O crime aconteceu em junho de 2019 e foi planejado depois que a mulher teria procurado uma cartomante para tentar reatar o relacionamento
FOTO: Divulgação/Comarca de Joinville
A Justiça marcou para esta sexta-feira, dia 27, o julgamento da idosa de 69 anos acusada de mandar matar a atual companheira do ex-marido, em Chapecó. O júri popular havia sido adiado em dezembro do ano passado, depois que a ré precisou ser internada com quadro de depressão grave. Agora, o caso volta ao centro das atenções e mobiliza a comunidade local.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) sustenta a acusação por tentativa de homicídio qualificado, alegando motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
O crime aconteceu em junho de 2019 e, desde então, tramita na Justiça com desdobramentos que envolveram diferentes réus.
Segundo o MPSC, a acusada não teria aceitado o fim do casamento e, movida por inconformismo, decidiu agir contra a nova companheira do ex-marido.
Inicialmente, a idosa procurou uma cartomante na tentativa de reatar o relacionamento. No entanto, como não obteve sucesso, teria passado a planejar o assassinato.
De acordo com a denúncia, o suposto “trabalho espiritual”, que teria custado cerca de R$ 300 mil, não trouxe o resultado esperado. Diante disso, a cartomante teria sugerido a eliminação da rival.
O marido da sensitiva, então, teria contratado um atirador para executar o crime, orientando-o a simular um latrocínio — roubo seguido de morte — para despistar as investigações. Do valor combinado de R$ 35 mil, R$ 15 mil teriam sido pagos de forma antecipada.
O atentado ocorreu durante a tarde, na região central de Chapecó. O executor disparou três vezes contra a vítima, atingindo-a na cabeça. Apesar da gravidade dos ferimentos, a mulher sobreviveu, mas ficou com sequelas permanentes.
Após o crime, o autor dos disparos, de nacionalidade paraguaia, fugiu em uma motocicleta. Entretanto, a polícia o prendeu pouco tempo depois.
Conforme a denúncia, a cartomante ainda teria exigido mais dinheiro da acusada para deixar a cidade com o marido.
Sob ameaça de morte contra ela e o neto, a idosa entregou cheques que somaram R$ 800 mil, sendo que R$ 90 mil foram compensados.
O atirador foi julgado em novembro de 2021 e recebeu pena de 15 anos e 8 meses de prisão em regime fechado. Já o marido da cartomante foi condenado, em 12 de maio de 2022, a 12 anos de reclusão por tentativa de homicídio duplamente qualificada.
Na mesma ocasião, a cartomante foi sentenciada a quatro anos de prisão em regime aberto por extorsão contra a cliente que encomendou o crime. Contudo, ela acabou absolvida da acusação de tentativa de homicídio.
O Ministério Público de Santa Catarina recorreu da decisão, e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina anulou a sentença, determinando a realização de um novo julgamento.
Fonte: RBV