• 31 de outubro de 2026
Economia

Doença de Newcastle em Santa Catarina: especialistas explicam riscos, prevenção e impactos na avicultura

Entenda os riscos, sintomas e medidas de prevenção da Doença de Newcastle em Santa Catarina após a confirmação de focos em aves comerciais no estado.

Foto: Banco de imagens | Pixabay - Fonte: Portal RBV

A confirmação de casos da doença de Newcastle em aves comerciais no Oeste de Santa Catarina acendeu um alerta no setor agropecuário e mobilizou autoridades sanitárias. Para esclarecer as principais dúvidas da população e dos produtores rurais, o programa RBV Entrevista, da RBV Rádios, recebeu a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, e o professor universitário da UGV de União da Vitória, João Estevão Sebbem.

Durante a conversa, os especialistas explicaram o que é a doença, como ocorre a transmissão, quais medidas estão sendo adotadas para conter os focos e quais são os possíveis impactos para a avicultura catarinense.

O que é a doença de Newcastle e quais são os sintomas?

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que atinge principalmente o sistema respiratório e nervoso das aves. Segundo Celles Regina de Matos, existem diferentes tipos de vírus dentro dessa família, que podem atingir diversas espécies, dependendo das condições de transmissão e do contato entre os animais.

Entre os sintomas que podem aparecer estão secreções nos olhos e no bico, inchaço e alteração na coloração da crista e da barbela, dificuldade respiratória, diarreia e alterações neurológicas. Em alguns casos, as aves podem apresentar dificuldades para caminhar ou permanecer com o pescoço torcido.

A presidente da Cidasc destacou que, nos focos identificados em Santa Catarina, as aves não apresentavam sintomas nem mortalidade. A presença do vírus foi identificada por meio de exames realizados durante atividades de vigilância sanitária de rotina.

Santa Catarina confirmou três focos da doença

O primeiro caso foi identificado em uma granja comercial de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste catarinense. A confirmação ocorreu em 18 de outubro, após análises laboratoriais. Na sequência, as investigações realizadas pela Cidasc, em conjunto com o Ministério da Agricultura e o Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa), identificaram outros dois focos, nos municípios de Coronel Freitas e Nova Erechim.

De acordo com Celice, as propriedades localizadas em um raio de 10 quilômetros dos focos passaram por vistorias e coletas de amostras. Até o momento da entrevista, realizada no fim de outubro, quase 100 estabelecimentos já haviam sido investigados, com duas novas confirmações além do primeiro foco.

A representante da Cidasc explicou que, diante de uma confirmação, é aplicado um protocolo sanitário que inclui a interdição da propriedade, o sacrifício sanitário das aves infectadas, a desinfecção das instalações e um período de vazio sanitário de pelo menos 30 dias. Além disso, as propriedades próximas passam por monitoramento para identificar possíveis novas ocorrências.

Como evitar a entrada do vírus nas granjas?

Um dos principais pontos destacados durante a entrevista foi a importância da biosseguridade nas propriedades rurais. Segundo Celles, a entrada de aves silvestres, especialmente pombos, pode representar uma das formas de introdução do vírus nos aviários. Entre as medidas recomendadas estão:

  • Trocar os calçados antes de entrar nos aviários;
  • Higienizar as mãos e utilizar roupas adequadas;
  • Manter telas, portas e paredes sem aberturas;
  • Evitar que aves silvestres e roedores tenham acesso à ração;
  • Manter a água protegida, com tratamento adequado e caixas fechadas;
  • Restringir a entrada de visitantes nas propriedades;
  • Reforçar os cuidados com equipamentos e materiais utilizados nos aviários.

A orientação é que os produtores reforcem os procedimentos de prevenção, mesmo quando não existem sinais aparentes da doença.

Consumo de carne de frango e ovos oferece riscos?

Uma das principais dúvidas da população envolve a possibilidade de transmissão da doença pelo consumo de produtos de origem animal. Durante a entrevista, Celles tranquilizou os consumidores e afirmou que não há risco no consumo de carne de frango e ovos.

O professor João Estevão Sebbem também explicou que a transmissão para humanos é possível, mas ocorre principalmente pelo contato direto com aves infectadas, especialmente em ambientes de criação e trabalho. Segundo o especialista, os casos em humanos costumam provocar conjuntivite leve, dor de cabeça e aumento da temperatura corporal. O quadro geralmente apresenta evolução limitada.

O professor reforçou a importância de evitar o contato com aves doentes ou encontradas mortas. A recomendação é não tocar nos animais e comunicar os órgãos oficiais para que seja realizada a avaliação adequada.

Doença de Newcastle provoca impactos nas exportações de Santa Catarina

Outro assunto abordado foi a repercussão dos casos no comércio internacional de produtos avícolas. Conforme explicado por Celles, alguns países estabeleceram restrições temporárias à compra de aves brasileiras após a confirmação da doença. Entre os exemplos citados estão México e Malásia, que adotaram medidas mais amplas, enquanto outros mercados optaram por restrições específicas a Santa Catarina.

A presidente da Cidasc destacou que o Estado exporta frango para mais de 130 países e que a maior parte dos mercados continua recebendo os produtos normalmente. Ela também explicou que as agroindústrias podem reorganizar os destinos da produção, direcionando determinados volumes para outros estados ou mercados que não estabeleceram restrições.

O professor ressaltou a importância econômica da avicultura catarinense e lembrou que Santa Catarina está entre os principais estados exportadores de aves do Brasil. Segundo ele, as restrições comerciais podem provocar impactos econômicos, mas a adoção dos protocolos sanitários é fundamental para reduzir os prejuízos e recuperar a confiança dos mercados internacionais.

Quando a situação deve ser considerada controlada?

De acordo com a presidente da Cidasc, o encerramento oficial do episódio depende do cumprimento dos protocolos e do acompanhamento sanitário após a identificação do último foco. O procedimento prevê um período de 90 dias após o último resultado positivo, sem novas identificações, para que a situação possa ser considerada encerrada, conforme os critérios estabelecidos pelas autoridades sanitárias.

Celles destacou que a identificação precoce dos casos e o cumprimento das medidas são fundamentais para evitar que a doença se espalhe para outras propriedades e comprometa a produção estadual.

O professor João Estevão Sebben também ressaltou que situações como essa reforçam a necessidade de atenção permanente à saúde animal, tanto nas propriedades comerciais quanto nas pequenas criações domésticas. A orientação dos especialistas é que qualquer alteração no comportamento ou na saúde das aves seja comunicada imediatamente aos órgãos oficiais, especialmente à Cidasc e aos serviços de vigilância do município.

Com informações/fonte: Portal RBV.

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