Medida que define regras para o Pix parcelado será adotada visando padronizar a modalidade e uniformizar a experiência do usuário
BC define regras do Pix parcelado em meio à pressão de Trump – Foto: Bruno Peres/Agência Brasil/Reprodução/ND
No fim de setembro, o Banco Central divulgará as regras de funcionamento para o Pix parcelado. Segundo a instituição, a medida será adotada visando padronizar a modalidade e uniformizar a experiência do usuário.
Além disso, o BC frisa que a mudança também servirá para “facilitar o acesso, garantir a transparência e estimular o uso consciente desse crédito”.
Porém, esta tecnologia brasileira também é motivo de embate com os Estados Unidos. O presidente Donald Trump apresentou no começo de julho um documento em que acusa o Brasil de práticas comerciais desleais, determinando a abertura de uma investigação sobre o Pix.
Este processo, segundo a determinação do presidente americano, deverá ser pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos.
O documento de Trump afirma que há vantagens indevidas concedidas pelo governo brasileiro a serviços próprios de pagamento eletrônico, o que prejudicaria a competitividade de empresas americanas do setor.
Embora o Pix não seja citado nominalmente, a referência clara a sistemas criados por órgãos públicos inclui o método instantâneo, hoje onipresente nas transações no país.
Trump afirma que há vantagens indevidas concedidas pelo governo brasileiro a serviços de pagamento eletrônico – Foto: Divulgação/ND
O professor de relações internacionais e cientista político, Maurício Santoro, afirmou ao R7 que o Pix é uma história de sucesso e se tornou o principal meio de pagamento no país.
“Essa expansão prejudicou os interesses das grandes operadoras americanas de cartões de crédito, que perderam mercado por aqui, e provavelmente essas perdas se aprofundarão com a introdução do Pix parcelado”, analisa.
Apesar disso, o cientista político acredita a tecnologia de transferência em tempo real não será motivo para novas sanções.
“Eu classificaria o Pix como um tema secundário no amplo espectro de contenciosos atuais entre Brasil e EUA. Os assuntos de maior peso são o processo contra [Jair] Bolsonaro [ex-presidente do Brasil], a regulação das redes sociais e as atividades do Brics, em particular a possibilidade de iniciativas para substituir o dólar no comércio global”, acredita.
Banco Central anunciará regras para Pix parcelado no fim de setembro – Foto: Reprodução/Shutterstock/ND
Seguindo esta mesma linha, André Braz, economista da FGV Ibre, observa que o mundo não vai fugir da modernização do mercado financeiro.
“Esses produtos financeiros vão andar junto com a tecnologia. À medida que a tecnologia permitir, eles vão evoluir. E o Pix marca um desses saltos. Com ou sem Trump, o Pix veio para ficar. Duvido muito que essa plataforma suma”, declara.
Para o economista, a sofisticação do serviço financeiro faz parte do desenvolvimento e deve ficar cada vez mais dinâmica. Ele lista, por exemplo, as vantagens do Pix parcelado, que vai permitir crédito mais acessível, principalmente para quem não tem cartão ou limite disponível.
“Isso pode democratizar muito o acesso ao crédito. [O Pix parcelado] tem uma liberação imediata. As pessoas que compram parcelado podem se valer dessa modalidade no comércio, mas o vendedor recebe todo o valor à vista, o que torna o negócio bem atraente para vendedores. O comércio vai ter uma boa aceitação”, prevê.
Pix parcelado é parte do desenvolvimento do sistema financeiro – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND
Braz afirma que o Pix parcelado poderá gerar menos dependência das pessoas às operadoras de cartão.
“É o caso que pisa no pé do Trump, pois elimina essas taxas de maquininha e ainda estabelece uma competição saudável com os cartões de crédito, que vão ter que evoluir. O Pix parcelado estimula as operadoras a melhorar suas condições de serviço. É assim que funciona o capitalismo”, frisa.
Apesar dos muitos benefícios, o economista alerta para os cuidados ao usar a ferramenta, o que consiste, principalmente, no risco de endividamento, já que a modalidade equivale a tomar um empréstimo e está sujeito a juros.
“A recomendação que eu faço é usar só em casos extremos, como deve ser até mesmo o uso do cartão parcelado. [As compras] geralmente são o início de uma bola de neve: você parcela uma coisa atrás da outra, compromete sua renda a longo prazo e isso acaba ajudando a família a se enrolar”, pondera.
*Com informações do R7.
Fonte: ND Mais