin enterrasse Denner Colodina; Polícia Científica reconheceu o erro e investiga o caso
Corpos trocados no IML em Florianópolis: homem executado por facção foi enterrado no lugar de motociclistaFoto: Divulgação/ND Mais
Um erro no IML (Instituto Médico-Legal) fez com que Denner Dario Colodina fosse enterrado no lugar de Juliano Henrique Guadagnin da Silva. A família de Juliano não pôde reconhecer o corpo antes do velório e foi avisada pela funerária do equívoco. Uma nova cerimônia precisou ser realizada.
Juliano morreu em um acidente de motocicleta no Rio Vermelho, em Florianópolis, em 9 de abril. A cerimônia de despedida ocorreu no dia seguinte. A mãe da vítima descobriu poucas horas após o sepultamento que o corpo de seu filho ainda estava no necrotério e, na verdade, o corpo velado era de Denner.
O IML argumentou que o rosto de Juliano estaria dilacerado por conta do acidente e, por isso, a cerimônia foi realizada com caixão fechado. A mãe dele, por outro lado, apresentou um vídeo gravado no local do acidente que mostrava o contrário.
“Ele sofreu um acidente de moto e, no dia seguinte, fui reconhecer o corpo no IML, mas não me mostraram, disseram que teria que ser caixão lacrado por estar irreconhecível. Mostrei o vídeo do acidente, rebati, mas era a palavra deles e tínhamos que confiar”, declarou Mônica nesta sexta-feira (8) à NDTV RECORD.
Juliano morreu em acidente de motocicleta no Rio Vermelho
Vídeo: Biguaçu Oficial/@biguacuoficial/Instagram
Denner morreu no mesmo dia que Juliano. O homem foi morto com vários tiros de fuzil no bairro Serraria, em São José, e encontrado com o rosto dilacerado. Ele foi executado por uma facção criminosa ao lado de Patrick Nunes Ferreira.
Próximo dos corpos, estava um veículo completamente carbonizado, que possivelmente pertencia a Patrick, que estava desaparecido e era procurado por familiares.
Os dois homens tinham passagens por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Recentemente, os dois haviam sido presos juntos por porte ilegal de arma de fogo, mas foram soltos.
Patrick e Denner foram executados em São José no mesmo dia que Juliano morreuFoto: Divulgação/ND Mais
A família de Denner recebeu uma ligação da funerária horas após o enterro, em que foi informada do erro no IML. As declarações de óbito foram entregues corretamente às famílias. Porém, na hora da destinação dos corpos, foram realizadas trocas. Entenda o que aconteceu:
Corpos trocados no IML: família de Juliano enterrou pessoa errada e precisou fazer novo velórioFoto: Divulgação/ND Mais
Em relato à Polícia Civil, uma funcionária da Funerária Recanto da Paz relatou que, após constatarem o erro, os plantonistas do IML teriam sugerido que o corpo de Juliano fosse velado no lugar de Patrick, visto que nenhuma família iria descobrir.
O relato foi reforçado por uma agente da Funerária Capital, que também foi responsável pelos ritos de despedida. Diante da situação, as funerárias reuniram as famílias das vítimas para esclarecer o que havia ocorrido.
A Polícia Científica de Santa Catarina reconheceu o erro operacional no IML de Florianópolis durante a liberação dos corpos. Em nota, a instituição lamentou o ocorrido e pediu desculpas às famílias afetadas.
Polícia Científica admitiu erro em corpos trocados no IMLFoto: Divulgação/ND Mais
“Importa destacar que o próprio sistema procedimental de controle interno da Polícia Científica foi responsável pela identificação da inconsistência. Detectado o equívoco, foram imediatamente adotadas as providências necessárias para a correção da situação”, afirmou a corporação.
Segundo o texto, o caso segue em apuração interna na Corregedoria da Polícia Científica de Santa Catarina. O objetivo é identificar as causas do ocorrido, identificar responsabilidades e determinar as medidas disciplinares e preventivas cabíveis.
“Foram imediatamente iniciadas revisões nos protocolos e procedimentos operacionais relativos à custódia, identificação e liberação de corpos, com o objetivo de reforçar os controles rígidos já existentes e implementar novas salvaguardas”, destacou a Polícia Científica.
“O episódio ora noticiado representa uma exceção lamentável no histórico da instituição, com medidas imediatas adotadas para que algo semelhante nunca volte a se repetir”, concluiu.
Fonte: ND Mais