Durante evento em Caldas Novas (GO), empresário chamou o fim da jornada de seis dias por um de descanso como “medida eleitoreira” e apontou possíveis impactos nos preços
Luciano Hang criticou o fim da escala 6×1 durante a inauguração da 196ª loja da HavanFoto: Havan/Divulgação
O empresário Luciano Hang, dono da Havan, criticou o fim da escala 6×1 durante a inauguração da 196ª loja da rede, em Caldas Novas (GO), no sábado (29). Diante dos funcionários, ele chamou a proposta como uma “medida eleitoreira” e afirmou que os defensores da mudança estariam em busca de votos.
“Querem enganar você com o fim da escala 6×1. Eles querem o voto de vocês em outubro”, disse Luciano Hang durante as boas-vindas aos trabalhadores da nova unidade.
Segundo o empresário, uma eventual mudança da escala 6×1 para o modelo 5×2 também aumentaria os custos da Havan com mão de obra. A estimativa apresentada por ele é de uma alta de cerca de 15%, devido à necessidade de contratar mais trabalhadores para manter a operação.
A Havan se aproxima de 25 mil funcionários e projeta faturamento de R$ 22 bilhões em 2026.
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Luciano Hang afirmou que os defensores do fim da escala 6×1 estariam buscando votos nas eleições de outubroVídeo: Reprodução/X
O “Védio da Havan”, como é conhecido, afirmou que o aumento dos custos com pessoal poderia ser repassado aos preços dos produtos. Na avaliação do empresário, isso reduziria o poder de compra dos trabalhadores que passassem a cumprir uma jornada menor sem aumento salarial.
“Ah, mas eu vou trabalhar 5×2 e ganhar a mesma coisa. Ok. Mas se você ganha a mesma coisa e os produtos vão subir entre 10% e 15%, vocês vão ter poder de compra menor”, afirmou.
Na sequência, Hang disse que trabalhadores poderiam precisar buscar outra fonte de renda para manter o mesmo padrão de consumo.
“Vocês vão arranjar um subemprego. Ou seja, vão ter que trabalhar mais para comprar o que estão comprando hoje. Isso é estelionato eleitoral”, declarou.
O empresário também defendeu que o trabalhador tenha liberdade para decidir quanto deseja trabalhar, em vez de a definição ser feita pelo Congresso.

Esta não é a primeira vez que Luciano Hang se manifesta contra o fim da escala 6×1. Em novembro de 2024, o empresário classificou a proposta como “populismo”. Em maio deste ano, voltou a criticar a mudança.
“O fim da escala 6×1 é um retrocesso para o Brasil. O brasileiro não quer trabalhar menos. O brasileiro quer ganhar mais, crescer na vida e dar uma condição melhor para a família”, afirmou na ocasião.
A proposta que prevê mudanças na jornada de trabalho deve ser analisada na quarta-feira (2) pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.
O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável à proposta na quinta-feira (27) e rejeitou as 12 emendas apresentadas pelos senadores. A estratégia é manter o texto aprovado pela Câmara dos Deputados para evitar que a matéria precise retornar à análise dos deputados.
Pelo texto em discussão, os trabalhadores terão direito a dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos. A proposta também prevê que o salário não seja reduzido em razão da diminuição da jornada.
A mudança seria implementada de forma gradual. Dois meses após a promulgação da PEC, a jornada máxima semanal passaria de 44 para 42 horas. Um ano depois, seria reduzida definitivamente para 40 horas semanais.
Caso seja aprovada na CCJ, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) ainda precisará passar por dois turnos de votação no Plenário do Senado. Para avançar, serão necessários pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno.
Fonte: ND Mais