Advogada de Blumenau acompanhava operação quando mensagens dando indícios do crime foram encontradas
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Blumenau na manhã desta terça-feira (2)Foto: MPSC/ND Mais
Uma advogada criminalista de Blumenau, no Vale do Itajaí, foi presa preventivamente na noite desta terça-feira (2) suspeita de vazar informações sobre a Operação “DNA do Crime”, um desdobramento da Operação Mensageiro, que apura indícios de enriquecimento ilícito de um grupo de empresários em contratos públicos e licitações.
A advogada acompanhava o cumprimento dos mandados de busca e apreensão feitos em Blumenau, quando foi localizado no interior do veículo indícios de uma troca de mensagens entre ela e a investigada sobre os próximos passos da operação.
A suspeita foi presa em flagrante e teve sua prisão convertida para preventiva, sem imposição de medidas cautelares. Ela será investigada pelo crime de impedir ou, de qualquer forma, embaraçar a investigação de infração penal envolvendo organização criminosa, previsto na lei nº 12.850/2013.
A advogada foi encaminhada ao Presídio Feminino de Blumenau. O ND Mais teve acesso à decisão judicial que contava em detalhes sobre as mensagens encontradas que indicavam a possível prática do crime.
Um caderno com anotações referentes a Operação Mensageiro foi encontrado no veículo de uma investigada durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão.
Segundo o TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), o material continha anotações de que a investigada teria sido previamente alertada pela advogada presa. “Veio me avisar que amanhã tem OP GAE de Joinv. em Blu”, contava uma anotação.
A forma como a informação foi repassada também indica a utilização de meios não convencionais para a comunicação entre as suspeitas, com propósito de dificultar a rastreabilidade. “Ela não recebeu nenhuma informação por meio da OAB, provavelmente não é com a gente, comigo especificamente”, conta outra mensagem.
A investigada inclusive teria mudado o destino e teria ido para Itajaí após as informações recebidas. A menção de “pessoas comuns” também acendeu um alerta da Justiça sobre o alcance dos efeitos da informação compartilhada.
Para o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), a advogada presa apresentou uma versão contrária aos fatos. E relatou que tomou conhecimento da existência genérica da operação um dia antes e disse ao MPSC que não tinha informações sobre natureza ou alvos.
Ainda ao MPSC, a suspeita relatou que mantém contato com a investigada por meio de vídeochamada e mensagens sobre assuntos estritamente processual.
E que só suspeitou da proximidade da operação com a suspeita devido a localidade dos mandados de busca e apreensão. E negou ao MPSC a prática de qualquer conduta ilícita.
A investigada pela operação “DNA do Crime” também foi ouvida pela Justiça. Ela relatou ao MPSC que não se recordava do conteúdo ou da finalidade específica. E disse que não teve acesso direto ao material e que sua relação com a advogada é profissional.
As declarações serão analisadas pelo TJSC e a investigação segue em andamento. Caso confirmado o crime, a pena pode chegar a oito anos de prisão e multa.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) fez uma operação na manhã desta terça-feira (2), um novo desdobramento da operação Mensageiro, e cumpriu sete prisões de empresários e 15 mandados de busca e apreensão em empresas e residências de Blumenau e Gaspar, no Vale do Itajaí, e Curitiba, no Paraná.
Os mandados foram expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina contra os suspeitos de integrar uma organização criminosa. Também foram apreendidos 95 veículos pesados e de passeio, além do bloqueio de 19 imóveis e de aproximadamente R$ 66 milhões, decorrentes da lavagem de dinheiro de origem criminosa.
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Blumenau se manifestou sobre a prisão da advogada por meio das redes sociais na manhã desta quarta-feira (3).
“A OAB Blumenau informa que tomou conhecimento dos fatos envolvendo profissional vinculado a atividades institucionais da Subseção, mencionados em procedimento judicial relacionado à operação deflagrada nesta terça-feira.
A Subseção acompanha a situação com seriedade, preocupação e responsabilidade institucional, observando que qualquer análise sobre os fatos deve respeitar o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório e a presunção de inocência.
A OAB Blumenau ressalta que não se pode admitir condenação pública antecipada, especialmente em caso ainda sujeito à apuração pelas autoridades competentes. A instituição seguirá acompanhando os desdobramentos oficiais, com serenidade e respeito às garantias constitucionais asseguradas a qualquer pessoa.
Por fim, a Subseção reafirma seu compromisso histórico com a legalidade, com as prerrogativas da advocacia, com a ética profissional e com a responsabilidade institucional, adotando, se necessário, as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições.
Destaca-se que os procedimentos, tal qual previsto na Lei 8906/94, revestem-se de sigilo legal.“
Fonte: ND Mais