• 8 de julho de 2026

Câmara aprova PEC que muda cálculo do IPVA; imposto poderá deixar de considerar valor do carro

A PEC 3/26 aprovada na CCJ da Câmara prevê que o IPVA deixe de ser calculado pelo valor do veículo e passe a considerar o peso do automóvel

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A CCJ da Câmara aprovou a PEC 3/26, que altera a forma de cálculo do IPVA no BrasilFoto: Reprodução/Câmara Municipal Matupá-MT/ND Mais

A CCJ da Câmara dos Deputados aprovou a PEC 3/26, que altera as regras de cálculo do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). Pela proposta, o imposto deixaria de ser calculado com base no valor de mercado do veículo e passaria a considerar apenas o peso do automóvel.

De autoria do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), a PEC também estabelece que o IPVA não poderá ultrapassar 1% do valor de venda do veículo. O texto ainda permite que os estados criem descontos para carros considerados menos poluentes.

Atualmente, o IPVA é cobrado pelos governos estaduais com base no valor de mercado dos veículos, geralmente utilizando como referência a Tabela Fipe. As alíquotas variam conforme o estado, ficando, em geral, entre 1% e 4%.

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Nova regra do IPVA: imposto pode deixar de considerar valor do carro

O relator da PEC 3/26 na CCJ, deputado Rodrigo de Castro (União-MG), deu parecer favorável à tramitação da proposta. Segundo ele, a comissão analisou apenas os aspectos de constitucionalidade e juridicidade, sem avaliar ainda os efeitos da mudança sobre a arrecadação dos estados.

A discussão sobre o impacto financeiro ficará para uma comissão especial, que será criada para analisar o mérito da PEC. Entre os pontos que deverão ser avaliados estão uma possível redução de receitas, os efeitos sobre a autonomia financeira dos estados e municípios e a necessidade de estabelecer regras de transição.

Câmara aprova PEC que muda cálculo do IPVA; imposto poderá deixar de considerar valor do carroKim Kataguiri afirmou que existem alternativas para compensar uma eventual redução da arrecadaçãoFoto: Câmara dos Deputados/Reprodução/ND Mais

Kim Kataguiri afirmou que há alternativas para compensar uma eventual queda na arrecadação. Segundo o deputado, existem mais de R$ 200 bilhões em possibilidades de compensação, incluindo cortes de benefícios tributários, desonerações e outras despesas.

Críticas ao novo modelo de cobrança

A proposta recebeu críticas de parlamentares contrários à mudança. O deputado Helder Salomão (PT-ES) afirmou que o novo critério poderia gerar distorções na cobrança do imposto.

Segundo ele, um veículo pesado e antigo poderia acabar pagando mais IPVA do que um carro de alto valor, mas com menor peso, como modelos esportivos fabricados com materiais mais leves.

Câmara aprova PEC que muda cálculo do IPVA; imposto poderá deixar de considerar valor do carroAtualmente, o IPVA é calculado pelos estados com base no valor do veículo, usando como referência a Tabela FipeFoto: Canva/ND Mais

Mudança no IPVA ainda depende de votação na Câmara e no Senado

Durante a análise na CCJ, o parecer aprovado recebeu uma emenda que retirou um trecho da PEC que limitava as despesas anuais do Congresso Nacional, das assembleias legislativas, da Câmara Legislativa do Distrito Federal e dos tribunais de contas a 0,4% da Receita Corrente Líquida de cada ente.

Para Rodrigo de Castro, a regra poderia comprometer a autonomia administrativa e financeira dos órgãos públicos.

A proposta, no entanto, manteve um limite para gastos com publicidade institucional dos poderes públicos e do Ministério Público. Essas despesas não poderão ultrapassar 0,1% da Receita Corrente Líquida.

Também fica proibida a publicidade com caráter promocional ou pessoal. Caso os limites sejam descumpridos, o órgão responsável ficará impedido de criar novas despesas, conceder reajustes ou contratar pessoal até regularizar a situação.

Debate sobre justiça fiscal

O presidente da CCJ, deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), defendeu a discussão sobre o atual modelo de cobrança do IPVA. Segundo ele, o veículo deixou de ser apenas um bem de luxo e passou a representar uma ferramenta de trabalho e uma necessidade para muitas famílias.

“O Parlamento é chamado a discutir se determinados modelos de tributação continuam atendendo aos princípios da razoabilidade, da justiça fiscal e da capacidade contributiva”, afirmou.

PEC ainda precisa passar por novas etapas

Apesar da aprovação na CCJ, a PEC 3/26 ainda não virou regra. O texto precisa ser analisado por uma comissão especial da Câmara e, depois, pelo Plenário.

Para ser aprovado definitivamente, precisará receber votos favoráveis em dois turnos na Câmara dos Deputados e ainda passar pela análise do Senado Federal.

Fonte: ND Mais

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