Encerramento do processo de registro de candidatura de Bismark Fugazza mantém válidos os votos do Podemos
Foto: Assessoria
A esperança do deputado federal Valdir Cobalchini (MDB) de conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados após as eleições de 2026 sofreu um revés definitivo na disputa envolvendo os votos do candidato Bismark Fábio Fugazza, conhecido como Bismark do Canal Hipócritas, do Podemos. O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) publicou na quinta-feira (15) a certidão de trânsito em julgado do processo de registro de candidatura do influenciador, encerrando a possibilidade de recurso naquela ação.
Bismark recebeu 13.994 votos na disputa para deputado federal. Embora não tenha sido eleito, sua votação foi decisiva para que o Podemos alcançasse o percentual mínimo de 80% do quociente eleitoral, necessário para participar da distribuição das vagas remanescentes. Foi justamente nessa etapa, conhecida como disputa das sobras eleitorais, que a deputada Paulinha, também do Podemos, conquistou uma cadeira na Câmara Federal com 92.598 votos.
A possibilidade de anulação dos votos de Bismark passou a ser acompanhada pelo MDB porque, sem essa votação, o Podemos poderia perder o direito de disputar as sobras eleitorais. Nesse cenário, uma nova totalização poderia beneficiar Cobalchini, que recebeu 99.751 votos, mas não conseguiu garantir a reeleição.
O registro de candidatura de Bismark havia sido questionado pela Procuradoria Regional Eleitoral em razão de uma condenação por apropriação indébita no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), relacionada à comercialização de contêineres federais. Entretanto, os efeitos da condenação para fins de inelegibilidade foram suspensos por uma medida cautelar concedida pela ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Com essa decisão, o TRE-SC aprovou por unanimidade o registro da candidatura. Como não houve recurso da Procuradoria Regional Eleitoral ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o processo transitou em julgado, mantendo a validade dos votos recebidos por Bismark.
Outra possibilidade considerada pelo MDB envolvia a validação dos 27.289 votos recebidos pelo ex-prefeito de Três Barras, Elói Quege, cuja candidatura foi considerada inelegível pela Justiça Eleitoral. Entretanto, mesmo que esses votos fossem contabilizados, o partido não alcançaria a votação necessária para conquistar uma cadeira adicional.
Em vídeo publicado nas redes sociais no dia 11 de outubro, Cobalchini agradeceu os 99.751 votos recebidos e afirmou que continuava buscando alternativas jurídicas para garantir sua permanência na Câmara dos Deputados.
“Eu tenho a esperança de que essa situação seja resolvida para que eu possa continuar o trabalho que eu assumi como propósito de vida”, declarou o parlamentar.
Com o encerramento definitivo do processo de registro de candidatura de Bismark, fica afastada, por essa via judicial, a possibilidade de anulação dos votos que garantiram ao Podemos a participação na distribuição das sobras eleitorais.
Dessa forma, a deputada eleita Paulinha mantém a cadeira conquistada pelo Podemos, enquanto Cobalchini não consegue reverter o resultado eleitoral por meio dessa contestação. Mesmo uma eventual mudança na situação judicial de Bismark no STJ não permitiria, segundo as informações divulgadas sobre o caso, reabrir o processo de registro de candidatura já encerrado no TRE-SC.
Fonte: RBV