• 2 de novembro de 2026
Economia

Disputa entre EUA e China por terras raras coloca Brasil entre os principais destinos de investimentos bilionários

Investimentos bilionários em mineração colocam o país entre os beneficiados pela disputa entre EUA e China

Disputa entre EUA e China por terras raras coloca Brasil entre principais destinos de investimentos Foto: Divulgação/ND - Fonte: ND Mais

A disputa entre Estados Unidos e China pelo controle do fornecimento de minerais estratégicos tem impulsionado investimentos em países que possuem reservas desses recursos.

Entre os principais beneficiados está o Brasil, que aparece ao lado da República Democrática do Congo e do Cazaquistão como um dos países que mais atraem recursos das duas potências.

A análise foi publicada pela revista britânica The Economist, que aponta a corrida por minerais essenciais para a inteligência artificial, a eletrificação e outras tecnologias como um possível novo superciclo de commodities.

O movimento ocorre em meio à busca dos dois países por reduzir a dependência de fornecedores rivais e garantir o acesso a matérias-primas consideradas estratégicas para a economia e a segurança nacional.

Brasil é um dos países mais beneficiados pela rivalidadeFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasil é um dos países mais beneficiados pela rivalidade Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasil recebe bilhões em investimentos na mineração

No Brasil, os investimentos americanos estão concentrados principalmente no setor de terras raras. Em setembro, a empresa USA Rare Earth, que tem participação do governo dos Estados Unidos, assumiu o controle da Serra Verde, única produtora de quatro dos minerais mais raros fora da Ásia.

A companhia já investiu US$ 2,8 bilhões na aquisição da mina. Com um novo pacote de recursos articulado pelo Departamento de Guerra americano e um empréstimo da DFC (Corporação Financeira de Desenvolvimento), o investimento dos Estados Unidos no empreendimento deverá chegar a quase US$ 5 bilhões.

A China também ampliou a presença no setor mineral brasileiro. Segundo a The Economist, empresas chinesas investiram cerca de US$ 6 bilhões no país no ano passado, o maior volume destinado por elas a um único país.

Aproximadamente um terço dos recursos foi direcionado a minas de minerais como níquel, cobre e ouro.

Trump teve que voltar atrás em decisão sobre tarifasFoto: Casa Branca/Molly Riley/Reprodução/ND Mais
Trump teve que voltar atrás em decisão sobre tarifas Casa Branca/Molly Riley/Reprodução/ND Mais

Disputa entre potências movimenta mercado de minerais

A corrida por recursos naturais ganhou força diante da importância dos minerais para a produção de semicondutores, equipamentos tecnológicos e armamentos.

Em maio de 2025, o presidente americano Donald Trump precisou reduzir tarifas impostas a produtos chineses depois que a China restringiu as exportações de sete minerais de terras raras utilizados na fabricação de semicondutores e armas.

Desde então, os Estados Unidos intensificaram os investimentos em projetos de mineração no exterior. Segundo dados citados pela revista, o governo americano e empresas do país destinaram US$ 15,4 bilhões a minas estrangeiras em 2025, valor muito superior ao registrado no ano anterior.

A China, por sua vez, também ampliou os aportes internacionais. Suas grandes mineradoras estatais investiram mais de US$ 30 bilhões no exterior, em um movimento que não era observado desde o início do último superciclo de commodities, há cerca de uma década.

Os cinco países possuem minas antigas que podem voltar a produzirFoto: Divulgação/SGB/ND Mais
Os cinco países possuem minas antigas que podem voltar a produzir Divulgação/SGB/ND Mais

Brasil está entre os principais beneficiados

Além do Brasil, a República Democrática do Congo e o Cazaquistão aparecem entre os países que mais se beneficiam da disputa. Juntos com a Zâmbia e o Canadá, os cinco concentraram quase 80% dos investimentos combinados de Estados Unidos e China em mineração no exterior no ano passado.

A concentração ocorre porque esses países possuem minas antigas, inacabadas ou inativas que podem voltar a produzir em menos tempo e com custos menores do que os necessários para desenvolver novos projetos.

A estratégia também permite que os governos locais negociem melhores condições com as duas potências. Na República Democrática do Congo, por exemplo, autoridades conseguiram ampliar os compromissos chineses de investimento e processamento de minerais no próprio país.

No Cazaquistão, o governo também obteve uma participação maior em um empreendimento de tungstênio negociado com os Estados Unidos.

Presidente chinês Xi JinpingFoto: Reprodução YouTube – Xi Jinping
Presidente chinês Xi Jinping Reprodução YouTube – Xi Jinping

Investimentos enfrentam desafios para atender à demanda

Apesar do aumento dos recursos destinados à mineração, a expansão da produção enfrenta obstáculos. A exploração de novas jazidas pode levar uma década ou mais, enquanto a demanda por minerais estratégicos cresce em ritmo acelerado.

A revista aponta que os investimentos em exploração mineral ainda não se recuperaram dos níveis registrados no último superciclo de commodities. O cenário preocupa especialmente no mercado de cobre, cuja demanda pode superar a oferta em 8% dentro de dez anos.

Nesse contexto, países que já possuem jazidas identificadas e projetos em condições de avançar tendem a sair na frente na disputa por investimentos internacionais.

A análise da The Economist destaca que, embora Estados Unidos e China busquem ampliar suas áreas de influência, países como Brasil, República Democrática do Congo e Cazaquistão não precisam necessariamente escolher um dos lados.

A concorrência entre as potências tem permitido que esses governos negociem acordos e atraiam recursos de ambas.

Com informações/fonte: ND Mais.

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