Ayla foi encontrada após mais de 48 horas de investigação e está sob proteção do Conselho Tutelar.
Foto: Reprodução/ Polícia do Paraguai
A bebê Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de 28 dias, foi resgatada na madrugada deste domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A recém-nascida havia sido sequestrada em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, na quinta-feira (6).
Após mais de 48 horas de buscas, equipes brasileiras e paraguaias localizaram a criança em uma residência e prenderam um casal de brasileiros que estava no imóvel.
Ayla já foi repatriada e está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã (MS). Segundo o órgão, a bebê está bem, saudável e em segurança.
A família deverá receber acompanhamento da rede de proteção a partir desta segunda-feira (10). Enquanto isso, o Conselho Tutelar acompanha a situação até que sejam definidos os próximos encaminhamentos.
As circunstâncias do desaparecimento começaram a ser esclarecidas a partir do depoimento da mãe de Ayla, uma adolescente de 17 anos.
Segundo o relato prestado à polícia, a jovem conheceu uma mulher em um grupo de venda de roupas infantis. Essa mulher teria oferecido R$ 100 para que a adolescente cuidasse da filha dela.
A mãe aceitou a proposta e foi até uma residência no Bairro Universitário, em Campo Grande. Ela estava acompanhada da irmã, de 12 anos, e levou Ayla ao local.
Entretanto, segundo o depoimento, a situação mudou quando elas chegaram à casa. A adolescente afirmou que havia aproximadamente dez homens no imóvel.
De acordo com o relato, a jovem foi ameaçada e obrigada a entregar a filha. Ela também afirmou ter ouvido ameaças de que ela e a irmã seriam “jogadas em um buraco” caso se recusassem a entregar a bebê.
As duas deixaram a residência por volta de 1h da madrugada de sexta-feira (7). O celular da adolescente também teria sido levado.
A partir do desaparecimento, a Polícia Civil iniciou uma investigação para identificar os responsáveis e descobrir para onde Ayla havia sido levada.
Diante do desaparecimento da recém-nascida, o Ministério da Justiça acionou o sistema Amber Alert Brasil na sexta-feira (7).
Essa foi a primeira vez que a ferramenta foi utilizada em Mato Grosso do Sul. O mecanismo amplia a divulgação de casos envolvendo crianças desaparecidas e busca acelerar a localização das vítimas.
Paralelamente ao alerta, equipes da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) passaram a realizar levantamentos e cruzar informações.
A investigação também contou com agentes do Garras, da Defurv e da Delegacia Regional de Ponta Porã.
Durante as diligências, os investigadores identificaram indícios de que a bebê poderia ter sido levada para o Paraguai.
Com essa informação, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul acionou os mecanismos de cooperação policial com o país vizinho e compartilhou os dados obtidos durante a investigação.
As informações foram repassadas às equipes que atuam na região de Pedro Juan Caballero. A partir do cruzamento dos dados, as autoridades paraguaias conseguiram identificar o imóvel onde havia suspeita de que a criança estivesse.
Por volta de 1h15 deste domingo, equipes do Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, com apoio do Grupo Antissequestro, da Direção de Polícia do Amambay e de operadores táticos, cumpriram um mandado de busca na residência.
Ayla foi encontrada no local acompanhada de um casal de brasileiros. Suzilaine Da Graca Costa e outro homem foram presos durante a operação.
Os policiais também apreenderam celulares, documentos e um veículo. Os materiais deverão ser analisados pelas equipes responsáveis pela investigação.
Após o resgate, Ayla foi encaminhada para atendimento médico. Posteriormente, a criança foi repatriada para o Brasil e passou aos cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã.
O órgão informou que a bebê está bem, saudável e em segurança.
A família será acompanhada pela rede de proteção a partir desta segunda-feira. O objetivo é garantir assistência durante os próximos procedimentos relacionados ao caso.
Enquanto isso, os dois suspeitos presos no Paraguai devem ser encaminhados de volta a Mato Grosso do Sul para serem ouvidos pelas autoridades brasileiras.
A investigação é conduzida pela Depca, que busca esclarecer toda a dinâmica do sequestro e verificar se outras pessoas participaram da ação.
As investigações também resultaram na prisão de um homem suspeito de ter emprestado a casa onde a criança teria sido mantida antes de ser levada ao Paraguai.

Ele foi preso no sábado (8), em Campo Grande. No domingo, a prisão preventiva foi decretada durante audiência de custódia.
A defesa informou que está tomando conhecimento dos detalhes da investigação para demonstrar que o cliente não teria participação direta nos fatos atribuídos a ele.
Com o resgate de Ayla, as autoridades concentram agora os esforços na identificação de todos os envolvidos e na reconstrução do trajeto percorrido pela criança desde o momento em que foi retirada da mãe.
A investigação continua em Mato Grosso do Sul, com apoio das autoridades paraguaias.
Fonte: RBV