Novo modelo da CNH permite formação sem autoescola, mas etapa final ainda gera custos extras aos motoristas
Candidatos da nova CNH enfrentam dificuldades para agendar a prova prática de forma autônoma nos sistemas dos Detrans estaduaisFoto: Michel Corvello/Ministério dos Transportes/ND Mais
Três meses após o lançamento do programa CNH Brasil, que prometia reduzir custos ao permitir a formação sem autoescola, candidatos relatam estar pagando até R$ 400 apenas para conseguir agendar a prova prática em alguns estados.
A cobrança, segundo entidades do setor, ocorre justamente no exame final do processo, onde ainda há entraves operacionais nos Detrans do país.
Desde dezembro, mais de 3,5 milhões de pessoas se inscreveram para tirar a habilitação pelo novo modelo, que permite aulas com instrutores autônomos e menos exigências formais. Cerca de 30 mil já concluíram o processo e estão com a CNH em mãos. Apesar da adesão expressiva, a implementação não ocorre de forma uniforme em todo o país.
De acordo com a Anit (Associação Nacional dos Instrutores de Trânsito), há gargalos importantes em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Rondônia e Paraná. O principal problema não está no início da formação, que já pode ser feita de forma mais independente, mas sim na dificuldade de acesso ao exame prático.
Com o novo modelo, a média de aulas práticas escolhidas pelos alunos caiu de 20 (obrigatórias anteriormente) para apenas cincoFoto: Lia de Paula/Agência Senado
Na prática, muitos candidatos ficam com o processo da nova CNH travado ao tentar marcar a prova. Diante disso, acabam recorrendo a autoescolas, mesmo após terem realizado todas as etapas anteriores de forma autônoma.
“Em alguns locais, cobram cerca de R$ 399, valor referente a duas aulas e aluguel do carro, apenas para viabilizar o agendamento do exame prático”, afirma Paulo Cesar, presidente da Anit.
O entrave tem origem no próprio modelo anterior, em que as autoescolas concentravam a marcação dos exames. Com a mudança proposta pelo CNH Brasil, essa função deveria ser transferida ao candidato ou ao instrutor independente. No entanto, a adaptação dos sistemas estaduais ainda não foi concluída de forma padronizada.
A resistência é, em grande parte, operacional. Durante décadas, o agendamento de exames foi exclusivo das autoescolas. Agora, essa transição para o modelo autônomo da nova CNH enfrenta barreiras, conforme informações do UOL:
A Senatran iniciou inspeções in loco nos Detrans para investigar restrições que impedem o pleno funcionamento da nova CNH em todo o paísFoto: Agência Brasil/Reprodução/ND Mais
Apesar dos problemas regionais, a Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) defende que o programa é um sucesso estatístico. Dados mostram que os alunos estão optando por uma média de 5 aulas práticas, em vez das 20 que eram obrigatórias anteriormente.
Para resolver os travamentos nos estados, o secretário nacional de trânsito, Adrualdo Catão, confirmou que o governo já iniciou inspeções in loco.
“Os estados precisam explicar por que ainda não fizeram as adaptações necessárias. O problema não é o modelo, é a operação dos sistemas estaduais”, afirmou o secretário.
Fonte: ND Mais