• 9 de outubro de 2026

Pesquisas demonstram regularidade dos preços dos combustíveis no Meio-Oeste catarinense

Diretor do PROCON de Videira explica a fiscalização realizada pelo órgão estadual

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Foto: Divulgação

No último dia 7 de outubro, o PROCON estadual divulgou amplamente em suas redes sociais e aos veículos de imprensa que realizou a notificação de 22 postos de gasolina no Estado no bojo de uma ação fiscalizatória com intuito de coibir o aumento injustificado do preço dos combustíveis. Entre esses 22 postos notificados estariam 7 estabelecimentos situados no meio-oeste, nas cidades de Videira, Joaçaba, Caçador, Arroio Trinta, Tangará e Santa Cecília.

Diante dessas informações, o Portal RBV, por meio de seu jornalismo, decidiu por pesquisar mais a fundo a situação, fazendo uma pesquisa dos preços efetivamente praticados no Estado, segundo levantamentos oficiais da Agência Nacional do Petróleo, bem como buscando informações junto ao PROCON estadual e ao PROCON do Município de Videira.

Nas buscas feitas com base nos relatórios de preços da ANP, confeccionados entre os dias 27/09 e 03/10 de 2026, apurou-se que os preços praticados na região do meio-oeste estão condizentes com a média dos preços praticados no Estado.

Observa-se que a cidade de Joinville possui o combustível, em média, mais barato que as demais regiões, e isso de início pode gerar dúvidas quanto à fixação dos preços pelos postos do centro-oeste, no entanto, essa diferença entre os preços de Joinville e os preços dos postos do interior em geral possui justificativas bastante plausíveis.

1) Logística: gasolina e diesel saem da refinaria de Araucária (PR) para bases em Itajaí, Guaramirim (vizinha de Joinville) e Biguaçu. O interior fica a centenas de quilômetros dessas bases, tendo maior custo de frete.

2) Concorrência e volume de combustível comercializado: Joinville é a maior cidade do estado, com muitos postos, o que tende a reduzir a margem dos estabelecimentos, em busca de clientela, sem mencionar que o volume comercializado por estabelecimento costuma ser maior, o que tende a diminuir ainda mais o valor de compra pelo estabelecimento, o que reflete também no preço final.

O que não fica claro, porém, são os motivos pelos quais o valor dos combustíveis em Florianópolis, distante 25 quilômetros da base de distribuição de Biguaçu, e de Itajaí, que possui base de distribuição de combustíveis na própria cidade.

Biguaçu, por exemplo, vende sua gasolina a um preço médio (pesquisa feita entre 27/09 e 03/10) de R$ 5,95, enquanto em Florianópolis, município vizinho, a gasolina é vendida a um preço médio de R$ 6,74, R$ 0,27 a mais do que a média estadual R$ 0,79 acima do preço médio do praticado pela cidade lindeira.

Itajaí, que possui base própria de recebimento, está mais alinhada à médias estaduais, vendendo sua gasolina a preço médio de R$ 6,56; no entanto, considerando possuir base própria como Joinville e Biguaçu, o preço tenderia a ser mais baixo, seguindo a linha do que ocorre nas cidades que recebem o combustível direto das refinarias.

Diante dessas apurações, o Portal RBV decidiu por buscar esclarecimentos por parte do PROCON Estadual e do PROCON municipal a respeito das notificações realizadas no meio-oeste.

Daniel Argenta Coelho, Diretor do PROCON Municipal de Videira, em entrevista concedida ao repórter Fabiano Trindade na tarde do dia 08/10/2026, explicou como ocorre o acompanhamento dos preços dos combustíveis e apresentou os resultados de uma pesquisa realizada pelo órgão municipal em Videira e região.

1. Fiscalização do Procon estadual

Segundo Daniel, a fiscalização divulgada pelo Procon estadual segue uma orientação da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e de órgãos nacionais de defesa do consumidor. O objetivo é levantar os preços praticados nos postos e reunir informações para comparação em âmbito nacional.

Ele afirmou que os valores variam entre estados e postos, citando a tributação, os custos de transporte, o funcionamento durante 24 horas e o uso de transporte próprio ou contratado. Na avaliação de Daniel, as notificações do órgão estadual têm foco no levantamento e na análise econômica dos preços, não na autuação pela constatação de preços abusivos. Ele também mencionou a liberdade dos estabelecimentos para definir seus valores, liberdade essa inerente ao livre comércio e prevista na legislação nacional.

2. Atuação do Procon municipal

O Procon de Videira realizou uma pesquisa de preços em estabelecimentos do município e da região, comparando os resultados com informações de outros Procons catarinenses. Segundo Daniel, os valores encontrados estão dentro dos parâmetros observados nessa comparação.

O órgão também fiscalizou recentemente a qualidade dos combustíveis e a quantidade fornecida pelas bombas, sem identificar anormalidades. Daniel ressalvou que, após a mudança federal que aumentou a proporção de álcool na gasolina, ainda não havia sido feita uma nova fiscalização específica. Ele anunciou uma próxima verificação para conferir o cumprimento dos parâmetros legais nos próximos meses.

3. Preços em Videira e região

De acordo com Daniel, a pesquisa local não encontrou preços acima de R$ 7 por litro, com exceção dos combustíveis de alta octanagem, como a gasolina Podium, que não é comercializada em todos os postos.

Ele afirmou que Videira e região mantêm preços próximos entre si e inferiores aos encontrados em outros municípios catarinenses, inclusive em postos do litoral. A pesquisa pode ser solicitada pelos consumidores no Procon de Videira, localizado na Casa do Cidadão do Município.

Já o PROCON estadual, muito embora contactado por e-mail, e após diversas tentativas de contato por telefone, não respondeu aos questionamentos do Portal e não deu retorno ao pedido de explicações.

Abaixo, segue íntegra da pesquisa de preços realizada, bem como as fontes utilizadas.

Fonte: RBV

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