O CRM-SC (Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina) emitiu uma nota técnica informando que a cirurgia de aumento de pênis não tem eficácia em todas as pessoas.
A nota, publicada na terça-feira (31), destaca estudos que demonstraram que as técnicas de alongamento peniano com fins absolutamente estéticos não tem resultados em pessoas com pênis de dimensões consideradas normais.
As Câmaras Técnicas de Urologia e Cirurgia Plástica do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina – CRM-SC realizaram estudo de revisão das publicações científicas relacionadas aos procedimentos médicos de aumento peniano e consideraram que, embora esta seja uma queixa que merece a atenção dos médicos, os tratamentos podem ser arriscados, inseguros e ineficazes se não houver a real necessidade.
A busca por cirurgias de aumento peniano cresceu após a divulgação do procedimento feito pelo cantor sertanejo Tiago Silva, da dupla Hugo e Tiago. O cantor passou por uma operação de aumento de pênis em uma clínica de Blumenau.

Conforme a nota, comprimento médio do pênis é de cerca de 12 a 14 centímetros, porém “até 90% dos homens hiperestimam o tamanho normal e se consideram portadores de um pênis menor que a média”. Ainda segundo o documento, 12% destes homens acreditam que o órgão é pequeno, ou seja, sofrem de “dismorfia peniana” – percepção distorcida da aparência do pênis.
O estudo aponta que, após apresentados aos dados e informações sobre anatomia e intercurso sexual, “86% dos pacientes concordaram que suas preocupações em relação ao tamanho do pênis haviam sido eliminadas. Os 14% restantes receberam aconselhamento psicológico, dos quais 84% desistiram da ideia de buscar aumento peniano”.
A nota do CRM também fala das principais indicações da cirurgia de aumento peniano. Conforme o documento, a intervenção é indicada para pessoas com micropênis verdadeiro, ou seja, menos de 7 centímetros em estado de ereção. “Homens com pênis menor que 7,5 cm em ereção podem se beneficiar de cirurgias de alongamento peniano”, diz a nota.
O CRM orienta à população que este tipo de procedimento não deve ser feito fora de protocolos de pesquisa aprovados por Comitê de Ética e que qualquer denúncia relacionada à realização destes procedimentos em território catarinense tramita sob sigilo, conforme o Código de Processo Ético-Profissional.
O procedimento cirúrgico feito pelo cantor é conhecido como faloplastia. O médico Cláudio Eduardo de Souza, responsável pela cirurgia, explicou que o único tratamento disponível para o aumento peniano é o cirúrgico.
A faloplastia pode aumentar o pênis entre dois e cinco centímetros e, com relação ao diâmetro, é possível aumentar, em média, 30% da formação do pênis do paciente.
“É só com evolução da cirurgia que a gente tem a noção do ganho”, disse o cirurgião. Ou seja, não é possível saber previamente qual o tamanho exato que será aumentado.
O médico explica que, ao chegar na clínica, a principal preocupação apontada pelos pacientes é quanto perder a sensibilidade do órgão ou ter alguma disfunção erétil. O cirurgião esclarece que, quanto a isso, “não há risco para o paciente”.
Cláudio Eduardo de Souza traduz a cirurgia em quatro partes. Primeiro é feita a lipoaspiração, com coleta de gordura na região pubiana ou no abdômen. O segundo passo é soltar o ligamento suspensor do pênis, que prende o órgão ao osso. Neste segundo passo há o ganho de comprimento.
A terceira parte é um avanço de pele da região pubiano para o pênis, processo que aumenta a pele na região. O cirurgião explica ainda que, no último passo, a gordura retirada na lipoaspiração é injetada no pênis, aumentando o diâmetro do órgão.
Fonte: ND Mais