Bebê queimado com água quente, de 1 ano e 9 meses, passou por hospitais de três cidades do Meio-Oeste em busca por atendimento
Um bebê de 1 ano e 9 meses, morador de Zortéa, no Meio-Oeste de Santa Catarina, sofreu queimaduras de segundo grau provocadas por água quente e, segundo relatos apresentados por autoridades do município, passou cerca de cinco horas em busca de atendimento médico.
A criança teria passado por unidades de saúde de Zortéa, Capinzal e Joaçaba antes de ser encaminhada para Campos Novos.
O caso aconteceu na noite de domingo (13) e foi levado à Câmara de Vereadores de Zortéa pelo presidente do Legislativo, Maicon Martinazzo.
A secretária municipal de Saúde, Cássia Regina Romani, também relatou o episódio em entrevista à Rádio Capinzal e afirmou que o município está cobrando esclarecimentos do Hospital Nossa Senhora das Dores, em Capinzal.
Após o acidente doméstico, a família levou a criança até uma Unidade Básica de Saúde de Zortéa. Conforme a secretária de saúde, o atendimento ocorreu durante a noite, quando a unidade é coordenada pela equipe do Anjos da Vida.
No local, o bebê recebeu os primeiros cuidados e, posteriormente, foi encaminhado ao Hospital Nossa Senhora das Dores, em Capinzal.
De acordo com as informações divulgadas pela Rádio Capinzal, a criança foi recebida no hospital, onde recebeu medicação para aliviar a dor e aplicação de pomada nas áreas atingidas pelas queimaduras.
Segundo a secretária Cássia Regina Romani, posteriormente o município teria sido informado de que o hospital não poderia dar continuidade ao atendimento por suposta falta de convênio com Zortéa.
A secretária contestou a justificativa e afirmou que o contrato permanece vigente até dezembro deste ano.
Em entrevista à Rádio Capinzal, Cássia afirmou que a informação de que não haveria convênio ativo entre o município e o hospital não corresponde à situação contratual.

“Isso é uma inverdade, porque nosso convênio se mantém ativo até dezembro desse ano”, declarou.
O presidente da Câmara, Maicon Martinazzo, também contestou a justificativa. Segundo ele, existe um contrato entre Zortéa e o Hospital Nossa Senhora das Dores com vigência até dezembro e valor de R$ 59 mil para atendimento da população do município.
“Foi negado, recusado o atendimento porque Zortéa não teria um convênio ativo com o Hospital de Capinzal, o que, na verdade, é uma mentira”, afirmou o vereador em manifestação publicada pela Câmara.
A informação sobre o contrato e as circunstâncias do atendimento ainda devem ser esclarecidas pelo Hospital Nossa Senhora das Dores.
Após a passagem pelo hospital de Capinzal, Maicon afirmou que a família levou a criança ao HUST (Hospital Universitário Santa Terezinha), em Joaçaba.
Segundo o presidente da Câmara, o bebê teria chegado à unidade sem encaminhamento médico e, conforme o relato apresentado por ele, também não teria recebido o atendimento necessário naquele momento.
Depois disso, a Secretaria de Saúde de Zortéa buscou uma alternativa junto ao Hospital Dr. José Athanázio, em Campos Novos.
A unidade recebeu a criança e providenciou a internação.
De acordo com a secretária de Saúde, o bebê queimado permanece internado em Campos Novos. A previsão informada pelo município era de transferência para uma UTI enquanto a criança aguardava uma vaga em um hospital de referência especializado no tratamento de queimaduras.
“Capinzal é porta aberta. Poderia ter regulado essa criança, internado ela, feito um atendimento mais profundo com médicos competentes que temos no Hospital de Capinzal”, declarou.

Ao relatar o caso na Câmara, Maicon Martinazzo chamou atenção para o tempo que teria sido necessário até que o bebê conseguisse atendimento.
“Essa criança ficou cinco horas com queimaduras de segundo grau sofrendo dor”, afirmou o presidente da Câmara.
O vereador também disse que a família passou por diferentes unidades hospitalares em busca de atendimento para a criança.
Após o episódio, a Prefeitura de Zortéa informou que formalizou a ampliação do convênio com o Hospital Dr. José Athanázio, em Campos Novos, para possibilitar o encaminhamento de pacientes do município à unidade.
Além disso, o setor jurídico da prefeitura encaminhou oficialmente uma nota ao Hospital Nossa Senhora das Dores solicitando esclarecimentos sobre o atendimento prestado ao bebê queimado e sobre as circunstâncias que teriam levado à interrupção da assistência.
Segundo a Prefeitura, o departamento jurídico também deverá encaminhar uma denúncia ao MP (Ministério Público) para que os fatos sejam apurados.
A Câmara de Vereadores de Zortéa também informou que deverá elaborar uma nota de repúdio ao Hospital Nossa Senhora das Dores e buscar esclarecimentos sobre o caso.
Procurada pela reportagem, a direção do Hospital Nossa Senhora das Dores informou que não se manifestaria naquele momento e que o caso seria analisado pelo departamento jurídico.
O espaço permanece aberto para manifestação da instituição.
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Com informações/fonte: ND Mais.