Transplantes em Santa Catarina são referência nacional. Estado tem 45 doadores por milhão e reduziu a taxa de recusa familiar para 31%.
Santa Catarina tornou-se, nas últimas duas décadas, referência nacional na política de transplantes, com números reveladores de uma política de estado: em 15 anos, liderou as estatísticas nacionais, e nos demais ficou com o segundo lugar.
O médico Joel de Andrade atua como coordenador da Central Estadual de Transplantes – SC Transplantes desde 2005, e credita o sucesso a uma equipe integrada por 30 profissionais da logística técnica e aos mais de 300 coordenadores de equipes de captação, médicos e enfermeiros intensivistas distribuídos em 73 unidades hospitalares “doadoras” da rede de saúde estadual – um time que atua 24 horas, todos os dias do ano.
Na outra ponta, estão hospitais onde são realizados transplantes, em Blumenau, Joinville, Chapecó, Itajaí, Criciúma, São José e Florianópolis.
As conquistas se refletem em vidas salvas, ou em significativos avanços na qualidade de vida de quem precisa de um transplante. Santa Catarina atualmente registra 45 doadores efetivos por milhão de população (pmp), a maior taxa do Brasil, enquanto a média nacional ficou em apenas 20,3 pmp.
Com a “cultura de doação de órgãos” criada a partir do treinamento e organização dos profissionais de saúde, a taxa de recusa à doação de órgãos por familiares caiu de 70% em 2007, para 32% em 2025, diante de abordagens adequadas de equipes de assistência hospitalar. O índice no Brasil é de 45% de recusa.
Este ano, até agosto, a taxa de recusa ainda reduziu mais, chegando a 31%.
O cenário que torna Santa Catarina referência nacional em doação de órgãos
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15 anos
Na Liderança Nacional
Tempo em que o estado liderou as estatísticas brasileiras (ocupando o segundo lugar nos demais períodos).
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45 pmp
Doadores Efetivos
Por milhão de população, consolidando a maior taxa do Brasil (a média nacional é de apenas 20,3).
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31%
Taxa de Recusa
Índice atualizado de famílias que recusam a doação, caindo expressivamente frente aos 70% registrados em 2007.
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73
Hospitais Doadores
Unidades da rede de saúde estadual mapeadas e estruturadas para o acolhimento e captação de órgãos.
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+300
Profissionais de Captação
Coordenadores de equipes, médicos e enfermeiros intensivistas integrados atuando 24 horas todos os dias.
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Polos de Transplante
Cidades equipadas para realizar as cirurgias: Blumenau, Joinville, Chapecó, Itajaí, Criciúma, São José e Florianópolis.
Joel aproveitou sua experiência de 10 anos como intensivista em hospitais para promover uma inversão na lógica no sistema, que tinha baixo desempenho e determinava a remoção da maior parte dos pacientes para outras regiões. Ele avaliou o cenário e trouxe à realidade catarinense uma adaptação do modelo espanhol, líder mundial em transplantes.
O modelo apregoa uma firme coordenação profissionalizada dentro dos hospitais, em reforço à legislação de consentimento presumido das doações. O sistema treina e insere os médicos e enfermeiros especialistas em terapia intensiva (UTIs), como coordenadores de transplantes dentro dos hospitais, aprimorando a comunicação em situações críticas.
“Os profissionais identificam precocemente potenciais doadores e se aproximam das famílias, demonstram empatia e acolhimento, e na hora certa, quando ocorre a morte encefálica, oferecem a possibilidade de doação, que costuma resultar em atos de generosidade”, diz o médico.
Na outra ponta, a organização do sistema público gerencia de forma centralizada as listas de espera, logística de transporte e distribuição de órgãos. “Há casos em que numa única doação mobilizamos até três aeronaves para o transporte de órgãos”, conta Joel, lembrando que a SC Transplantes atua em conjunto com toda a rede de apoio da segurança pública e não dispõe de estrutura de transporte aéreo própria.
_“O serviço público ensina que as conquistas não são atos heroicos, mas fruto de planejamento, persistência e negociação”._
Joel de Andrade Médico e coordenador da Central Estadual de Transplantes – SC Transplantes
A Assembleia Legislativa acompanha de forma permanente as questões associadas a demandas que envolvem campanhas por transplantes, as ações do setor público para atender pacientes e já aprovou legislações em estímulo à doação de órgãos e benefícios a doadores.
Lei nº 14.930/2009
Institui a “Semana de Esclarecimento e Incentivo à Doação de Órgãos” nas escolas públicas estaduais.
Lei nº 19.250/2025
Garante o atendimento preferencial em estabelecimentos comerciais e em eventos patrocinados pela administração pública a pessoas doadoras de órgãos e sangue portadoras de documento pessoal que as identifiquem como tal.
Por que Santa Catarina é referência nacional em transplantes?
Santa Catarina liderou as estatísticas nacionais durante 15 anos e, nos demais períodos, ficou em segundo lugar. O estado registra atualmente 45 doadores efetivos por milhão de população.
Qual é a taxa de doadores de órgãos em Santa Catarina?
São 45 doadores efetivos por milhão de população, enquanto a média nacional é de 20,3.
Qual é a taxa de recusa familiar à doação de órgãos em Santa Catarina?
A taxa, que era de 70% em 2007, caiu para 32% em 2025 e chegou a 31% até agosto deste ano.
Como funciona o modelo catarinense de captação de órgãos?
O sistema conta com profissionais especializados dentro dos hospitais para identificar potenciais doadores, acolher as famílias e coordenar o processo de doação, além de uma estrutura centralizada para administrar listas de espera, transporte e distribuição dos órgãos.
Em quais cidades catarinenses são realizados transplantes?
O texto identifica hospitais que realizam transplantes em Blumenau, Joinville, Chapecó, Itajaí, Criciúma, São José e Florianópolis.
_Foto: Solon Soares / Agência Alesc_
Com informações/fonte: Agência AL — ALESC.