• 6 de julho de 2026

Com 30 mortes, casos de feminicídio aumentam 36% no primeiro semestre do ano em SC

Levantamento feito com dados do Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina aponta 30 feminicídios em Santa Catarina entre janeiro e julho deste ano

[wd_hustle id='1' type='social_sharing'/]

Sapatos vermelhos representaram vítimas de feminicídio em SC em ação da AlescFoto: Ana Quinto/Agência Alesc

Santa Catarina já registrou 30 casos de feminicídio em 2026, um aumento de aproximadamente 36% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 22 mortes de mulheres por razões de gênero.

Dados do Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina, baseados em levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado, mostram que entre janeiro e julho de 2025, o estado havia registrado 22 feminicídios. No mesmo período deste ano, já são 30 casos.

Casos de feminicídio em Santa Catarina chegam a 30 no primeiro semestre do anoCasos de feminicídio em Santa Catarina chegam a 30 no primeiro semestre do anoFoto: Reprodução/ND Mais

O Observatório indica que até maio deste ano houveram 23 feminicídios. De lá para cá, mais sete mulheres foram assassinadas. A última ocorrência foi nesta segunda-feira (6), quando uma mulher foi encontrada nua e com ferimentos graves no canteiro central próximo à SC-281, no bairro Sertão do Imaruim, em São José, na Grande Florianópolis.

A identidade da vítima ainda não foi revelada, mas o caso foi registrado como feminicídio pela PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina). Ela chegou a ser atendida pelo CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina), que fizeram manobras de ressuscitação por 30 minutos, masnão resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.

Mulher morreu após ser encontrada gravemente ferida às margens da SC-281 nesta segunda-feira (6)Mulher morreu após ser encontrada gravemente ferida às margens da SC-281 nesta segunda-feira (6)Foto: SJ Agora/Reprodução/ND Mais

No dia 27 de junho, outro feminicídio chocou Santa Catarina: a vida de Nilséia Aparecida de Carvalho da Luz foi interrompida aos 55 anos. Em entrevista à NDTV RECORD, a filha dela, Daiani Carvalho da Luz afirmou que a vítima foi espancada de forma “extremamente brutal” pelo companheiro, Vitor Hugo Vieira de Jesus, de 28 anos, preso em flagrante.

No dia que foi morta, Nilseia havia terminado uma relação de cerca de um mês com Vitor. Segundo Daiani, desde o inídio o homem já demonstrava comportamento controlador e passou a extorquir a vítima financeiramente. “No segundo dia ele já estava dentro do apartamento, se achando dono. O dinheiro dela começou a sumir. Ela fazia transferências para ele. Ela não gastava nada com ela”.

Daiani afirmou ainda que, após a morte da mãe, a família encontrou mensagens nas quais o suspeito fazia ameaças para que Nilséia não encerrasse o relacionamento.

“Eu digo para todas as mulheres: não fiquem com medo de dar o basta. Eu sei que vão olhar para a história da minha mãe e ver como foi trágica, mas quanto antes vocês saírem de um relacionamento assim, quanto antes derem esse chega, mais fácil será se desvincular dessa pessoa.”

O feminicídio em Santa Catarina

Os números mais recentes do Mapa do Feminicídio, divulgado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) em março deste ano, mostram que a maioria dos assassinatos de mulheres no estado ocorre no contexto de relações afetivas e, em muitos casos, é antecedida por um histórico de violência.

Segundo o levantamento, 71% dos feminicídios registrados em Santa Catarina são classificados como íntimos, ou seja, foram praticados por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

Além disso, 68,9% das mulheres assassinadas já haviam sofrido algum tipo de violência anteriormente, embora essas agressões nem sempre tenham sido formalizadas junto aos órgãos de proteção, saúde ou assistência social.

Lançamento do Mapa do Feminicídio em março deste anoLançamento do Mapa do Feminicídio em março deste anoFoto: MPSC/Divulgação/ND Mais

Para a coordenadora-geral do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres (Neavit), promotora Chimelly Marcon, os dados evidenciam que muitos desses casos poderiam ter sido identificados antes de chegarem ao desfecho fatal.

“A pergunta que os dados nos devolvem é: onde estavam essas vítimas antes do desfecho letal? Onde essa história de violência permaneceu silenciada ou invisível ao longo do caminho? Esses relatos aparecem nos processos, mas, na maioria das vezes, não chegaram aos serviços de proteção, o que evidencia falhas de acesso, informação e acolhimento”, afirmou.

Na apresentação do relatório, a procuradora-geral de Justiça, Vanessa Wendhausen Cavallazzi, destacou que o feminicídio costuma ser precedido por sinais de violência e defendeu o fortalecimento das políticas públicas de prevenção.

“O feminicídio não é inevitável. Ele é precedido por sinais, contextos e trajetórias de violência que podem ser reconhecidos e interrompidos quando o Estado dispõe de conhecimento adequado e de instituições comprometidas com a proteção da vida. Cada dado produzido deve servir a um único propósito: impedir que novas ausências se inscrevam na história”, afirmou.

Fonte: ND Mais

Notícias por e-mail ↓

Receba conteúdos atualizados com prioridade!