A pandemia do novo coronavírus expôs a necessidade crescente de equipes de saúde aptas a atuar no atendimento de urgência e emergência em centros de alta complexidade, como os CTIs (Centros de Tratamento Intensivo) e UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Desde o começo da pandemia, mais profissionais de saúde de diversas especialidades estão sendo convocados em concursos públicos e hospitais públicos e privados vêm contratando até emergencialmente.
Mas o avanço da disseminação do vírus acentuou também algo que já vinha ocorrendo mesmo antes da pandemia, que é a busca por profissionais versáteis e altamente capacitados, prontos para atuar em diferentes áreas de acordo com o cenário, dentro e fora dos hospitais. Também em áreas como psicologia e fisioterapia o aumento da demanda por mais profissionais é evidente.
Dados do Coren-SC (Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina) mostram que o número de registros de profissionais no Estado (que permite o exercício legal da profissão) já vinha crescendo, e aumentou com a pandemia. De 2018 para 2019 foram 3.900 novos registros (incluindo técnicos, enfermeiros e auxiliares), e de 2019 para 2020 foram 4.870 profissionais registrados. Até 31 de maio de 2021, já foram computados 2.133 novos registros em Santa Catarina.
Com demanda populacional crescente e várias oportunidades de emprego, dificilmente um profissional do ramo fica desempregado. A capacitação contínua também favorece uma melhoria na condição financeira e maior poder de negociação em questões salariais. Porém, a categoria ainda necessita de um salário atrativo e compatível com sua qualificação e os conhecimentos adquiridos através de especializações, mestrados e doutorados.
Acompanhando essa necessidade, o poder público brasileiro tenta aprovar um piso salarial para enfermeiros e parteiras por meio do PL 2.564/2020 que tramita no Senado. O projeto fixa o piso salarial nacional em R$ 7.315 para enfermeiros e valores proporcionais para as demais categorias: 70% (R$ 5.120) para os técnicos de enfermagem e 50% (R$ 3.657) para os auxiliares de enfermagem e as parteiras.
Também prevê, após alterações do texto original, uma jornada normal de trabalho não superior a 30 horas semanais, sendo que a compensação de horários e a redução da jornada podem ocorrer por acordo ou convenção coletiva. Caso seja aprovada, a lei entrará em vigor no primeiro dia do ano seguinte ao de sua publicação.
Capacitação garante qualidade no atendimento aos pacientes – Foto: iStock/ND
Enquanto a lei não é aprovada, municípios e Estados se mobilizam criando propostas de gratificação salarial para funcionários da saúde. Em Garopaba, a Câmara de Vereadores aprovou o PL Complementar 26/2021 apresentado pela Prefeitura (transformado na Lei 2295/2021) e que institui gratificação extraordinária a enfermeiros e técnicos de enfermagem municipais, como retribuição ao enfrentamento da pandemia. As gratificações oscilaram entre R$ 500 e R$ 1.000 para técnicos em enfermagem e entre R$ 1.000 e R$ 2.000 (enfermeiros).
Já o governo do Ceará concedeu gratificação a servidores públicos que atuam diretamente na assistência à saúde de pacientes acometidos com Covid-19. Em vigor desde 1° de março de 2021 até o fim deste ano, a medida beneficia técnicos de enfermagem, enfermeiros e fisioterapeutas, enquanto médicos recebem adicional de risco.
Outro projeto de lei (50/2015), em andamento na Câmara dos Deputados, reforça a importância da formação continuada desses profissionais. Embora ainda não tenha sido aprovado, o PL ganha força com a pandemia, quando pequenas unidades hospitalares veem aumentar suas demandas por atendimentos de urgência e de alta complexidade. Essa capacitação garantiria uma assistência adequada aos pacientes, até que possam ser transferidos para UTIs, resultando em melhor qualidade no atendimento.
Nos últimos dois anos, a procura por especializações nas áreas de Unidade de Terapia Intensiva e Urgência e Emergência aumentou.
Em Santa Catarina, houve grande crescimento na formação pós ensino médio, para os técnicos de Enfermagem, em especial na área de cuidados críticos e na formação para atuar nos domicílios. Em nível nacional, o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) estuda a criação do Pós Tec – Programa de Especialização para Técnicos de Enfermagem, atendendo solicitação dos próprios trabalhadores por mais qualificação.
Sendo assim, o setor de educação também precisou se adaptar oferecendo mais cursos. “Durante a pandemia, tivemos um salto no número de matrículas praticamente em todos os cursos da área de saúde. Os da área de Enfermagem se sobressaem e dentre eles os mais procurados são Enfermagem em Ginecologia e Obstetrícia, Enfermagem em UTI e Enfermagem em Urgência e Emergência, diz a diretora acadêmica da UniBF, Roseane Almeida da Silva.
Para a diretora, a formação continuada é a principal via de acesso a promoções e aumento de salário. “Com mais conhecimento, seja técnico, científico e/ou teórico, um profissional tem mais habilidades e competências para exercer sua função. E tanto na área privada quanto na pública, a realização de cursos de Pós-graduação é um critério para o avanço na carreira, ambos indicando os diferentes níveis: especialização, mestrado e doutorado. Então, sem uma especialização fica muito difícil um profissional almejar uma promoção”, aponta.
O enfermeiro Amorim Gleidson Souza Mota, optou pela modalidade à distância e já concluiu três especializações: Enfermagem em Ginecologia e Obstetrícia, outra em Atenção Primária à Saúde com Ênfase em Saúde da Família e a de Enfermagem de Urgência e Emergência.
Para isso, Amorim escolheu a UniBF. “É uma faculdade de excelência tanto pelo conteúdo exposto na grade curricular quanto pela equipe, sempre atenciosa. Meu tutor sempre estava presente, inclusive aos finais de semana e feriados”, afirma.
“Causou impacto positivo em minha carreira profissional como enfermeiro, pois além de mais conhecimento esses títulos de especialista fazem diferença em processos seletivos e concursos. Sou muito grato à UniBF por realizar meu sonho profissional de ser especialista”, comemora Amorim.
Na UniBF, é possível optar por cursos de pós-graduação à distância 100% online, reconhecidos pelo MEC. “Hoje, temos tecnologias suficientes para a realização de atividades de ensino e de aprendizagem que descartam a presencialidade. Os laboratórios virtuais permitem ao aluno realizar experimentos com os mesmos instrumentos e técnicas como se estivessem em um laboratório físico, inclusive simulando erros para se observar os resultados. Com a realidade aumentada, também é possível observar um órgão do corpo humano, de diversos ângulos, com sua multiplicidade de conexões”, explica Roseane.
Dentre as 16 modalidades oferecidas na área da Saúde, o curso de Enfermagem de Urgência e Emergência é um dos mais procurados. Nele, são trabalhadas as habilidades para situações de risco em ambiente hospitalar, sendo voltado para enfermeiros graduados e demais profissões da área da saúde.
“Além dos hospitais investirem em profissionais capacitados, os enfermeiros especialistas em urgência e emergência ainda têm a possibilidade de atuação no SAMU, hoje disponível em todas as regiões do Brasil, com demanda cada vez mais crescente, bem como, em empresas privadas de atendimento médico móvel”, destaca a diretora.
“Nesse curso, o profissional encontrará um ambiente de aprendizagem direcionado à autonomia dos estudos e flexibilidade de tempo, com embasamento científico, valorizando a tomada de decisão, fator fundamental no cenário da enfermagem de urgência e emergência”, finaliza.
Fonte: ND Mais