Foi realizada nesta sexta-feira (10), no município de Fraiburgo, a Abertura Oficial da Colheita da Maçã, safra 2023. Autoridades, lideranças políticas e representantes do setor rural de Santa Catarina marcaram presença no evento que aconteceu no Hotel Renar e nos pomares da empresa Fisher. O cerimonial iniciou por volta das 10 horas da manhã, e após o almoço aconteceu uma demonstração da colheita em um pomar com a participação dos visitantes.

O prefeito de Fraiburgo, Wilson Ribeiro Cardoso Júnior, destacou que o evento valida a participação efetiva de todo o setor econômico envolvido na produção da maçã. “Conseguimos nesse momento reunir os empresários do agronegócio e lideranças políticas, que antes mesmo do evento podem apresentar demandas e pedidos do setor”, afirmou.
Quem também participou do evento foi o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Valdir Colatto, que também representou o governador Jorginho Mello no evento. “Nós queremos ajudar os agricultores, vamos trabalhar para desatar os nós, diminuir a burocracia, ajudar e incentivar o produtor rural. Nós temos os agricultores mais eficientes do mundo, com o trabalho da Epagri, Cidasc, das cooperativas e da iniciativa privada, precisamos agora resolver os problemas além das porteiras. Temos que levar os mesmos benefícios que temos na área urbana para o meio rural: acesso à internet, energia trifásica, boas estradas e melhores condições de renda. Vamos trabalhar para manter o modelo catarinense, que é único e de excelência”, destaca Colatto.
O deputado estadual, Ivan Naatz, participou do evento pelo quarto ano consecutivo, e reassumiu o compromisso com a região de desenvolver através da maçã outros pontos como o turismo. “Vim para acompanhar o que precisa ser feito e de que forma a Assembleia Legislativa de Santa Catarina pode ajudar a fortalecer essa importante indústria do agronegócio e do turismo”, disse.
O clima contribuiu e a expectativa da Associação Brasileira de Produtores de Maçã – ABPM, é que a safra renda frutos de excelente qualidade de tamanho médio, doces, suculentos e coloridos. Em 2023 a colheita no Brasil deve alcançar um 1.1 mi toneladas. Em termos de volume produzido 65% terão como destino o mercado interno e 5% o mercado externo. O restante será destinado a fabricação de sucos, geleias e desidratados.
Santa Catarina espera uma safra de 570,8 mil toneladas, mais da metade de tudo o que é produzido no país, em 15,3 mil hectares plantados. Segundo o diretor executivo Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), Moisés Lopes de Albuquerque, este ano os produtores irão recuperar os patamares históricos de produção e o clima contribuiu para uma safra diferenciada. “O clima foi favorável para formação de frutos de excelente qualidade. Nessa safra teremos frutas saborosas, crocantes, suculentas, coloridas e aromáticas, da forma que os consumidores gostam”, ressalta. O estado conta com aproximadamente três mil produtores, basicamente agricultores familiares na região de São Joaquim e Fraiburgo. Em Santa Catarina, as principais variedades produzidas são Gala e Fuji.
Dos pomares de Fraiburgo e região sairão 95 mil toneladas da fruta. A colheita da maçã iniciou em janeiro e traz milhares de trabalhadores sazonais para a cidade. Além disso, é um forte atrativo turístico trazendo visitantes que desejam viver a experiência de colher o fruto do pé. Em relação ao turismo, Fraiburgo espera receber neste ano cerca de 25 mil turistas, gerando um movimento econômico superior a R$ 3.5 mi, somente para este setor.
Em valores brutos da produção, a maçã contribui com cerca de 50% da fruticultura estadual, um total de R$ 570 milhões. Para a armazenagem, distribuição e comercialização em mercados atacadista e de varejo, há o envolvimento de outros serviços, que ampliam a contribuição da cadeia produtiva e de comercialização de maçã para mais de R$ 2,5 bilhões anuais na economia catarinense.
A Maçã Fuji da Região de São Joaquim foi a sexta Indicação Geográfica (IG) conquistada por Santa Catarina. A certificação, na categoria de Denominação de Origem (DO), abrange uma área de 4.928 km² nos municípios de São Joaquim, Bom Jardim da Serra, Urupema, Urubici e Painel.
Uma IG atesta que um produto só tem aquelas características porque é produzido de determinada forma, ou porque tem notoriedade na produção. A Denominação de Origem parte do pressuposto de que as características geográficas (naturais e humanas) dessa região determinam a singularidade e a qualidade do produto.
Santa Catarina faz parte da única região do mundo a erradicar a Cydia pomonella. A praga, também conhecida como traça da maçã, pode causar grandes prejuízos aos produtores rurais e está longe do território catarinense há quase 10 anos.
A Cydia pomonella é considerada o pior inseto praga da fruticultura no mundo e mantê-la fora de Santa Catarina exige um trabalho contínuo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e produtores rurais. A abertura de mercados é apenas um dos resultados obtidos após a erradicação da praga, pois a qualidade geral dos frutos também é preservada, uma vez que não é necessário o uso de inseticidas para o controle da doença nos pomares.
Fonte: Rádio Videira